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Tarifa de 25% dos EUA deve ter impacto limitado sobre setor náutico
Publicado 03/08/2026 • 16:00 | Atualizado há 46 minutos
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Publicado 03/08/2026 • 16:00 | Atualizado há 46 minutos
KEY POINTS
A tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre embarcações recreativas brasileiras deve ter impacto limitado sobre a competitividade do setor, segundo Ernani Paciornik, presidente do Grupo Náutica. Em entrevista nesta segunda-feira (3) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, ele afirmou que a cobrança incide apenas sobre a parcela brasileira do produto exportado e que, na prática, tende a representar entre 10% e 12% do custo final da embarcação.
Segundo Paciornik, o segmento já enfrentou momentos mais desafiadores no comércio exterior e conseguiu se adaptar. “Já tivemos um tarifaço maior do que esse e sobrevivemos. Era de 50%, agora é de 25%. Os estaleiros acabam encontrando maneiras de superar esse cenário”, afirmou.
O executivo explicou que a tarifa não é aplicada sobre o valor final da embarcação vendida no mercado americano, mas apenas sobre a parcela produzida no Brasil. Na avaliação dele, isso reduz significativamente o impacto financeiro da medida e preserva parte da vantagem competitiva da indústria nacional.
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Para Paciornik, os fabricantes brasileiros continuam bem posicionados diante da concorrência internacional graças à combinação entre qualidade e custos competitivos.
“Os 25% acabam representando algo entre 10% e 12%. Claro que atrapalha, mas nosso produto continua competitivo e com uma qualidade muito boa”, disse. Segundo ele, a nova tarifa aproximou os preços dos barcos brasileiros aos dos concorrentes estrangeiros, mas não comprometeu sua atratividade.
O presidente do Grupo Náutica também destacou que a abertura de novos mercados faz parte da estratégia dos estaleiros brasileiros há muitos anos. Ele lembrou que as exportações já alcançam diversos países e afirmou que os Estados Unidos, embora sejam o principal destino das embarcações nacionais, não representam o único mercado relevante para o setor.
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Segundo ele, as empresas que seguem padrões internacionais de qualidade continuarão encontrando oportunidades no exterior, independentemente das barreiras comerciais.
Embora reconheça a importância das exportações, Paciornik afirmou que sua principal preocupação está nas condições de competitividade da indústria dentro do próprio Brasil.
Segundo ele, o setor emprega mão de obra intensiva, movimenta uma ampla cadeia produtiva e ainda está em fase de crescimento. “O que não pode acontecer é criarmos dificuldades dentro da nossa própria casa”, afirmou.
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O executivo ressaltou que o volume exportado pela indústria náutica ainda é pequeno na balança comercial brasileira, mas possui relevância estratégica por demonstrar que os fabricantes nacionais conseguem disputar espaço com grandes marcas internacionais em igualdade de condições.
Outro tema abordado por Paciornik foi a preocupação com a possibilidade de incidência do imposto seletivo sobre embarcações de lazer.
Na avaliação dele, incluir os barcos entre produtos sujeitos à tributação voltada para itens considerados prejudiciais pode comprometer uma atividade que gera empregos e movimenta diversos segmentos da economia.
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O executivo também destacou os investimentos da indústria em embarcações movidas a hidrogênio, desenvolvidas em parceria com empresas e instituições de pesquisa. “O mais importante é cuidar do meio ambiente. Conseguimos mostrar que o hidrogênio é viável e que é possível navegar com emissão praticamente zero”, afirmou.
Ele acrescentou que fabricantes internacionais já apresentam protótipos de motores movidos a hidrogênio e que os motores elétricos também começam a ganhar espaço, reforçando o movimento de transição tecnológica do setor.
Apesar dos juros elevados e do cenário econômico mais desafiador, Paciornik disse manter uma visão otimista para o mercado náutico brasileiro.
Segundo ele, os salões náuticos realizados no Rio de Janeiro e em Itajaí registraram bom desempenho comercial, especialmente no segmento de embarcações maiores, indicando que ainda há demanda por produtos de lazer.
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“O barco gera emprego, movimenta toda a economia azul e reúne a família. O Brasil tem um enorme potencial náutico e acredito que a indústria continuará crescendo. Estamos produzindo embarcações de nível mundial e competindo de igual para igual com os grandes fabricantes internacionais”, concluiu.
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