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Entenda o ‘Master paraguaio’, escândalo financeiro que levou à renúncia do presidente do Paraguai

Publicado 05/11/2026 • 14:39 | Atualizado há 25 minutos

KEY POINTS

  • Crise do Ueno Bank interrompeu o acesso de cerca de 3 milhões de clientes ao dinheiro e expôs recursos públicos depositados na instituição.
  • Investigação apura suspeitas de empréstimos irregulares e operações entre empresas ligadas ao grupo controlador.
  • Santiago Peña anunciou a renúncia após perder o apoio da base governista; o pedido ainda depende de análise do Congresso.

Foto: AFP

O escândalo do Ueno Bank, conhecido como “Master paraguaio”, passou das contas bancárias às ruas e chegou à Presidência do Paraguai. Nesta quinta-feira (5), Santiago Peña anunciou sua renúncia depois que a crise financeira se transformou em uma mobilização pelo impeachment, com apoio inclusive de parlamentares governistas. O pedido foi encaminhado ao Congresso, que precisa analisá-lo para efetivar a saída.

O caso reúne suspeitas de empréstimos a empresas ligadas aos controladores, bloqueio de dinheiro de milhões de clientes e questionamentos sobre a fiscalização bancária. Entenda a sequência dos acontecimentos.

Um banco de grande alcance e com dinheiro público

O Ueno se tornou um dos principais bancos digitais paraguaios, com aproximadamente 3 milhões de clientes. Sua importância também vinha dos recursos públicos: a instituição administrava entre US$ 800 milhões e US$ 850 milhões de órgãos estatais, incluindo cerca de US$ 380 milhões do sistema de previdência e saúde.

Peña havia sido sócio do Grupo Vázquez, controlador do banco, até março de 2025. Essa relação passou a alimentar cobranças sobre possíveis conflitos de interesses e sobre a segurança das aplicações públicas.

Leia também: ‘Master paraguaio’: Câmara rejeita impeachment de vice-presidente; Pedro Alliana deve ser novo presidente do Paraguai

Empréstimos e circulação de recursos entram na investigação

O Ministério Público passou a apurar operações realizadas entre 2025 e 2026. A suspeita é que o Ueno tenha concedido crédito a empresas relacionadas ao próprio grupo em condições incompatíveis com a capacidade financeira dos beneficiários, com garantias insuficientes e falhas na documentação.

Investigadores também apontaram indícios de que recursos foram encaminhados a outras companhias do conglomerado, em vez de usados nas atividades informadas nos pedidos de empréstimo.

Outra operação sob suspeita envolve a transferência de uma carteira de crédito de aproximadamente US$ 74,4 milhões. Segundo a hipótese da Promotoria, a compradora teria utilizado dinheiro originado indiretamente do próprio Ueno para fechar o negócio. As suspeitas permanecem sob investigação.

O Banco Central intervém e as contas ficam indisponíveis

A diretoria do Banco Central aprovou o regime de resolução em 2 de novembro e anunciou a medida no dia seguinte. Ajustes nos balanços haviam revelado que o banco não cumpria os requisitos mínimos de capital.

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O procedimento permite reorganizar ativos e transferir depósitos para outras instituições antes da liquidação do que restar. Com a intervenção, clientes ficaram sem conseguir movimentar normalmente o dinheiro, provocando protestos diante de agências.

A crise alcança dirigentes e fundos de investimento

Oito dirigentes foram detidos e o Ministério Público formalizou acusações contra 27 pessoas. A apuração inclui suspeitas de lesão de confiança, tentativa de fraude e irregularidades na escrituração comercial.

Os efeitos chegaram ao mercado de investimentos: os resgates de 13 fundos foram temporariamente suspensos para permitir a avaliação dos ativos vinculados ao Ueno. A restrição não significava a liquidação desses fundos, cujo patrimônio pertence aos investidores e é separado do banco e das administradoras.

A queda do presidente do BC amplia a pressão política

Carlos Carvallo deixou a presidência do Banco Central em 3 de novembro. No dia seguinte, Peña encaminhou ao Senado a indicação de Raúl Vera Bogado para substituí-lo.

Carvallo havia dirigido a antiga Financiera Ueno antes de assumir a autoridade monetária. Sua passagem pela instituição e os vínculos anteriores de Peña com o grupo controlador ampliaram os questionamentos sobre a fiscalização. Peña negou irregularidades e classificou a crise como um episódio pontual.

Em 4 de novembro, um pedido de impeachment contra o presidente e o vice, Pedro Alliana, chegou à Câmara com 35 assinaturas. Os parlamentares apontavam mau desempenho no cargo e suspeitas de conflito de interesses.

Sem apoio no Congresso, Peña anuncia a renúncia

Nesta quinta-feira (5), a bancada A do Partido Colorado, com 36 deputados, aderiu ao impeachment. Com isso, os 80 integrantes da Câmara haviam manifestado apoio ao processo, acima dos 53 votos necessários para encaminhar a acusação ao Senado.

Peña anunciou a renúncia em pronunciamento gravado, alegando preocupação com a estabilidade, a paz social e as instituições democráticas. Seu mandato estava previsto para terminar em 2028.

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