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Como Kevin Warsh quer reformular o banco central dos Estados Unidos
Publicado 21/06/2026 • 09:28 | Atualizado há 3 horas
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Publicado 21/06/2026 • 09:28 | Atualizado há 3 horas
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Foto por CHIP SOMODEVILLA / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / GETTY IMAGES VIA AFP
O presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, responde a perguntas de repórteres durante sua primeira coletiva de imprensa desde que assumiu o comando do banco central, em 17 de junho de 2026, em Washington, DC.
As primeiras mudanças anunciadas pelo presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, apontam para uma revolução silenciosa. O dirigente criou grupos de trabalho para reavaliar praticamente todos os aspectos da formulação da política monetária e da forma como ela é conduzida.
Após sua primeira reunião à frente do banco central, na última quarta-feira, Warsh apresentou o plano — um projeto amplo e ambicioso que prevê a criação de cinco grupos de trabalho, que contarão com recursos e especialistas do próprio Fed e também de fora da instituição.
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As revisões representam um exame abrangente de todas as áreas que definem a política monetária moderna. Nenhum presidente do Fed na história recente lançou um projeto com esse nível de ambição.
Os grupos terão a missão de analisar a comunicação da instituição, os dados utilizados para medir a economia, a visão sobre a inflação e suas causas, o impacto de tecnologias como a inteligência artificial, além do tamanho e da composição do balanço patrimonial de US$ 6,7 trilhões do Fed e dos possíveis caminhos para reduzir esses ativos.
Os grupos de trabalho irão “partir dos princípios fundamentais, fazer perguntas difíceis, examinar as práticas atuais, considerar alternativas e, por fim, propor os próximos passos para avaliação dos formuladores de política monetária”, afirmou Warsh.
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“Cada grupo de trabalho servirá a um objetivo compartilhado por todos no sistema, compartilhado por todos os que estavam à mesa comigo nos últimos dias: um Federal Reserve consciente de sua missão, adequado ao seu propósito e voltado para o futuro”, acrescentou.
Ao anunciar os grupos de trabalho, Warsh adotou um tom firme e deliberado.
No entanto, desapareceram as críticas contundentes que vinha fazendo ao banco central ao longo do último ano.
Em julho do ano passado, durante uma entrevista à CNBC enquanto disputava o comando da instituição, Warsh defendeu uma “mudança de regime” no Fed e afirmou que havia um “déficit de credibilidade” provocado pelos “ocupantes atuais” da instituição. Desta vez, porém, afirmou estar “extremamente impressionado” com o que encontrou nas primeiras semanas no cargo e disse que a reunião “representou o melhor das tradições do Fed”.
O que antes parecia um ambiente potencialmente conflituoso dentro da instituição rapidamente deu lugar a um clima de colaboração, enquanto Warsh busca promover uma revisão profunda da forma como o Fed opera.
“Acho que o que estamos vendo é uma mudança de regime, mas com uma luva de veludo”, disse Scott Clemons, estrategista-chefe de investimentos da Brown Brothers Harriman. Segundo ele, os grupos de trabalho “vão revisar e talvez reformular todos os aspectos operacionais do Fed, desde a comunicação e as fontes de dados até a forma como administra o balanço patrimonial e sua estrutura de análise da inflação. Há muito potencial para uma mudança de regime.”
A decisão de Warsh de adotar um tom positivo não surpreendeu veteranos do Fed, vários dos quais elogiaram a direção escolhida pelo novo presidente.
“Todos que passaram pelo Fed sabem que mudanças acontecem exatamente da forma como ele fez: criando grupos de trabalho para construir consenso”, afirmou Roger Ferguson, ex-vice-presidente do banco central, à CNBC. “Há algumas coisas que podem ser eliminadas e que seriam úteis, enquanto outras exigirão mais cautela.”
A ex-presidente do Fed de Cleveland, Loretta Mester, participou de um subcomitê de comunicação durante seu mandato, entre 2014 e 2024, período que integrou uma carreira de quase 40 anos no banco central. Ela conhece iniciativas anteriores de mudança promovidas pela instituição, embora talvez não tenham sido tão estruturadas quanto a proposta de Warsh.
“Todos os temas que ele está analisando já foram examinados pelo Fed. A diferença é que ele está organizando esse trabalho e estabelecendo um cronograma mais acelerado do que o habitual para projetos desse tipo”, disse Mester. “Acho positivo estudar todas essas questões. Naturalmente, ainda será preciso ver quais serão as recomendações e quais mudanças ele pretende implementar.”
Uma das mudanças mais visíveis promovidas por Warsh ocorreu na comunicação.
O comunicado divulgado após a reunião abandonou grande parte da linguagem padronizada utilizada anteriormente e passou a apresentar uma descrição mais objetiva das decisões do comitê e da avaliação das condições econômicas. Em termos de formato, o texto começou informando a decisão sobre os juros — mantidos inalterados, como esperado — retomando o modelo utilizado antes de março de 2009. Desde a crise financeira, o Fed iniciava seus comunicados com uma avaliação da conjuntura econômica.
Mester afirmou não ver problemas no retorno do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) ao formato anterior. No entanto, destacou que o comunicado desta semana também eliminou a chamada forward guidance — as indicações sobre os próximos passos da política monetária —, o que, segundo ela, pode exigir explicações adicionais sobre a “função de reação” do Fed, ou seja, como e por que a instituição ajustará sua política diante da evolução da economia.
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Seguir no Google“Gosto do fato de terem eliminado boa parte da linguagem padronizada que já não cumpria mais nenhuma função”, afirmou.
Mester acrescentou que o Fed enfrentava havia muito tempo um “problema Hotel California”.
“Depois que uma frase ou um parágrafo entrava no comunicado, era muito difícil removê-lo. Portanto, essa limpeza era necessária”, disse.
Outros pontos que devem ser analisados incluem a possível eliminação do chamado dot plot — projeções individuais de juros feitas pelos integrantes do FOMC — e eventuais mudanças nas entrevistas coletivas concedidas pelos presidentes do Fed após as reuniões, prática adotada há cerca de 15 anos.
Os grupos de trabalho analisarão uma ampla gama de operações do Fed.
Em relação ao balanço patrimonial, Warsh há muito critica o grande volume de títulos mantidos pelo banco central, posição que cresceu durante e após a crise financeira de 2008 e voltou a aumentar na pandemia de Covid-19, em 2020.
Também será revisada a forma como o Fed mede a inflação, após ela permanecer acima da meta por cinco anos, depois da avaliação equivocada de que a alta dos preços seria “transitória” em 2021 e 2022. Os impactos da inteligência artificial também estarão em foco, assim como uma revisão abrangente dos indicadores utilizados para medir a economia, com expectativa de ampliar o uso de dados e análises estatísticas para orientar as decisões.
Rick Rieder, diretor de renda fixa da BlackRock e também finalista na disputa pelo cargo conquistado por Warsh, classificou a abordagem do novo presidente como “uma nova era para a política monetária nos Estados Unidos”.
“Construir confiança na capacidade de atingir os objetivos da política monetária será fortalecido por uma análise abrangente de temas complexos que poderão influenciar significativamente a economia e as metas do Fed daqui para frente”, escreveu Rieder em uma nota divulgada após a reunião. “Desta vez é diferente. Estamos ouvindo uma filosofia diferente, ferramentas diferentes e, possivelmente, uma abordagem de política monetária muito distinta.”
Para Mester, um elemento essencial para que essa estratégia funcione será deixar claro o que orientará as decisões futuras de política monetária.
“Não precisa ser algo numérico nem excessivamente prescritivo, mas é importante entender o que eles estão observando e quais fatores poderão levá-los a agir em uma direção ou outra”, afirmou. “Acho que é isso que esperamos que nossos banqueiros centrais consigam explicar. Caso contrário, a mensagem acaba sendo apenas ‘confie em mim’, e ‘confie em mim’ não é uma boa forma de comunicação.”
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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