Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no
Guerra afasta mulheres da maternidade e ameaça futuro econômico de Rússia e Ucrânia
Publicado 24/02/2026 • 07:19 | Atualizado há 1 hora
EXCLUSIVO: Uber adquire aplicativo de estacionamento SpotHero para expandir ecossistema
Trump exige demissão na Netflix em meio à disputa pela compra da Warner
EXCLUSIVO: Setor varejista dos EUA diz que reversão de tarifas de Trump trará previsibilidade e flexibilidade para inovação
EXCLUSIVO: Reembolso de tarifas ilegais de Trump pode custar R$ 906 bi e gerar “bagunça” logística nos EUA
Democratas buscam forçar reembolsos após Suprema Corte bloquear tarifas de Trump
Publicado 24/02/2026 • 07:19 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
Foto de Serhii Okunev / AFP
Equipes de resgate ucranianas caminham ao lado de uma estação ferroviária gravemente danificada na cidade de Fastiv, região de Kyiv, após um ataque aéreo, em 6 de dezembro de 2025, em meio à invasão russa da Ucrânia.
Quatro anos de guerra entre Rússia e Ucrânia começam a cobrar seu preço na demografia dos países, já que o conflito afasta mulheres – ou as impede – de iniciar ou aumentar suas famílias.
Por mais que os efeitos dessa hesitação generalizada em ter filhos possam não ser imediatamente visíveis, a queda na taxa de natalidade pode ter consequências amplas para economias e sociedades mais adiante.
Desde que a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia começou em 24 de fevereiro de 2022, a taxa de fecundidade da Ucrânia – o número médio de nascimentos por mulher – despencou, agravada pela guerra, pela perda de parceiros e cônjuges nos combates, pela separação de famílias e pela emigração em massa.
Leia também: Ucrânia impõe maior recuo à Rússia em 30 meses e recupera território estratégico
Em 2021, a taxa total de fecundidade da Ucrânia era de 1,22, mas desde então caiu para 1,00 em 2025, segundo dados populacionais das Nações Unidas. Alguns citam um indicador ainda mais preocupante: a primeira-dama da Ucrânia, Olena Zelenska, alertou em dezembro que a taxa de fecundidade do país havia despencado para 0,8–0,9 filho por mulher, com a guerra e a insegurança em todo o território ucraniano provocando esse “declínio crítico”.
Para que uma sociedade consiga repor sua população de uma geração para outra, sem depender da migração, é necessária uma taxa total de fecundidade de 2,1 filhos por mulher.
A Rússia também vem registrando uma tendência de queda de longo prazo em sua taxa de fecundidade, agravada pela guerra. Em 2021, a taxa russa era de 1,51, mas em 2025 caiu para 1,37 filho por mulher, abaixo dos 1,4 registrados no ano anterior.
Ucrânia e Rússia não estão sozinhas ao enfrentar a queda da fecundidade e das taxas de natalidade, a tendência é observada em vários países da Europa e da Ásia, e as reduções podem decorrer de diversos fatores, desde escolhas de carreira e estilo de vida até restrições econômicas.
Mas quatro anos de guerra parecem ter desempenhado papel importante ao desencorajar ou impedir mulheres na Ucrânia de terem filhos, enquanto na Rússia as mulheres parecem resistentes aos repetidos apelos do Kremlin e do presidente Vladimir Putin para que tenham famílias maiores.
A queda das taxas de natalidade cria grandes problemas para os países, pois provoca efeitos em cadeia na economia e na sociedade: menos nascimentos significam menos trabalhadores no futuro, além de menor produtividade e crescimento econômico.
Isso implica menor arrecadação tributária para os governos e pressão adicional sobre sistemas de aposentadoria e saúde, à medida que a população envelhece e passa a depender de uma força de trabalho cada vez menor.
Leia também: Ucrânia e Rússia retomam negociações em Genebra sob pressão dos EUA
Embora a queda da fecundidade e da natalidade, número de nascidos vivos por mil habitantes a cada ano, já estivesse em curso antes da guerra, a invasão russa piorou ainda mais a situação, disse à CNBC Iryna Ippolitova, pesquisadora sênior do Centro de Estratégia Econômica, com sede em Kyiv.
“Claro que, em 2022, a situação ficou ainda pior por causa dessa migração massiva e porque a maioria dos que deixaram a Ucrânia eram pessoas em idade ativa, economicamente ativas”, observou, acrescentando:
“Muitas mulheres que teoricamente poderiam ter filhos foram embora, e, para aquelas que ficaram, a guerra e a incerteza significaram que não estavam preparadas para dar à luz na Ucrânia, e o número de nascimentos continua caindo.”
Mesmo que negociações de paz avancem e a guerra termine, disse Ippolitova, a migração para fora da Ucrânia pode continuar, enquanto os que permanecerem no país podem evitar formar famílias se temerem uma nova invasão russa. Esse seria outro motivo, segundo ela, para que a Ucrânia precisasse de garantias de segurança como parte de qualquer acordo de paz.
Embora tendências de fecundidade sejam notoriamente difíceis de prever, e surtos de nascimentos frequentemente ocorram após o fim de guerras, Ippolitova afirmou que a baixa taxa atual ainda pode prejudicar a economia ucraniana no futuro.
Escolas e universidades já começam a registrar queda no número de alunos, sinalizando uma população em idade ativa menor adiante.
“Acho que isso é um problema enorme. Já temos escassez de mão de obra agora, e depois da guerra só vai piorar… Em 10 ou 15 anos, quando pessoas da minha idade se aposentarem, não haverá ninguém para substituí-las no mercado de trabalho”, disse.
Apesar de ser a parte ferida e invadida na guerra, a Ucrânia não está sozinha na queda do número de nascimentos. A Rússia observa a mesma tendência há várias décadas, apesar de Putin promover famílias maiores como um “valor tradicional russo” e um dever patriótico.
O Estado russo introduziu incentivos para mulheres com três ou mais filhos, incluindo pagamentos únicos, benefícios fiscais e auxílios governamentais. O Kremlin chegou a retomar o prêmio soviético “Mãe Heroína”, concedendo às mulheres uma recompensa em dinheiro de 1 milhão de rublos (cerca de US$ 13 mil) por terem 10 ou mais filhos.
Ainda assim, há resistência a esses incentivos: a Rússia registrou 1,222 milhão de nascimentos em 2024, o menor total anual desde 1999.
Em dezembro, Putin afirmou em sua coletiva anual de fim de ano que a taxa de fecundidade estava em 1,4 em 2025 (o número real era 1,374) e sugeriu que a Rússia precisava de um boom de nascimentos.
“Também temos um pequeno declínio [na taxa de fecundidade] — aproximadamente 1,4. Precisamos alcançar pelo menos 2,0”, disse Putin durante sua “Linha Direta” anual, afirmando ao público que “devemos tornar a felicidade da maternidade e da paternidade algo na moda”.
Críticos dizem que a posição de Putin sobre a baixa fecundidade do país se resume mais a controle social do que a preocupações demográficas.
Leia também: Rússia anuncia tomada de doze vilarejos no leste da Ucrânia em fevereiro
“Acredito firmemente que os esforços do regime de Putin para redobrar o incentivo a nascimentos não têm relação com tendências demográficas. Isso tem tudo a ver com controle social”, disse à CNBC Konstantin Sonin, professor de Serviço Distinto John Dewey da Harris School of Public Policy, da Universidade de Chicago.
“[As autoridades russas] querem mulheres em casa, querem mulheres com filhos. Querem que os homens se preocupem com as mulheres, não com política”, afirmou Sonin, crítico proeminente de Putin.
A CNBC procurou o Kremlin para comentar as declarações e aguarda resposta.
Sonin argumentou que Putin já demonstrou não se importar com a demografia ao iniciar a guerra contra a Ucrânia, já que o conflito causou instabilidade econômica, escassez de mão de obra e inflação.
Os esforços do Kremlin para estimular mais nascimentos fracassaram, disse Sonin, porque mulheres na Rússia não se sentem seguras, sendo a baixa taxa de natalidade prova direta disso e desmontando, na prática, imagens positivas do país e da guerra promovidas pela Rússia e pela mídia estatal.
“Há coisas mais importantes para qualquer mulher, para qualquer família jovem, do que simplesmente quanto dinheiro receberão do Estado em transferência direta. O que importa para elas é a sensação geral de segurança. E isso não existe na Rússia”, afirmou.
“A qualidade de vida caiu desde o início da guerra. Centenas de milhares de jovens morreram por causa do conflito, então as pessoas de repente se sentem muito menos seguras do que se sentiam em outras circunstâncias.”
🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais
🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562
🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube
🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings
Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
Mais lidas
1
Banco Master: BC já liquidou oito instituições ligadas ao grupo; entenda o caso
2
Da emoção ao ativo: o macaquinho rejeitado que fez venda de pelúcia disparar em vários países
3
Relatório aponta distorções bilionárias e crise de liquidez na Patria Investimentos; Fundo nega
4
Top 100: os cargos com os maiores salários no estado de SP em 2025
5
Raízen: saiba mais sobre empresa e os riscos de uma possível recuperação judicial