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EXCLUSIVO CNBC: Bessent pode usar conta de quase US$ 1 trilhão do Tesouro para financiar recompra de títulos

Publicado 24/08/2026 • 10:43 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • O Tesouro dos EUA pode usar sua Conta Geral para ajudar a financiar compras de títulos públicos, segundo dois altos funcionários do Departamento do Tesouro.
  • O secretário do Tesouro, Scott Bessent, elevou o saldo da conta para cerca de US$ 950 bilhões.
  • O Tesouro surpreendeu os mercados na semana passada ao dobrar o volume de recompra de títulos, mas o impacto sobre os juros foi breve devido ao ceticismo sobre os recursos disponíveis para Bessent.

Win Mcnamee / AFP

Secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent

O Tesouro dos Estados Unidos pode usar sua Conta Geral, com quase US$ 1 trilhão, para ajudar a financiar os planos anunciados recentemente de ampliar as compras de títulos públicos, segundo dois altos funcionários do Departamento do Tesouro.

O uso da Conta Geral daria ao Tesouro um poder de fogo considerável para influenciar os rendimentos dos títulos de longo prazo. Na semana passada, o Tesouro surpreendeu os mercados ao anunciar que dobraria o volume de recompra de títulos de prazo mais longo que não estão atualmente em emissão, de US$ 2 bilhões para pelo menos US$ 4 bilhões. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou à CNBC que essas operações poderiam ser ainda maiores do que o novo mínimo estabelecido.

No entanto, o Tesouro não informou como financiaria as compras. A maioria dos participantes do mercado presumiu que a instituição faria isso por meio da venda de títulos de curto prazo. Os altos funcionários do Tesouro não descartaram essa possibilidade. Em entrevista à CNBC, Bessent chamou a operação de “Treasury Twist”, em referência a uma operação do governo ou do Federal Reserve na qual títulos do Tesouro de longo prazo são comprados e pagos com novas emissões de curto prazo. Isso também indicaria que títulos de curto prazo seriam vendidos.

Desde o anúncio inesperado, porém, os títulos perderam parte dos ganhos iniciais, levando os rendimentos para cima. Um dos motivos foi o ceticismo de diversos analistas de mercado sobre a eficácia da operação e sobre se os recursos do Tesouro seriam suficientes.

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O uso da Conta Geral poderia mudar essa percepção. A Conta Geral do Tesouro, conhecida como TGA (Treasury General Account), funciona essencialmente como a conta corrente do governo americano, uma espécie de reserva para emergências mantida no Federal Reserve. Ela já é abastecida com recursos provenientes da arrecadação de impostos.

Bessent elevou o saldo da TGA para cerca de US$ 950 bilhões, ante uma meta de aproximadamente US$ 550 bilhões a US$ 600 bilhões estabelecida durante o governo de Joe Biden.

Os funcionários não informaram quanto da TGA, se algum valor, seria utilizado ou quando um eventual anúncio poderia ser feito. Também não houve indicação de que os recursos seriam usados para além da compra dos títulos que não estão atualmente em emissão e que foram o foco do anúncio da semana passada.

Mas eles deixaram claro que a conta é considerada uma fonte de recursos disponível.

Tesouro não precisa da ajuda do Fed

O tamanho da TGA é uma decisão discricionária. Durante o período em que Janet Yellen comandava o Tesouro, funcionários afirmavam que a meta era manter na conta recursos equivalentes a “uma semana de necessidades de caixa”. Atualmente, o Tesouro afirma que estabelece o saldo “de acordo com a política de longo prazo de manutenção de caixa do Tesouro”.

Caso parte dos recursos seja utilizada e o Tesouro de Bessent queira manter a conta próxima de US$ 1 trilhão, seria necessário emitir títulos adicionais para recompor o saldo.

Por outro lado, reduzir o saldo da conta não parece representar um risco imediato. Uma TGA menor significaria que o governo teria menos dinheiro disponível em caso de um novo impasse envolvendo o teto da dívida. As estimativas mais recentes, porém, indicam que o novo limite não deverá ser atingido antes do inverno do próximo ano e possivelmente apenas no início da primavera. Isso daria tempo para recompor os recursos, se necessário.

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Enquanto isso, os rendimentos dos títulos poderiam ser influenciados até mesmo pelo uso de uma pequena parcela da TGA — ou simplesmente pelo reconhecimento de que o Tesouro estaria disposto a utilizá-la para comprar títulos públicos.

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A medida também reduziria preocupações, manifestadas por alguns participantes do mercado de títulos, de que o Federal Reserve pudesse ser chamado a ajudar o Tesouro nessas operações. O Fed mantém a TGA como um banco, mas não considera a conta parte de seu conjunto de instrumentos de política monetária.

Os funcionários do Tesouro também rebateram críticas de que a instituição teria abandonado, com o anúncio inesperado, sua prática de manter emissões de títulos “regulares e previsíveis” e estaria tentando manipular o mercado.

O anúncio da ampliação das recompras ocorreu duas semanas após a divulgação do calendário trimestral de refinanciamento, momento em que esse tipo de informação normalmente seria apresentado aos mercados.

Os altos funcionários, porém, afirmaram que nenhuma alteração foi feita nos cronogramas oficiais dos leilões. Eles acrescentaram que o anúncio ocorreu quase três semanas antes da primeira operação, prevista para 9 de setembro, dando tempo para que os mercados se preparassem. O Tesouro também anunciou o plano para todo o trimestre em seu comunicado de 19 de agosto.

Segundo eles, como o primeiro leilão só ocorrerá em 9 de setembro, ainda é cedo para avaliar o impacto da medida sobre o mercado.

Bessent afirmou à CNBC na semana passada que o objetivo do Tesouro era fazer o mercado “se concentrar nos fundamentos e não negociar com base nas manchetes durante um período tranquilo, em um mercado de baixa liquidez. Portanto, estamos tentando manter o mercado em equilíbrio”.

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O secretário disse esperar avanços na redução do déficit quando as receitas provenientes de tarifas voltarem a crescer, após a substituição dos valores devolvidos por ordem judicial por novas tarifas.

Bessent também afirmou que altos funcionários do governo deverão se reunir em breve para elaborar planos destinados a melhorar a situação fiscal dos Estados Unidos.

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