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EXCLUSIVO CNBC: JD Vance diz que EUA “têm todas as cartas” em acordo com Irã

Publicado 15/06/2026 • 19:42 | Atualizado há 3 horas

KEY POINTS

  • Vice-presidente dos EUA afirmou à CNBC que os Estados Unidos têm vantagem diplomática, econômica e militar nas negociações com o Irã.
  • Segundo Vance, o acordo prevê a reabertura imediata do Estreito de Ormuz e compromisso de longo prazo contra armas nucleares.
  • Negociações técnicas devem definir inspeções, descarte de urânio altamente enriquecido e acesso do Irã à economia global sem sanções.

O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, afirmou que Washington está em posição de força nas negociações com o Irã e disse que os EUA “têm todas as cartas” para exigir compromissos de longo prazo sobre o programa nuclear iraniano.

Em entrevista exclusiva à CNBC, Vance disse que o acordo a ser assinado nesta sexta-feira (19) prevê dois pontos centrais: a reabertura imediata do Estreito de Ormuz e o compromisso de que o Irã “nunca desenvolverá ou obterá uma arma nuclear”.

“Fundamentalmente, nós temos todas as cartas aqui. Não precisamos dar nada aos iranianos se eles não assumirem os compromissos que queremos no longo prazo sobre o programa nuclear”, afirmou.

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Pressão sobre o programa nuclear

Segundo Vance, o acordo é baseado em um processo de verificação em duas etapas. A primeira envolve o acesso do Irã a uma economia sem sanções. A segunda, disse ele, depende do cumprimento dos compromissos assumidos por Teerã.

“Vocês são bem-vindos a ter acesso a uma economia sem sanções. Vocês são bem-vindos a serem reinseridos na economia mundial, mas apenas se honrarem os compromissos que assumirem neste acordo”, disse o vice-presidente.

Vance afirmou que o governo Trump “destruiu de forma afirmativa e abrangente” o programa nuclear iraniano ao longo do último ano e meio. Segundo ele, o acordo busca impedir que Teerã tenha recursos para reconstruir essa estrutura.

“O que este acordo faz é dizer aos iranianos que eles não têm acesso ao dinheiro para reconstruir esse programa nuclear”, afirmou. “Mas, se estiverem dispostos a abrir mão desse programa no longo prazo, se aceitarem o regime de inspeções e verificação necessário para nos dar confiança de que nunca terão uma arma nuclear, então queremos que sejam um país próspero.”

O vice-presidente disse que a escolha colocada ao Irã é entre a reintegração econômica e a continuidade da ambição nuclear.

“Eles querem acesso à economia mundial? Se quiserem, terão que abrir mão da ambição nuclear de longo prazo”, afirmou. “Se não quiserem acesso à economia mundial e não abrirem mão dessa ambição, nunca terão os recursos para reconstruí-la de onde ela está hoje.”

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Ormuz entra na mesa técnica

Vance também disse que os EUA esperam que o Estreito de Ormuz permaneça aberto no longo prazo e sem cobrança de taxas. A declaração foi dada após questionamento sobre a informação divulgada pela imprensa estatal iraniana de que a abertura sem cobrança valeria por 60 dias.

“Nossa expectativa é que o estreito seja aberto sem cobrança de taxas no longo prazo. E esse é o tipo de coisa que vamos resolver nessas negociações técnicas”, afirmou.

Segundo o vice-presidente, o tráfego de navios pelo estreito já aumentou nas últimas 24 horas, enquanto os preços do petróleo recuaram. Ele disse que os detalhes técnicos ainda serão discutidos com os iranianos.

Entre os pontos a serem definidos estão a destruição e o descarte do estoque de material altamente enriquecido do Irã. Vance afirmou que Teerã se comprometeu a destruir esse material, incluindo urânio altamente enriquecido acumulado durante os governos Barack Obama e Joe Biden.

“Eles se comprometeram a destruir e descartar seu estoque de material altamente enriquecido”, disse. “O que dissemos foi: vamos conversar sobre exatamente como vamos fazer isso.”

Vance afirmou que os EUA estão dispostos a permitir o acesso do Irã a uma economia sem sanções, desde que haja um compromisso de longo prazo com inspeções e verificação.

“Nós nos sentimos bastante confiantes de que estamos em uma posição forte aqui. Fundamentalmente, temos a alavancagem diplomática, econômica e militar”, disse.

O vice-presidente afirmou que Washington está “estendendo uma mão aberta” ao Irã, mas disse que a pressão continuará se Teerã não aceitar os termos do acordo.

“Se vocês negociarem de boa-fé e assumirem esse compromisso de longo prazo de não desenvolver armas nucleares, então vamos garantir que seu país seja bem-sucedido”, afirmou. “Se, no entanto, se recusarem a nos encontrar no meio do caminho, vamos continuar aplicando a pressão.”

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Relação direta com Teerã

Vance disse ainda que a relação entre EUA e Irã mudou nos últimos meses, com canais diretos de comunicação entre autoridades dos dois países. Segundo ele, Washington espera que a delegação iraniana na assinatura do acordo inclua o presidente do Parlamento, Mohammad Ghalibaf, o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, além de autoridades de segurança.

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“Nosso relacionamento com o Irã se transformou fundamentalmente”, afirmou. “Nunca tivemos esse nível de conexão direta, em que pessoas nos mais altos níveis do governo dos Estados Unidos estão falando com pessoas nos mais altos níveis do governo iraniano.”

Segundo Vance, representantes de diferentes alas do sistema iraniano devem participar da negociação, incluindo setores mais duros e lideranças políticas.

“Estamos lidando com todos no sistema iraniano”, disse. “Esperamos ter um espectro completo de representantes na negociação de sexta-feira.”

O vice-presidente afirmou que a negociação tem mais chance de avançar porque, diferentemente de processos anteriores, os dois países não dependem apenas de intermediários.

“Não estamos mais passando mensagens por vários canais paralelos. Estamos realmente falando com eles”, disse. “E, quando você fala com eles, descobre o que é real, o que é falso, com o que eles levam a sério e com o que não levam.”

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Críticas de Israel

Vance também rebateu críticas ao acordo em Israel. Segundo ele, parte da resistência estaria ligada a interpretações equivocadas do texto e a versões divulgadas pela imprensa estatal iraniana para consumo interno.

“Acho que, quando as pessoas virem este acordo, esperamos divulgar o texto nesta semana, elas vão perceber que isso tornará toda a região mais segura”, afirmou.

O vice-presidente comparou o acordo ao pacto nuclear negociado durante o governo Obama e disse que, na visão da Casa Branca, o novo entendimento tem apoio maior entre países do Golfo.

“Se você voltar ao JCPOA [Acordo Nuclear do Irã] de Obama, o que vimos? Toda a coalizão do Golfo odiava aquele acordo porque sentia que ele fortalecia o Irã como mau ator”, disse. “O que a coalizão do Golfo está dizendo sobre o acordo de paz do presidente Trump? Que eles adoram, porque veem isso como uma oportunidade de construir um novo Oriente Médio.”

Vance afirmou que Israel também terá lugar nesse novo arranjo regional, mas reforçou que a prioridade do governo americano é o benefício aos Estados Unidos.

“Achamos que isso será ótimo para todos na região. Mas, mais importante, achamos que será ótimo para o povo americano”, disse.

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