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EXCLUSIVO CNBC: Flávio Bolsonaro chega aos EUA, enquanto Trump recalcula estratégia para o Brasil

Publicado 28/10/2026 • 16:34 | Atualizado há 13 minutos

KEY POINTS

  • Flávio Bolsonaro chegou a Miami com a família após deixar o Brasil, em meio à tensão política provocada pelo resultado eleitoral, segundo reportagem da CNBC.
  • Donald Trump manifestou apoio à família Bolsonaro e criticou a eleição brasileira, mas também declarou manter uma boa relação com Lula.
  • A correspondente Megan Cassela apontou que a derrota eleitoral pode levar Washington a rever tarifas e sanções aplicadas ao Brasil, diante da necessidade de negociar com o governo Lula.

Flávio Bolsonaro chegou a Miami, nos Estados Unidos, com a família, após deixar o Brasil em meio à tensão política provocada pelo resultado da eleição presidencial.

A chegada foi destaque em uma reportagem da CNBC americana, com informações da correspondente na Casa Branca, Megan Cassela, diretamente de Washington.

Imagens exibidas pela emissora mostram Flávio Bolsonaro e familiares desembarcando no aeroporto de Miami. A chegada ocorre após dias de turbulência política.

Bolsonaro perdeu a eleição presidencial de domingo para Luiz Inácio Lula da Silva e, segundo a reportagem, recusou-se a reconhecer o resultado e ameaçou anulá-lo. Ele também teve o passaporte retido em meio a investigações relacionadas a lavagem de dinheiro e sonegação.

O Departamento de Estado dos Estados Unidos confirmou a emissão de vistos para integrantes da família Bolsonaro, de acordo com informações citadas pela CNBC. O presidente Donald Trump também declarou, na noite anterior, que aprovaria a entrada da família no país. Ele chamou os Bolsonaro de “gente boa” e classificou a eleição brasileira como “terrível”.

No início da semana, Trump havia chamado o processo eleitoral brasileiro de fraudulento, sem apresentar provas. A correspondente da CNBC destacou que a derrota de Bolsonaro representa um revés para os interesses políticos do governo americano na América do Sul, que desejava a eleição de um aliado próximo da Casa Branca para a Presidência brasileira.

O resultado também contraria a recente expansão de lideranças de direita na região. Apesar das críticas ao processo eleitoral, Trump afirmou que gosta de Lula e que mantém uma boa relação com o presidente brasileiro.

Relação comercial pode mudar

A mudança no cenário político também pode ter consequências para o comércio entre Brasil e Estados Unidos. O Brasil é um importante parceiro comercial dos americanos e um grande fornecedor de produtos agrícolas.

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Durante a reportagem, Cassela observou que parte do mercado considerava que uma relação mais próxima entre Trump e Bolsonaro poderia favorecer os negócios entre os dois países.

A vitória de Lula, por outro lado, pode abrir espaço para avanços nas relações comerciais em setores como suco de laranja, café e carne.

A correspondente também lembrou que o governo Trump aplicou tarifas de 50% sobre produtos brasileiros no ano passado, além de sanções relacionadas ao tratamento dado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, pai de Flávio. As medidas foram justificadas por Trump em meio ao processo contra o ex-presidente, condenado por tentativa de golpe, conforme a contextualização apresentada na reportagem.

Parte das tarifas e sanções foi flexibilizada desde então. Com o resultado eleitoral definido, a CNBC avalia que Washington poderá rever outras medidas, diante da necessidade de estabelecer uma relação de trabalho com o governo Lula.

Cassela afirmou que reportagens da Reuters e de outros veículos indicaram que uma das motivações do governo Trump para as medidas contra o Brasil era tentar favorecer a eleição de Flávio Bolsonaro.

“Boa parte da motivação do governo Trump por trás disso era tentar eleger Flávio Bolsonaro. Bem, isso não ocorreu”, afirmou a correspondente.

A chegada de Bolsonaro aos Estados Unidos ocorre, portanto, em um momento de mudança nas relações políticas entre os dois países. Com Lula à frente do governo brasileiro, Washington terá de recalibrar sua estratégia diplomática e comercial em relação ao Brasil.

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