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‘Eles pediram demais’: dólar canadense recua enquanto Ottawa e Washington caminham para uma guerra comercial total
Publicado 24/08/2026 • 10:21 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 24/08/2026 • 10:21 | Atualizado há 2 meses
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Foto: Getty Images
O dólar canadense caiu na manhã de segunda-feira (24), depois que as negociações comerciais entre Ottawa e Washington fracassaram, deixando os dois lados diante de preços mais altos para uma ampla variedade de produtos importados e ameaçando o crescimento econômico do Canadá.
No sábado, os Estados Unidos impuseram tarifas de 50% sobre cerca de US$ 20 bilhões em importações do Canadá, seu segundo maior parceiro comercial depois do México. Os produtos afetados abrangem laticínios, vinho, produtos de madeira, móveis, cimento, cerâmica e uma série de outras áreas.
O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, disse que retaliaria “dólar por dólar” com tarifas a partir de 8 de setembro, atingindo setores como aço, laticínios, equipamentos agrícolas, papel e eletrônicos. Os detalhes serão divulgados “nos próximos dias”, acrescentou Carney.
O dólar canadense recuava 0,55% em relação ao dólar americano às 7h30 ET. O loonie também caiu ante o euro, a libra esterlina e o iene japonês.
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“Como uma economia menor e mais aberta, o Canadá tem mais a perder com isso, mas o primeiro-ministro Mark Carney parece ter aberto a porta para mais estímulos fiscais para apoiar as empresas afetadas”, escreveram estrategistas de câmbio do banco ING em uma nota divulgada na segunda-feira.
Bradley Saunders, economista para a América do Norte da Capital Economics, disse à CNBC que o Canadá enfrentaria um impacto maior sobre sua economia com as tarifas do que os Estados Unidos.
“A elevada taxa da tarifa significa que as indústrias mais expostas podem ser devastadas”, disse Saunders por e-mail, destacando que não há mais isenção para produtos que cumpram as regras de produção estabelecidas no Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA) — um acordo trilateral que está atualmente sendo renegociado — como houve em rodadas anteriores de tarifas desde o “Dia da Libertação” do presidente americano Donald Trump, em abril de 2025.
Embora os produtos atingidos representem apenas cerca de 0,6% do produto interno bruto do Canadá, “um colapso nas exportações ainda seria suficiente para levar o já fraco crescimento do PIB de volta para perto de zero”, afirmou.
“Isso seria especialmente provável se a menor demanda dos EUA por produtos acabados, como móveis e equipamentos elétricos, tivesse efeitos indiretos sobre as indústrias primárias a montante, que já enfrentam dificuldades sob a pressão das tarifas da Seção 232.”
A situação poderia se agravar ainda mais se Trump retaliar às contramedidas do Canadá, acrescentou Saunders, estimando que a extensão das tarifas de 50% a 20% das exportações canadenses de bens para os EUA, ante 5% anteriormente, poderia retirar cerca de 2% do PIB canadense e levar o país para um cenário de recessão.
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Siga o Times | CNBCOs negociadores se esforçaram para fechar um acordo durante toda a semana, com autoridades sugerindo que um entendimento estava próximo. Mas o tom azedou no fim de semana, com cada lado culpando o outro pelo fracasso em chegar a um acordo e acusando-o de práticas comerciais injustas.
Os EUA e o Canadá exportam dezenas de bilhões de dólares em produtos agrícolas entre si todos os anos, enquanto suas indústrias automobilísticas estão profundamente interligadas. O déficit comercial de US$ 48,3 bilhões dos EUA com o Canadá se deve em grande parte às significativas importações americanas de gás natural, eletricidade e petróleo bruto canadenses.
Assim como a União Europeia durante suas próprias prolongadas negociações comerciais com o governo Trump, Ottawa argumenta que sua relação comercial com os EUA passa a registrar déficit quando os serviços são incluídos.
“O Canadá quer os benefícios de ser um Estado, sem ser um!!!”, disse Trump em uma publicação na Truth Social no domingo. “Eles também cobraram de nossos grandes agricultores, durante muitos anos, enormes quantias em tarifas. Não mais!!!”
Carney disse no sábado que os EUA “pediram demais e ofereceram de menos”.
“Não estávamos dispostos a comprometer a soberania do Canadá ou enfraquecer nossas principais indústrias”, afirmou.
Os detalhes das tarifas em grandes setores, incluindo automóveis, aço e alumínio, foram um ponto de impasse, assim como as proteções canadenses ao uso da língua francesa e a capacidade do país de fechar acordos comerciais separados, indicou Carney em seus comentários.
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Questionado por um repórter sobre por que parecia que o Canadá estava entrando em uma guerra comercial, Carney respondeu: “Porque fomos atacados. Você está em guerra quando é atacado. Fomos atacados.”
Apesar do possível impacto econômico, a postura de Carney foi recebida com apoio por muitos no Canadá, onde pesquisas recentes sugerem que a maioria da população apoia uma postura firme nas negociações com os EUA, mas um número crescente teme pela segurança de seus empregos. Tarifas americanas contínuas de 50% poderiam provocar cerca de 90 mil perdas de postos de trabalho, segundo o economista canadense Trevor Tombe.
Carney foi eleito em março de 2025, em grande parte com a promessa de enfrentar a Casa Branca. Isso ocorreu quando relatos de canadenses retirando bebidas alcoólicas americanas das prateleiras das lojas evidenciaram a deterioração das relações entre os vizinhos norte-americanos.
Pierre Poilievre, líder dos conservadores de oposição, disse nas redes sociais que o Canadá “não pode aceitar tarifas unilaterais que irão desindustrializar nosso país”.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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