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Logística da fuga de Flávio Bolsonaro envolveu ajuda dos EUA, três jatos e carros-isca, diz jornal argentino Clarín

Publicado 31/10/2026 • 14:45 | Atualizado há 54 minutos

KEY POINTS

  • Clarín diz que fuga de Flávio Bolsonaro teve agentes dos EUA no aeroporto de Puerto Iguazú e ao menos três jatos de reserva
  • Van branca serviu de isca, família chegou uma hora antes e seis carros saíram da residência em Brasília, segundo o jornal
  • Democratas enviam perguntas a Marco Rubio e cobram resposta até 13 de novembro sobre atuação dos EUA na fuga
O candidato de direita derrotado no Brasil, Flávio Bolsonaro, desembarcou hoje de um avião particular na Flórida, apesar de uma ordem judicial que o proíbe de deixar seu país. A aeronave pousou no Aeroporto Executivo Opa-Locka, nos arredores de Miami, depois de voar da Argentina com escala no Equador, enquanto especulações sobre seu paradeiro circulavam há dias.

RICARDO ARDUENGO/AFP

Flávio Bolsonaro desembarca de um avião após chegar ao Aeroporto Executivo Opa-Locka, em Miami, Flórida, em 28 de outubro de 2026.

Uma van branca de vidros escurecidos, filmada por câmeras de TV quase à meia-noite de terça-feira (27) no aeroporto de Puerto Iguazú, na Argentina, serviu de isca, segundo o jornal argentino Clarín. A saída de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos teria ocorrido por outra entrada, com apoio de agentes americanos, conforme reportagem publicada na sexta-feira (30).

O texto sobre a logística da fuga é assinado por Nicolás Wiñazki. Flávio perdeu o segundo turno da eleição presidencial no domingo (25) e chegou a Miami na quarta-feira (28).

Leia também: Marco Rubio afirma que EUA não teve envolvimento na fuga de Flávio Bolsonaro do Brasil

Fuga de Flávio Bolsonaro teve van branca como isca

Na terça-feira, as câmeras mostraram a van chegando ao aeroporto, e todos acreditaram que o candidato derrotado e a família estavam lá dentro. A decolagem quase imediata do jato Gulfstream IV, matrícula LV-JQW, com destino a Miami, reforçou essa impressão.

Segundo o Clarín, porém, a família Bolsonaro havia chegado uma hora antes, em um veículo cujos movimentos teriam sido organizados por agentes dos Estados Unidos. O carro teria entrado na pista por uma entrada secreta, à qual ninguém prestou atenção.

Agentes dos EUA assumiram parte do aeroporto

De acordo com o relato, enviados do exterior afastaram os integrantes da Polícia de Segurança Aeroportuária (PSA) e os funcionários da Imigração e da Alfândega da Argentina. Eles coordenaram os trâmites e garantiram o embarque da família no LV-JQW. A aeronave só foi autorizada a decolar 40 minutos depois.

O Clarín afirma que a intervenção americana em território argentino foi mais ampla do que se imaginava. Segundo o jornal, os agentes controlaram por um período boa parte do aeroporto de Iguazú.

Além disso, o presidente argentino, Javier Milei, teria ordenado que seu principal assessor, Santiago Caputo, viajasse de forma confidencial a Misiones para garantir o que fosse necessário ao plano.

Jatos e carros foram mobilizados como alternativas

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O plano incluiu a contratação de pelo menos três, talvez quatro, jatos particulares de alto custo operacional. Eles sobrevoaram a região, pousaram em Misiones ou ficaram posicionados como saídas alternativas, um deles no Paraguai, caso o plano original falhasse.

Segundo o Clarín, os jatos chegaram a voar ao mesmo tempo para os Estados Unidos, o que dificultava saber em qual deles a família viajava. Também foram mobilizadas caminhonetes e carros com placas capazes de evitar bloqueios no Brasil e na Argentina.

O jornal acrescenta que o governo de Donald Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmaram publicamente, antes da decolagem, que os Bolsonaro já haviam fugido. De acordo com o Clarín, isso não era verdade, e a declaração fez parte de manobras de distração divulgadas ou plantadas para proteger o plano real, conhecido por poucos organizadores.

Bolsonaros foram de Brasília a Foz do Iguaçu por terra

Fontes dizem que a família viajou por terra, cerca de 1,6 mil km, de Brasília a Foz do Iguaçu, na fronteira com Puerto Iguazú. Flávio havia alugado um jato particular para ir até a tríplice fronteira, mas o proprietário se recusou a cumprir o contrato, porque a imprensa divulgou que ele tinha a obrigação de não sair do Brasil.

A viagem teve “iscas”. Seis veículos saíram, um atrás do outro, da residência da família em Brasília.

Ainda há perguntas sem resposta, principalmente sobre o papel dos governos da Argentina e dos Estados Unidos.

Democratas cobram respostas de Rubio sobre fuga

A falta de transparência da operação e a interferência de uma potência estrangeira em territórios do Brasil e da Argentina levaram deputados do Partido Democrata a enviar perguntas ao secretário de Estado, Marco Rubio. Flávio é um líder político com restrições para deixar o país.

Os parlamentares querem saber se houve ajuda da Casa Branca e se funcionários americanos atuaram no Brasil, na Argentina ou no Equador, onde o avião fez escala a caminho de Miami. Rubio deve responder em novembro.

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