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Capital Sustentável: Conflitos tiram clima da agenda global e ampliam pressão sobre energia, avalia Carlo Pereira

Publicado 23/09/2026 • 21:22 | Atualizado há 3 semanas

KEY POINTS

  • Carlo Pereira avalia que conflitos armados têm deslocado o clima das prioridades de governos e das principais cúpulas internacionais.
  • Carlo Pereira avalia que conflitos armados têm deslocado o clima das prioridades de governos e das principais cúpulas internacionais.
  • Especialista não vê contradição na exploração da Margem Equatorial, mas defende uso dos recursos para financiar a transição energética.

A multiplicação dos conflitos armados pelo mundo tem retirado espaço das discussões climáticas na agenda dos governos e das principais cúpulas internacionais, avaliou Carlo Pereira, notável do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. Para ele, a pressão provocada pelas guerras também amplia as incertezas sobre energia e comércio, especialmente diante das tensões no Oriente Médio.

No quadro Capital Sustentável desta quarta-feira (23), Carlo Pereira afirmou que os sinais recentes de abertura do Irã à diplomacia oferecem alguma perspectiva de redução das tensões, mas estão longe de eliminar os riscos. Segundo ele, Teerã continua condicionando uma negociação a questões estratégicas, entre elas o controle do Estreito de Hormuz.

“O Irã, nas últimas semanas, principalmente nos últimos dias, vem dizendo que está aberto à diplomacia, dizendo que quer negociar. Mas, ao mesmo tempo, colocou que não abre mão de alguns pontos, como, por exemplo, o controle de Hormuz”, explicou.

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Hormuz mantém pressão sobre energia

O Estreito de Hormuz permanece no centro das preocupações com o abastecimento global de energia, diz Carlo Pereira, porque cerca de 20% do petróleo mundial passa pela região. Uma eventual ampliação do controle iraniano sobre a passagem, portanto, teria repercussões que ultrapassariam o próprio conflito.

O especialista lembrou que a Arábia Saudita passou a desviar parte de sua produção por um oleoduto em direção ao oeste do país, reduzindo a dependência da passagem por Hormuz. A alternativa, entretanto, também enfrenta riscos por causa da instabilidade no Iêmen e da atuação dos houthis nas proximidades do Estreito de Bab el-Mandeb.

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“A gente ainda está naquele momento de bastante preocupação e muita volatilidade naquela região. Acho que ainda não tem nada para comemorar”, avaliou. Para ele, as declarações recentes em favor de uma saída diplomática oferecem “algum elemento de esperança”, mas o quadro permanece complicado.

Margem Equatorial não é contradição

Questionado sobre a exploração de petróleo na Margem Equatorial brasileira diante dos compromissos climáticos do país, Carlo disse não considerar contraditório o avanço da atividade após o Brasil ter sediado a COP30.

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“Eu não vejo ali uma contradição. É claro que é muito fácil a gente pensar que tem que reduzir o consumo de combustíveis fósseis. É, sem dúvida nenhuma, o principal agressor quando a gente pensa na crise climática”, disse.

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Ele ressaltou, porém, que a economia mundial ainda é fortemente dependente dos combustíveis fósseis, o que impede uma interrupção abrupta da produção. Segundo ele, o Brasil dispõe atualmente de reservas confirmadas equivalentes a cerca de 11 anos de produção de petróleo.

Nesse cenário, o especialista defendeu que os recursos obtidos com a exploração sejam direcionados também ao desenvolvimento e à transição energética. “A questão também é fazer um uso adequado desse petróleo para desenvolver a nossa população e utilizar esse petróleo também para a transição energética”, ressaltou.

Clima perde espaço nas grandes cúpulas

Enquanto a Assembleia Geral da ONU ocorre em Nova York, a cidade também recebe a Climate Week, com mais de mil eventos destinados a ampliar a pressão sobre líderes mundiais em torno da agenda climática. Carlo Pereira considera, entretanto, que o tema vem perdendo força diante da deterioração do cenário geopolítico.

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“Quando a gente olha o clima no G7, no G20, a gente vê que o tema desapareceu da pauta. Mas por quê? Porque a gente está num mundo conflagrado”, observou.

Na avaliação de Carlo Pereira, a quantidade de conflitos armados faz com que governos sejam pressionados por questões mais imediatas de segurança, energia e geopolítica, dificultando o avanço da pauta ambiental justamente quando os riscos climáticos continuam aumentando.

“A gente tem que, sem dúvida nenhuma, fazer esses temas avançarem, só que, ao mesmo tempo, sabe que governos estão sendo pressionados por outras coisas que não o clima”, concluiu. Para o especialista, essa combinação torna a discussão climática internacional ainda mais difícil em um momento de intensificação das tensões políticas globais.

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