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Por que a Europa está de olho na Groenlândia em meio às ameaças de Trump

Publicado 13/09/2026 • 08:30 | Atualizado há 48 minutos

KEY POINTS

  • A localização da Groenlândia é estratégica para a defesa do Ártico e para a ligação entre o Ártico e o Atlântico.
  • A ilha possui minerais críticos e pode receber investimentos europeus em energia renovável, cabos submarinos e outros setores.
  • A UE busca ampliar sua presença na região diante das disputas envolvendo Estados Unidos, Rússia e China e fortalecer a parceria com a Groenlândia e a Dinamarca.
Groenlândia Janus Henderson

Foto: Scopio

Entenda por que a Groenlândia é estratégica para a Europa

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, viaja neste domingo a Nuuk, capital da Groenlândia, em meio ao aumento das tensões geopolíticas no Ártico e à pressão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por maior controle sobre o território.

A visita, acompanhada pela primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, busca ampliar o apoio financeiro e diplomático europeu à ilha e reforçar a presença da União Europeia em uma região considerada estratégica para segurança, infraestrutura e acesso a minerais críticos.

A viagem ocorre em um momento de mudanças na relação entre os países do Atlântico Norte. A Groenlândia é um território autônomo da Dinamarca e ocupa uma posição estratégica entre o Ártico e o Atlântico. Para a Europa, a aproximação também representa uma tentativa de ampliar a cooperação com parceiros do norte diante das novas disputas geopolíticas.

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Segurança no Ártico

De acordo com a CNBC, um dos principais motivos para o interesse europeu está na posição da Groenlândia. A ilha fica próxima de rotas e áreas marítimas importantes para a ligação entre o Ártico e o Atlântico.

A chamada lacuna GIUK, passagem estratégica formada pela Groenlândia, Islândia e Reino Unido, conecta as duas regiões e ocupa um espaço relevante nas discussões de segurança. O aumento das atividades de Rússia e China no Ártico ampliou a atenção sobre esse corredor.

Segundo Kristina Spohr, professora do Departamento de História Internacional da London School of Economics, a região enfrenta um cenário de instabilidade que envolve atividades russas e chinesas, além de questões relacionadas à segurança marítima.

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A preocupação europeia não se limita à Groenlândia. O movimento faz parte de uma discussão mais ampla sobre como os países do norte podem trabalhar juntos em defesa e segurança.

Minerais e infraestrutura

A importância da Groenlândia também está ligada ao potencial econômico do território. A ilha possui minerais considerados essenciais e pode receber novos investimentos europeus em áreas estratégicas.

O pacote de financiamento da União Europeia para 2026 e 2027 pode chegar a 200 milhões de euros, segundo o Financial Times, citado pela CNBC. Entre os setores que podem receber recursos estão minerais críticos, energias renováveis e cabos submarinos.

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A presença europeia na Groenlândia, porém, não começou agora. Em março de 2024, Von der Leyen inaugurou um escritório da Comissão Europeia em Nuuk, estabelecendo uma presença permanente do bloco no território. Na mesma ocasião, foram assinados acordos de cooperação avaliados em quase 94 milhões de euros.

A estratégia envolve ainda educação, pesca e turismo sustentável. De acordo com o comissário europeu Jozef Síkela, a União Europeia já investiu centenas de milhões de euros em programas ligados ao Ártico.

Uma aproximação além da economia

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O interesse europeu pela Groenlândia ganhou uma dimensão ainda maior diante das ameaças de Trump. O presidente americano defende há anos que os Estados Unidos tenham controle sobre a ilha e chegou a afirmar que não descartaria o uso da força militar para anexá-la.

Em janeiro, porém, Trump anunciou uma estrutura para um possível acordo envolvendo o território, após conversas com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte. Desde então, representantes dos Estados Unidos, da Dinamarca e da Groenlândia passaram a discutir os próximos passos.

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Nesse cenário, a visita de Von der Leyen funciona também como uma demonstração de apoio à Groenlândia e à Dinamarca. Para Bruxelas, ampliar os investimentos e a cooperação pode ser uma forma de fortalecer seus vínculos com a região sem se limitar à disputa sobre o controle territorial.

A ideia de uma “vizinhança do norte”

A aproximação com a Groenlândia também está relacionada a uma mudança na forma como a União Europeia enxerga seu entorno estratégico.

O pesquisador Andreas Raspotnik, do Arctic Institute, afirmou que Bruxelas começa a discutir uma possível “vizinhança do norte”. A ideia amplia o olhar europeu para parceiros que não fazem parte da União Europeia, mas possuem importância estratégica para o bloco.

Nesse grupo estariam países e territórios como Islândia, Canadá, Reino Unido e Groenlândia. A proposta ganha relevância diante da necessidade de coordenar políticas de defesa, infraestrutura e resiliência econômica em uma região cada vez mais disputada.

A Groenlândia, portanto, ocupa uma posição central nessa estratégia. Sua localização, a proximidade com importantes áreas marítimas e o potencial de seus recursos naturais fazem da ilha um ponto de interesse para a Europa em diferentes frentes.

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Por que a Groenlândia importa para a Europa

A disputa em torno da Groenlândia não envolve apenas território. Para a União Europeia, a ilha reúne questões de segurança, infraestrutura, recursos naturais e influência geopolítica.

A aproximação de Bruxelas ocorre justamente quando o Ártico ganha importância nas relações entre grandes potências. Ao ampliar sua presença em Nuuk e oferecer novos investimentos, a União Europeia busca fortalecer sua relação com a Groenlândia e com a Dinamarca.

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A visita de Von der Leyen ocorre, assim, em um momento em que o bloco tenta definir qual será seu papel no norte. Mais do que uma parceria econômica, a relação com a Groenlândia passa a fazer parte de uma estratégia europeia para lidar com as transformações no Ártico e no Atlântico Norte.

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