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Imprevisibilidade de Trump amplia risco para mercados em crise com o Irã
Publicado 10/07/2026 • 10:00 | Atualizado há 52 minutos
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Publicado 10/07/2026 • 10:00 | Atualizado há 52 minutos
KEY POINTS
A imprevisibilidade da política externa de Donald Trump aumenta o risco para mercados, investidores e países em meio à nova escalada de tensão entre Estados Unidos e Irã, afirmou Ricardo Luigi, professor da UFF e especialista em Geografia e Relações Internacionais.
Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Luigi disse que o governo americano tem acrescentado instabilidade a um cenário que já era marcado por alta incerteza no Oriente Médio.
“Os Estados Unidos e o governo Donald Trump acabam acrescentando ainda mais imprevisibilidade a um cenário de bastante imprevisibilidade”, afirmou.
A tensão voltou a crescer após novos ataques contra o território iraniano e o fim do cessar-fogo. O movimento elevou a preocupação com a segurança no Oriente Médio, o fluxo de petróleo e os reflexos para a economia global.
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Segundo Luigi, o padrão de atuação de Trump no exterior tem sido marcado por avanços e recuos, com decisões tomadas de forma intempestiva. Para ele, esse comportamento mantém os mercados sob estresse e amplia a volatilidade.
“Ninguém consegue lidar com tanta imprevisibilidade. Alguns podem ganhar nessa volatilidade, mas o problema é que essa volatilidade tem se tornado muito constante”, disse.
Apesar da retomada da tensão, o preço do Brent não voltou a romper patamares próximos de US$ 100 o barril. Na avaliação do professor, isso ocorre porque parte do conflito e dos riscos envolvendo o Irã já foi incorporada pelos mercados.
“Podemos dizer que, infelizmente, esse conflito já está precificado, e a própria atuação do governo americano também está precificada”, afirmou.
Luigi ponderou, no entanto, que a capacidade de adaptação dos mercados tem limite. Segundo ele, se as hostilidades continuarem, a pressão sobre contratos futuros de petróleo tende a aumentar e pode gerar impactos mais fortes sobre inflação e atividade econômica.
“Essa adaptação é temporária. Ela não sustenta mais a manutenção do conflito por um longo prazo”, disse.
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Siga o Times | CNBCO especialista afirmou que o Irã ainda se recupera dos ataques anteriores e permanece desorganizado internamente. Para ele, não está claro o grau de coordenação do governo iraniano sobre novas ações militares, o que reforça a instabilidade do quadro.
Luigi também disse que há interesse dos dois lados em evitar uma prolongação do conflito, justamente pelos custos econômicos e sociais. Ele citou os efeitos potenciais sobre inflação no Irã, nos Estados Unidos e no Brasil.
“As populações têm sofrido isso. A gente vê a dificuldade do governo brasileiro de controlar a inflação. Imaginem como estão o governo iraniano e o governo americano, diretamente envolvidos no conflito”, afirmou.
Questionado sobre a credibilidade de Trump ao dizer que o Irã teria entrado em contato para retomar negociações, Luigi afirmou que é difícil confiar nas declarações do presidente americano neste momento.
“É difícil acreditar nas falas do governo Trump”, disse.
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Para o professor, a previsibilidade é um dos princípios centrais da política internacional, mas a condução do governo americano tem seguido o caminho oposto. Segundo ele, falta planejamento de curto, médio e longo prazo.
“Parece que o governo Donald Trump tem se movimentado sempre pelo assunto da hora, de uma forma a acompanhar os calores do momento”, afirmou.
Luigi avaliou ainda que a doutrina americana de “paz pela força” tem se inclinado mais para o uso da força do que para a construção de estabilidade. Para ele, isso aumenta os riscos geopolíticos e econômicos.
“A gente continua esperando quando isso vai tender mais para a paz do que para a força”, disse.
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