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Publicado 11/03/2026 • 12:43 | Atualizado há 3 meses
KEY POINTS
Foto: Freepik
Os avanços da nova guerra no Oriente Médio entre Estados Unidos e Irã resultaram no fechamento do Estreito de Ormuz, a principal rota marítima utilizada para o transporte de petróleo via navios cargueiros. O bloqueio ordenado pela Guarda Revolucionária do Irã afeta diretamente inúmeros mercados financeiros ao redor do mundo, mesmo que diversas nações não estejam envolvidas diretamente no conflito.
A paralisação dos transportes foi a responsável também pela crescente subida do preço do barril de petróleo. No início da última semana, o Brent chegou próximo dos US$ 120, recuando na sequência para US$ 90 por barril. Apesar da queda nos preços, o valor ainda é considerado acima do normal, o que pressiona os países afetados a tomarem decisões que aliviem a falta do material.
Leia também: Japão irá liberar reservas de petróleo antes de decisão formal da AIE, diz Takaichi
Como alternativa para diminuir os impactos, a Agência Internacional de Energia concordou nesta quarta-feira (11) em liberar 400 milhões de barris de petróleo. A principal função das reservas estratégicas é proteger países e economias contra interrupções no fornecimento de energia, algo que vem acontecendo entre os países afetados pelos conflitos no Oriente Médio.
Esses estoques atuam como uma espécie de “seguro energético”, permitindo que governos mantenham o abastecimento mesmo quando eventos externos, como conflitos militares, desastres naturais ou sanções econômicas, afetam a produção ou o transporte de petróleo.
Os estoques são compostos por petróleo bruto armazenado por governos ou por empresas sob supervisão estatal. Como esse petróleo já foi extraído e está disponível para uso imediato, ele pode ser colocado instantaneamente no mercado para compensar perdas temporárias, além de reduzir o impacto econômico de uma crise energética.
As reservas estratégicas são controladas principalmente por governos nacionais, embora parte dos estoques também possa ser mantida por empresas privadas sob regulamentação estatal. Cada país estabelece suas próprias políticas de armazenamento, gestão e liberação desses volumes de petróleo.
No caso dos EUA, a reserva energética de petróleo (conhecida como SPR) é armazenada e controlada pelo Departamento de Energia dos Estados Unidos. De acordo com informações oficiais, a reserva americana autorizada é de 744 milhões de barris de petróleo.
No cenário internacional, muitos países mantêm suas políticas energéticas por meio da Agência Internacional de Energia. A organização exige que seus membros mantenham reservas equivalentes a pelo menos 90 dias de importações de petróleo, criando uma rede global de proteção contra crises no abastecimento.
Ou seja, embora cada país mantenha suas próprias reservas estratégicas de petróleo, as ações coordenadas pela Agência Internacional de Energia são realizadas por meio da contribuição direta dos estoques dos países membros.
Leia também: Petróleo volta a superar US$ 90 com mercado ignorando possível liberação histórica de reservas
Em alguns casos, a liberação ocorre de forma coordenada entre vários países. Durante crises internacionais, como conflitos ou grandes choques no mercado energético, membros da Agência Internacional de Energia podem liberar parte de seus estoques simultaneamente para estabilizar o mercado global de petróleo.
Como já noticiado anteriormente pelo Times Brasil – Licenciado Exclusivo CBNC, a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, afirmou que o país planeja liberar petróleo de suas reservas nacionais já na próxima semana, ao destacar um “nível excepcionalmente elevado de dependência” do petróleo proveniente do Oriente Médio.
Vale destacar que, mesmo com a cooperação internacional para minimizar o impacto do reabastecimento do petróleo, a quantidade não deve ser suficiente em comparação ao fluxo de petróleo enviado pelo Estreito de Ormuz. Em 2024, a via marítima foi responsável pelo envio de 20 bilhões de barris diários, o que correspondia a 20% do petróleo e gás natural global.
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