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Veto russo ao diesel deve encarecer importações brasileiras

Publicado 03/08/2026 • 14:00 | Atualizado há 40 minutos

KEY POINTS

  • A restrição russa às exportações de diesel deve levar o Brasil a buscar fornecedores com preços mais altos.
  • A medida foi adotada para priorizar o abastecimento interno após danos à infraestrutura de refino da Rússia.
  • O Brasil deve redirecionar parte das importações para mercados tradicionais, como os Estados Unidos.

A extensão das restrições russas à exportação de diesel deve levar o Brasil a buscar outros fornecedores e pagar preços mais altos pelo combustível. A avaliação é de Luciano Losekann, coordenador do Grupo de Energia e Regulação da Universidade Federal Fluminense (GENER-UFF), em entrevista ao Real Time, do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, nesta segunda-feira (3).

Segundo o especialista, o Brasil ampliou, nos últimos anos, as compras de diesel russo devido aos descontos oferecidos após as sanções impostas à Rússia pela guerra na Ucrânia.

Com as restrições às exportações, os importadores brasileiros terão de redirecionar as compras para mercados tradicionais, como os Estados Unidos.

“O preço acaba sendo mais alto do que seria ao importar da Rússia. Isso impacta os agentes que importam o produto”, afirmou.

A Rússia estendeu as restrições à exportação de diesel e gasolina até 31 de janeiro de 2027. A partir de 1º de setembro, produtores russos poderão voltar a vender diesel ao exterior, mas a proibição continuará válida para intermediários.

Rússia prioriza abastecimento interno

Losekann explicou que a medida busca garantir o abastecimento do mercado doméstico russo. Parte da infraestrutura de refino do país foi danificada por ataques ucranianos, o que reduziu a produção disponível e pressionou os preços internos.

“A razão principal é o abastecimento do mercado interno. Com parte da infraestrutura fora de operação, o montante produzido não é suficiente para as exportações e para o atendimento do mercado doméstico”, disse.

Segundo ele, o governo russo decidiu priorizar o consumo interno e permitir exportações apenas quando houver segurança quanto à existência de excedentes.

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A redução das vendas russas também afeta o equilíbrio global da oferta de derivados, embora o impacto não seja direto nas decisões da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

Losekann explicou que as cotas do grupo se concentram na produção de petróleo bruto, enquanto a restrição russa envolve derivados e decorre de uma situação específica no sistema de refino do país.

Leia também: Brasil produz petróleo, mas falta capacidade para transformá-lo em combustível, diz especialista

Brasil deve retomar fornecedores tradicionais

O especialista afirmou que a Rússia não figurava historicamente entre as principais fornecedoras de derivados ao Brasil, em parte devido à distância geográfica. O fluxo comercial ganhou força após os descontos concedidos aos compradores dispostos a manter negócios com Moscou.

Com a nova restrição, a tendência é que o Brasil volte a ampliar as compras de fornecedores mais próximos e tradicionais.

“A resposta vai ser reorientar as importações para os fornecedores tradicionais, principalmente os Estados Unidos e outros países que, até pela proximidade geográfica, têm acesso ao mercado brasileiro”, avaliou.

O impacto inicial deve recair sobre as empresas importadoras, que perderão acesso ao diesel russo vendido com desconto e precisarão adquirir o combustível em mercados com preços mais elevados.

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