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Irã diz que manterá Ormuz fechado até EUA cederem às exigências

Publicado 09/08/2026 • 07:40 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Irã confirma que Estreito de Ormuz permanecerá fechado até que os Estados Unidos aceitem as condições estabelecidas por Teerã.
  • República Islâmica exige retirada dos bloqueios contra portos iranianos, suspensão de sanções e pagamento de compensações pelos danos provocados durante a guerra.
  • Via marítima está sob forte restrição desde o início do conflito entre Irã, Estados Unidos e Israel, no fim de fevereiro.
Irã

AFP

As Guardas Revolucionárias do Irã afirmaram neste domingo (09) que o Estreito de Ormuz permanecerá fechado até que os Estados Unidos aceitem as condições estabelecidas por Teerã.

Entre as exigências estão o fim das ações militares contra o Irã e seus aliados, a retirada de medidas de bloqueio contra portos iranianos, a suspensão de sanções e o pagamento de compensações pelos danos provocados durante a guerra.

A passagem marítima, por onde normalmente circula uma parcela relevante do comércio mundial de petróleo, está sob forte restrição desde o início do conflito entre Irã, Estados Unidos e Israel, no fim de fevereiro. A redução do tráfego e os ataques contra embarcações aumentaram a pressão sobre as rotas de transporte na região.

Leia também: Irã apresenta lista de exigências e condiciona reabertura de Ormuz a retirada militar dos EUA na região

Teerã apresenta condições

O chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Mohammad Bagher Zolghadr, apresentou no sábado uma lista de exigências para a retomada da navegação. O documento inclui também a devolução de ativos iranianos bloqueados no exterior e o encerramento das sanções impostas por Washington. As autoridades iranianas também querem o fim das operações militares contra grupos aliados de Teerã no Líbano, na Palestina, no Iêmen e no Iraque.

No domingo, as Guardas Revolucionárias disseram que a estratégia é manter o estreito fechado até que todas as condições sejam aceitas pelos adversários. A organização passou a tratar a área como parte do conflito, e não apenas como uma rota marítima comercial.

O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que as conversas com Omã sobre a circulação de navios e a administração da passagem estão próximas de uma conclusão. Segundo ele, porém, qualquer decisão sobre a reabertura dependerá também de outras questões, incluindo compensações relacionadas à guerra.

Araghchi negou que Teerã esteja negociando diretamente com Washington. De acordo com o ministro, os dois países apenas trocam mensagens por meio de intermediários.

Leia também: Emirados Árabes afirmam que Irã atacou petroleiro no Estreito de Ormuz

Tráfego marítimo sofre nova redução

A circulação de embarcações pelo Estreito de Ormuz caiu significativamente desde o início das restrições iranianas. Teerã tem atacado navios que acusa de tentar evitar a rota que considera adequada dentro de suas águas.

No sábado, o Ministério das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos acusou o Irã de atingir com um míssil um petroleiro ligado à Abu Dhabi National Oil Company (ADNOC) enquanto navegava pelo estreito. Segundo o governo emiradense, não houve vítimas.

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Também no sábado, a UK Maritime Trade Operations, órgão britânico responsável pelo acompanhamento da segurança marítima, informou que uma embarcação foi atingida por um projétil nas proximidades de Omã. O incidente provocou um incêndio, posteriormente controlado, sem registro de mortos. Não ficou confirmado se os dois relatos se referiam ao mesmo navio.

O governo de Omã condenou os ataques contra embarcações que utilizam o estreito, sem atribuir formalmente a responsabilidade ao Irã. Ao mesmo tempo, afirmou que as negociações sobre as regras de navegação continuam e pediu que nenhuma ação comprometa o processo.

Leia também: Acordo sobre o Estreito de Ormuz entre Irã e Omã está próximo, diz agência iraniana

Disputa sobre o controle da passagem

Um acordo anterior entre Irã e Estados Unidos, que deveria servir de base para futuras negociações de paz, previa que Teerã e Mascate discutissem as regras para a navegação em Ormuz com outros países do Golfo.

O documento também estabelecia que essas regras deveriam respeitar o direito internacional. A cobrança de tarifas para a passagem por estreitos utilizados internacionalmente, no entanto, enfrenta restrições previstas nas normas internacionais de navegação.

A crise também se estendeu a outra rota marítima estratégica. No domingo, os rebeldes houthis, aliados do Irã no Iêmen, afirmaram ter atacado uma instalação de petróleo na costa saudita do Mar Vermelho. A Arábia Saudita informou que havia controlado um incêndio no local.

Leia também: Vance diz que EUA manterão pressão sobre Irã e usarão todas as ferramentas para encerrar guerra

Países discutem novo acordo de defesa

Paralelamente à crise no Golfo, Turquia, Arábia Saudita e Paquistão avançam na implementação de um acordo de defesa voltado à segurança regional. O ministro das Relações Exteriores turco, Hakan Fidan, afirmou no sábado que espera a entrada do Egito no entendimento.

Segundo Fidan, o Cairo seria um parceiro natural para a iniciativa, que, de acordo com os governos envolvidos, não é dirigida contra um país específico.

O pacto prevê que um ataque contra qualquer um dos países signatários seja tratado como uma agressão contra todos. O Ministério das Relações Exteriores do Paquistão afirmou que o objetivo é ampliar a capacidade de dissuasão coletiva na região.

A aproximação ocorre após um ataque com drone contra instalações americanas em um porto egípcio no Mediterrâneo, registrado no mês passado. O episódio foi o primeiro ataque desse tipo em território egípcio desde o início da guerra envolvendo o Irã.

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