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Prazo para tarifas dos EUA contra o Brasil entra na reta final; economista avalia impactos
Publicado 09/07/2026 • 09:46 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 09/07/2026 • 09:46 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
Foto: Magnific
O prazo final para o governo dos Estados Unidos definir a imposição de novas tarifas punitivas contra o Brasil termina no dia 15 de julho. A medida, conduzida via sessão 301 propõe sobretaxas de 25% sobre produtos brasileiros. Caso sejam confirmadas, as medidas podem atingir cerca de US$ 14,9 bilhões em produtos brasileiros, incluindo madeira, etanol, ferro e granito.
Para o economista e doutor em Relações Internacionais Igor Lucena, a estratégia adotada pelo presidente Donald Trump é diferente daquela utilizada no início do mandato. Segundo ele, após a Suprema Corte dos Estados Unidos limitar o uso do argumento de segurança nacional para justificar tarifas comerciais, a Casa Branca passou a recorrer aos mecanismos previstos na Seção 301 para dar respaldo legal às medidas.
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Lucena afirma que, desta vez, o governo americano também selecionou de forma mais criteriosa os produtos atingidos. Itens como café, suco de laranja, algumas carnes e autopeças ficaram de fora da lista para evitar impactos diretos sobre a inflação e o consumidor americano.
“O governo percebeu que tarifas indiscriminadas acabam elevando os preços nos Estados Unidos. Por isso, alguns produtos estratégicos foram excluídos”, explica.
Apesar disso, o economista avalia que diversos setores da economia americana ainda serão afetados pelas tarifas, já que muitas indústrias dependem de insumos produzidos no Brasil.
Nesse contexto, Lucena considera estratégica a atuação do governo brasileiro ao mobilizar empresas e associações americanas contrárias às sobretaxas. Segundo ele, essas companhias alertam que a medida aumentaria seus custos de produção e poderia prejudicar a competitividade da indústria dos Estados Unidos.
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Siga o Times | CNBCNa avaliação do especialista, a pressão dessas empresas pode influenciar a decisão final da Casa Branca, principalmente porque elas exercem forte influência política junto ao Congresso americano, especialmente às vésperas das eleições legislativas de meio de mandato.
“É possível que as tarifas sejam mantidas, mas que a lista de exceções seja ampliada ou até que as alíquotas sejam reduzidas”, afirma.
Sobre os argumentos utilizados pelos Estados Unidos na investigação comercial, Lucena avalia que parte deles tem fundamento econômico, enquanto outros possuem caráter predominantemente político.
Um dos pontos citados é o Pix. Segundo o economista, sob a ótica americana, o sistema de pagamentos representa uma atuação direta do Estado em um mercado tradicionalmente ocupado por empresas privadas, o que alimenta críticas de concorrência desleal por parte das operadoras de cartões.
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Já as alegações envolvendo desmatamento e trabalho análogo à escravidão são vistas por Lucena como justificativas de caráter mais político do que econômico. Para ele, problemas semelhantes podem ser encontrados em diversos países, inclusive nos próprios Estados Unidos.
Na avaliação do economista, o principal objetivo da política tarifária de Donald Trump é ampliar o poder de negociação dos Estados Unidos em temas estratégicos, como tributação de empresas de tecnologia, acesso a minerais críticos e outras concessões comerciais. Segundo ele, à medida que novos países passam a compreender essa estratégia, também aumentam as iniciativas para reagir às medidas americanas por meio de pressões políticas e econômicas.
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