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“A decisão eu tomei sem que ninguém soubesse”, diz Flávio Bolsonaro em primeira live após saída do Brasil

Publicado 30/10/2026 • 21:42 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Flávio Bolsonaro afirmou que deixou o Brasil após decisão de Alexandre de Moraes que determinou a entrega de seus passaportes e restringiu viagens ao exterior.
  • Durante transmissão dos Estados Unidos, o senador anunciou apoio a Rogério Marinho para a presidência do Senado, cuja eleição está prevista para fevereiro de 2027.
  • Flávio prometeu manter a articulação da oposição a partir do exterior e convocou apoiadores a mobilizar parlamentares em torno da candidatura de Marinho.

Foto: Reprodução

Em primeira live após chegar nos Estados Unidos, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que decidiu fugir do Brasil para continuar se manifestando politicamente e anunciou apoio a Rogério Marinho (PL-RN) para a presidência do Senado. Derrotado na eleição presidencial, ele apresentou a saída do país como uma reação à decisão judicial que determinou a entrega de seus passaportes e proibiu sua viagem ao exterior.

Ao reconstruir os acontecimentos, Flávio contou que visitou o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, na manhã de segunda-feira (26), por cerca de 30 minutos. Segundo o relato, agentes da Polícia Federal estavam na saída da residência para comunicá-lo de uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). “Era lá a apreensão dos meus passaportes e a vedação de eu sair do Brasil”, disse.

Leia também: Veja a cronologia da saída de Flávio para os Estados Unidos

O parlamentar disse que a conversa com o pai, após a intimação, pesou em sua decisão. “Não foi fácil sair do seu país para continuar pelo menos tendo uma voz relativa”, afirmou. Ele declarou estar acompanhado da esposa, Fernanda, e das duas filhas.

“A decisão eu tomei junto com a minha esposa, sem que ninguém soubesse, até porque se soubesse a chance de dar errado seria maior, então de verdade, não escolham, não apontem o dedo para ninguém, não tem ninguém que é responsável pelo que aconteceu, com relação a minha saída.”

Decisão após visita ao pai e ordem de Moraes

Na live, Flávio também contestou o resultado das eleições, usando a expressão “gols de mão” para insinuar irregularidades, sem apresentar provas. Afirmou que pretende tratar dessas suspeitas em outra ocasião. Ao atacar o Judiciário, acusou integrantes das instituições de perseguição e atuação político-partidária — alegações feitas pelo senador, não fatos demonstrados na transmissão.

Ele mencionou ainda a investigação relacionada a contas bancárias de um amigo e disse que seus advogados adotarão providências jurídicas. Ao criticar a ordem de Moraes, afirmou ter interpretado a medida como sinal de que poderia sofrer novas restrições: “Eu dei um passo atrás pra dar dois pra frente”.

Leia também: Flávio Bolsonaro chega a Miami em jato particular após deixar o Brasil sem entregar passaportes

A saída do Brasil ocorreu após determinação do STF que proibiu Flávio de viajar ao exterior e ordenou a entrega de seus documentos. O senador chegou a Miami na quarta-feira (28), acompanhado da família, depois de passar pela Argentina. O descumprimento da ordem judicial é parte do contexto que cerca a viagem.

Senador promete manter atuação a partir dos EUA

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Ao falar sobre os próximos passos, o senador afirmou que pretende retomar a comunicação frequente com seus seguidores e exercer influência sobre a oposição mesmo à distância. “Eu saí pelo Brasil”, declarou, acrescentando que não considera a viagem um sinal de fraqueza.

Rogério Marinho vira aposta para comando do Senado

Flávio apontou o Congresso Nacional, especialmente o Senado, como principal frente de atuação de seus aliados. “A nossa trincheira neste momento será o Congresso Nacional, em especial o Senado Federal”, afirmou. Na sequência, anunciou: “A pessoa que eu vou indicar é o Rogério Marinho pra presidência do Senado Federal”.

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O senador pediu aos apoiadores que cobrem dos parlamentares votos para Marinho na eleição da Mesa do Senado. Segundo ele, a escolha seria uma maneira de organizar a resistência ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Críticas a Lula e promessa de mobilização

Para Flávio, a política econômica do próximo mandato de Lula enfrentará dificuldades, independentemente das medidas adotadas. Ele afirmou acreditar que o governo terá de escolher entre ajustes que não deseja implementar e o cumprimento de promessas que, em sua visão, agravariam as contas públicas. As previsões foram apresentadas como opinião política, sem dados econômicos na transmissão.

Na avaliação do senador, permanecer no Brasil reduziria sua capacidade de atuação política e o transformaria em mais uma voz “calada e censurada”. Para justificar a decisão, ele fez uma comparação com o pai, Jair Bolsonaro, que também deixou o país após a derrota nas eleições de 2022 para Lula.

No encerramento, o senador pediu que os apoiadores permaneçam mobilizados e prometeu voltar a fazer transmissões. “Não acabou o jogo, vamos continuar lutando”, disse. Também criticou o que descreveu como negociações envolvendo a situação jurídica do pai, sem detalhar evidências dessas supostas tratativas.

“Qualquer coisa que aconteça eu vou estar aqui, pronto, inclusive se for preciso para disputar a presidência da República de novo”, disse.

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