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Guerra no Oriente Médio pode travar queda da inflação global, diz Durigan em reunião do FMI
Publicado 16/04/2026 • 18:11 | Atualizado há 6 meses
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Publicado 16/04/2026 • 18:11 | Atualizado há 6 meses
KEY POINTS
Foto: Agência Brasil
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, alertou para os efeitos da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã sobre a economia global. A avaliação consta em posicionamento enviado pelo Brasil ao Comitê Monetário e Financeiro Internacional (IMFC), durante as reuniões de primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI), em Washington.
No documento, Durigan afirmou que a escalada do conflito ocorre em um momento delicado para a economia mundial, que começava a se estabilizar após uma sequência de choques relevantes. Segundo ele, o novo cenário tende a pressionar a inflação, reduzir crescimento e aumentar o risco de estagflação — combinação de inflação alta, desemprego elevado e crescimento econômico estagnado — em diferentes países.
“O aumento dos preços de energia e alimentos tende a corroer a renda real, reduzir o consumo e dificultar os processos de desinflação em curso”, disse.
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De acordo com o ministro, o FMI já revisou para baixo a projeção de crescimento global, enquanto a inflação tende a subir, refletindo efeitos diretos e indiretos da guerra com o Irã. Na avaliação dele, a combinação entre atividade mais fraca e pressões inflacionárias crescentes torna a condução da política econômica mais complexa.
“A combinação de crescimento mais fraco e pressões inflacionárias ascendentes suscita preocupações quanto a dinâmicas de estagflação mundo afora e evidencia a crescente complexidade da política econômica”, afirmou.
Durigan também destacou que o choque tem efeitos desiguais e tende a atingir com mais força economias de baixa renda e países importadores de energia. No texto, ele cobrou apoio das economias avançadas às nações mais vulneráveis e às populações em situação de maior necessidade.
“Manifestamos preocupação de que o choque atual possa acarretar consequências particularmente graves para os mais pobres”, disse.
O posicionamento assinado por Durigan representa um grupo de países no FMI, formado por Brasil, Cabo Verde, República Dominicana, Equador, Guiana, Haiti, Nicarágua, Panamá, Suriname, Timor-Leste e Trinidad e Tobago.
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Siga o Times | CNBCSegundo o ministro, os riscos para as perspectivas econômicas se intensificaram na direção negativa. Ele afirmou que, se a guerra se prolongar ou se espalhar pela região, as disrupções no mercado de energia devem persistir e contaminar outras cadeias relevantes, como fertilizantes e alimentos, com efeitos adicionais sobre inflação e condições financeiras.
Durigan também citou o risco de uma crise de refugiados em larga escala, com potencial de gerar efeitos desestabilizadores em várias regiões. Para ele, uma nova escalada agravaria marcas ainda abertas de choques anteriores.
O ministro afirmou ainda que muitos países operam com espaço fiscal limitado e baixa capacidade de absorver novos choques. Ao mesmo tempo, avaliou que o sistema global de comércio segue fragilizado e sujeito a maior fragmentação geoeconômica.
Nesse contexto, ele defendeu a adoção de políticas macroeconômicas contracíclicas, quando houver espaço e viabilidade, como forma de mitigar os impactos da guerra.
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Segundo Durigan, o cenário exige renovação do compromisso com a cooperação econômica global e com o multilateralismo. Ele acrescentou que o Brasil e os demais países do grupo apoiam a recomendação do FMI para que bancos centrais calibrem com cuidado a resposta ao choque de preços de energia, diante da dificuldade de separar efeitos temporários e persistentes.
“A política monetária deve ser adequadamente calibrada e claramente comunicada, de modo a preservar a credibilidade, ancorar expectativas e minimizar o repasse de choques de oferta à inflação”, afirmou.
Durigan defendeu que o FMI acompanhe de perto os efeitos da guerra sobre a segurança energética e alimentar. “O FMI deve permanecer forte, ágil e adequadamente equipado”, concluiu.
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