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EUA emitem isenções abrangentes de sanções ao petróleo do Irã, liberando bilhões em receitas para Teerã

Publicado 23/06/2026 • 06:57 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Os EUA emitiram uma revogação abrangente das sanções ao petróleo do Irã, liberando bilhões de dólares em receitas.
  • Espera-se que as refinarias estatais e independentes da China aumentem as compras de petróleo iraniano durante a janela de 60 dias.
  • A medida pode liberar um inventário flutuante de cerca de 67 milhões de barris de petróleo bruto iraniano retidos no Golfo, rendendo ao Irã um retorno financeiro significativo.
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Foto: Canva

Os EUA emitiram uma revogação abrangente das sanções sobre o petróleo iraniano, permitindo o comércio denominado em dólares pela primeira vez em mais de quatro décadas, enquanto Washington e Teerã avançam com negociações frágeis em direção a um acordo de paz permanente.

O Tesouro dos EUA emitiu na segunda-feira (22) uma ampla isenção de 60 dias que permite ao Irã produzir e vender petróleo bruto, produtos petroquímicos e derivados de petróleo em dólares americanos até 21 de agosto.

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Sob a chamada Licença Geral X, embarcações e entidades anteriormente sujeitas a sanções dos EUA também estão liberadas para transações. A isenção também reabre, teoricamente, as portas para as importações americanas de petróleo bruto iraniano, um comércio que praticamente entrou em colapso desde a década de 1990 sob o peso de pesadas sanções, de acordo com a Administração de Informação de Energia dos EUA (EIA).

A medida de segunda-feira marca a revogação mais abrangente das sanções petrolíferas americanas contra o Irã desde a Revolução Islâmica de 1979, revertendo anos de pressão projetada para aleijar a economia do Irã, e deve entregar bilhões em receitas petrolíferas para o regime iraniano.

A licença poderia liberar um inventário flutuante de cerca de 67 milhões de barris de petróleo bruto iraniano retidos no Golfo, proporcionando ao Irã um ganho financeiro potencial de US$ 8 bilhões a US$ 9 bilhões, de acordo com Miad Maleki, ex-oficial de sanções do Tesouro e atual membro sênior da Fundação para a Defesa das Democracias, um think tank baseado em Washington.

“Produção, vendas, pagamentos em dólares, petroquímicos e navegação protegida — tudo ativado de uma vez só”, disse ele. “Juntos, eles equivalem a uma reabertura sustentada da fonte de receita mais importante do Irã.”

O presidente dos EUA, Donald Trump, defendeu a suspensão das sanções, dizendo na segunda-feira que quaisquer lucros do petróleo deveriam ser destinados para o Irã comprar produtos agrícolas americanos, em vez de reconstruir suas forças militares.

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O alívio mais recente das sanções ocorreu após um memorando de entendimento assinado na semana passada entre os EUA e o Irã. As negociações na Suíça que foram concluídas na segunda-feira renderam progressos positivos em direção a um acordo final.

As exportações de petróleo bruto iraniano aumentaram nas últimas semanas à medida que as negociações entre EUA e Irã avançavam, com 6,79 milhões de barris enviados na semana passada — o nível mais alto em dois meses —, de acordo com a empresa de inteligência marítima Windward.

O petróleo bruto iraniano, que normalmente é negociado com desconto em relação às referências globais, também pode passar a ter um prêmio acima do Brent devido à pressão da demanda, aumentando ainda mais o ganho de receita de Teerã, disse Brett Erickson, diretor administrativo da Obsidian Risk Advisors.

Rede das Sombras

A isenção mais recente permite que o Irã receba as receitas do petróleo diretamente em seu banco central, reduzindo os custos de transação anteriormente incorridos pelo roteamento de pagamentos através de intermediários bancários paralelos (“shadow banking”).

“Com a compensação em dólares agora autorizada, espere que a China acelere as compras agressivamente”, disse Maleki. Os compradores chineses, no passado, liquidavam transações por canais opacos para evitar a exposição a sanções secundárias dos EUA.

A licença remove o principal atrito bancário que limitava o volume, dando tanto às refinarias estatais quanto às refinarias independentes (conhecidas como teapots) acesso a redes bancárias intermediárias que antes precisavam contornar, disse Maleki. Ele espera um rápido “ciclo de abastecimento” de armazenamento, no qual os compradores chineses podem correr para reabastecer os estoques antes que a isenção expire em agosto.

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A China compra atualmente cerca de 90% das exportações de petróleo do Irã, com as teapots respondendo pela maior parte das importações chinesas. As importações de petróleo bruto do país encolheram em inéditos 4,8 milhões de barris por dia (mbd) entre fevereiro e maio — uma queda mais acentuada do que o declínio de 4 mbd visto durante o auge da pandemia na segunda metade de 2020, de acordo com o JPMorgan.

Sinais de uma recuperação ainda não se materializaram, disse Muyu Xu, analista sênior de petróleo da Kpler. Os compradores estão correndo para avaliar a nova autorização e concluir as revisões internas de conformidade (compliance) — especialmente aqueles que não eram ativos anteriormente no petróleo bruto iraniano, disse Xu.

Dito isso, o interesse dos compradores chineses acabará aumentando, embora a aquisição real dependa dos preços e da disponibilidade de carga, acrescentou Xu.

O Irã provavelmente usará essa janela de 60 dias para reparar instalações petrolíferas danificadas pela guerra e fechar contratos de longo prazo com compradores chineses, disse Michael Feller, estrategista-chefe da Geopolitical Strategy. “Isso será um enorme impulso para o Irã, tanto para sua economia quanto para seu sentimento de vitória.”

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