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Santiago Peña renuncia no Paraguai e vice deve assumir; veja a repercussão na imprensa local

Publicado 05/11/2026 • 14:25 | Atualizado há 32 minutos

KEY POINTS

  • Santiago Peña perdeu o apoio de Horacio Cartes e de aliados do Partido Colorado em meio à pressão por impeachment.
  • O vice-presidente Pedro Alliana deverá completar o mandato até agosto de 2028; o Congresso também terá de escolher um novo vice.
  • O Ministério Público paraguaio incluiu Peña em uma investigação relacionada ao Ueno Bank, enquanto autoridades apuram irregularidades na instituição
Luis Robayo discura em evento Mercosul-UE

Luis Robayo/AFP

Santiago Peña renunciou à Presidência do Paraguai em meio à crise do Ueno Bank e à pressão por impeachment

A renúncia do presidente do Paraguai, Santiago Peña, nesta quinta-feira (5), ganhou destaque na imprensa local em meio à crise provocada pelo colapso do Ueno Bank. Os principais jornais do país destacaram a perda de apoio político do mandatário, o avanço das investigações sobre a instituição financeira e a sucessão presidencial, que deverá levar o vice-presidente Pedro Alliana ao comando do país.

Peña anunciou a decisão em um vídeo publicado nas redes sociais, enquanto o Congresso discutia a abertura de um processo de impeachment. A saída ocorreu três dias depois de o Banco Central do Paraguai iniciar o processo de resolução do Ueno Bank, que deixou clientes sem acesso às contas e provocou protestos no país.

Veículos como ABC Color, Última Hora, La Nación, Popular e Diario Vanguardia acompanharam a crise. Além dos motivos da renúncia, a cobertura abordou a ruptura com aliados do Partido Colorado, os procedimentos para a posse do sucessor e as suspeitas de irregularidades financeiras.

Leia também: ‘Master paraguaio’: após escândalo financeiro, presidente Santiago Peña renuncia ao cargo

Perda de apoio político e impeachment

O ABC Color destacou a perda de apoio político de Peña depois que o ex-presidente Horacio Cartes, líder do Partido Colorado e um de seus principais aliados, anunciou que apoiaria o impeachment.

A mudança de posição ocorreu em meio à apresentação de uma acusação contra o presidente por suas antigas ligações empresariais com o grupo controlador do Ueno Bank.

Peña foi acionista da Ueno Holding até 2025. Essa relação passou a ser questionada após a crise financeira que levou à intervenção na instituição.

O Última Hora também relacionou a renúncia à pressão política provocada pelo fechamento do banco. O jornal destacou que a saída foi anunciada quando deputados discutiam o afastamento do presidente.

Em seu pronunciamento, Peña afirmou que renunciava para preservar a estabilidade do país e pediu desculpas à população. Também defendeu que os recursos dos clientes fossem devolvidos, mas não assumiu responsabilidade direta pelas irregularidades investigadas.

Vice-presidente deve assumir o governo

A sucessão presidencial recebeu destaque do La Nación, que informou que o presidente do Congresso, Basilio Núñez, convocaria uma sessão conjunta de deputados e senadores para analisar a renúncia.

Segundo Núñez, a aceitação formal da saída encerraria a necessidade de prosseguir com o impeachment de Peña.

O Popular acrescentou que a carta de renúncia foi entregue ao Parlamento pelo ministro do Interior, Enrique Riera.

Pela Constituição paraguaia, o vice-presidente Pedro Alliana deverá assumir a Presidência e completar o mandato até 15 de agosto de 2028, sem necessidade de uma nova eleição presidencial.

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A sucessão também exigirá a escolha de um novo vice-presidente. Como o país está nos últimos dois anos do mandato, caberá ao Congresso eleger o substituto de Alliana por maioria absoluta de seus integrantes.

O ABC Color informou ainda que o futuro presidente se reuniu com Horacio Cartes para discutir a transição. Apesar dos preparativos, a posse dependia da conclusão dos procedimentos legislativos.

Peña entra em investigação criminal

Além da crise política, Peña foi incluído em uma investigação criminal relacionada ao Ueno Bank.

O procurador-geral do Paraguai, Emiliano Rolón Fernández, confirmou ao ABC Color que uma denúncia envolvendo o presidente foi encaminhada à unidade especializada em crimes econômicos e corrupção do Ministério Público.

O Diario Vanguardia também destacou a informação, relacionando a investigação criminal à discussão sobre o impeachment na Câmara dos Deputados.

Entre os pontos questionados estão os vínculos empresariais anteriores de Peña com o grupo ligado ao banco, a aplicação de recursos públicos na instituição e a atuação dos órgãos responsáveis pela fiscalização.

A inclusão do presidente na investigação não significa que ele tenha sido formalmente acusado de um crime ou que sua responsabilidade esteja comprovada. O Ministério Público ainda deverá apurar os fatos.

Crise do Ueno Bank continua

A renúncia não encerra os problemas provocados pelo fechamento do Ueno Bank. A instituição tinha quase 3 milhões de clientes, segundo dados citados pelo ABC Color, e a interrupção de seus serviços dificultou o acesso a depósitos e operações bancárias.

O banco entrou em processo de resolução depois que seu índice de solvência caiu para menos de 50% do mínimo exigido pelas autoridades financeiras. O indicador mede a capacidade da instituição de manter capital suficiente para enfrentar perdas.

O Última Hora destacou que, antes de renunciar, Peña havia promovido mudanças no comando do Banco Central e apoiado medidas para iniciar a devolução dos recursos aos depositantes.

As investigações sobre o banco também avançaram. Segundo a imprensa paraguaia, 27 pessoas ligadas à instituição foram formalmente acusadas, enquanto oito dirigentes foram detidos.

A crise provocou manifestações de clientes e de grupos políticos que cobravam respostas sobre a fiscalização do banco e a utilização de recursos públicos.

Com a renúncia de Peña, o Paraguai inicia uma transição presidencial enquanto as autoridades financeiras e judiciais continuam apurando as responsabilidades pelo colapso da instituição.

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