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Juros fecham estáveis após sessão volátil, com mercado cauteloso sobre guerra

Publicado 02/04/2026 • 19:47 | Atualizado há 7 meses

KEY POINTS

  • Taxas oscilaram ao longo do dia e terminaram próximas da estabilidade, após forte volatilidade ligada ao petróleo.
  • Notícias sobre possível reabertura de Ormuz trouxeram alívio momentâneo, mas tensão geopolítica manteve cautela.
  • Discurso de Trump e risco de escalada da guerra limitaram apetite ao risco antes de feriado prolongado.
As taxas de juros futuras encerraram praticamente estáveis nesta quinta-feira (2), após um dia marcado por forte volatilidade, influenciado pela disparada do petróleo e pelas incertezas em torno do conflito no Oriente Médio.

As taxas de juros futuras encerraram praticamente estáveis nesta quinta-feira (2), após um dia marcado por forte volatilidade, influenciado pela disparada do petróleo e pelas incertezas em torno do conflito no Oriente Médio.

Ao longo do pregão, os contratos oscilaram intensamente: começaram em alta firme, chegaram a flertar com o terreno negativo no início da tarde, voltaram a subir e, na reta final, passaram a alternar entre leve alta e leve queda.

Por volta das 13h, a notícia de que o Irã trabalha com Omã em um plano para reabrir o Estreito de Ormuz trouxe alívio aos DIs, mas o movimento perdeu força rapidamente.

Na sequência, a curva voltou a indicar viés de alta, refletindo a leitura do mercado sobre o tom mais agressivo do presidente dos EUA, Donald Trump.

Na noite de quarta-feira, Trump ameaçou intensificar ataques contra o Irã nas próximas duas a três semanas, frustrando expectativas de uma sinalização de desescalada do conflito.

Além disso, a proximidade de um feriado prolongado e o risco de uma nova escalada militar reforçaram a postura defensiva dos investidores, reduzindo o apetite por risco.

No fechamento, o DI para janeiro de 2027 passou de 14,031% para 14,03%, enquanto o DI para janeiro de 2029 recuou de 13,673% para 13,63%. Já o DI para janeiro de 2031 caiu de 13,797% para 13,735%.

Apesar da estabilidade, o mercado manteve um viés mais negativo, com o avanço das tensões geopolíticas pressionando os preços de energia. O Brent para junho subiu quase 8%, a US$ 109,03 (R$ 573,5), após sinais de que os EUA podem intensificar a ofensiva militar.

Para Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, a expectativa é de que o conflito ainda dure cerca de um mês, o que deve manter abril como um período negativo para os ativos.

“O mercado imagina que daqui um mês essa situação acaba, mas abril ainda deve ser negativo, principalmente com possibilidade de novas ações no Irã”, afirmou. “Agora é questão de quando e onde os EUA vão agir”, acrescentou.

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O cenário também foi impactado por declarações do presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, que afirmou que 7 milhões de iranianos estão prontos para combater uma invasão terrestre dos EUA.

A fala veio após Trump declarar que os sistemas de mísseis e drones do Irã foram “drasticamente reduzidos”, além da destruição de infraestruturas militares.

Segundo Cruz, há ainda incerteza sobre quem detém o poder de decisão no Irã, após a morte do líder supremo Ali Khamenei, o que dificulta eventuais negociações.

“Hoje não sabemos quem tem poder para fechar um acordo com Trump”, disse, apontando que ao menos quatro lideranças iranianas se manifestam sobre o tema.

Para Marcos Praça, diretor de análise da Zero Markets, o movimento das taxas reflete um mercado essencialmente defensivo, mesmo após o alívio pontual com Ormuz.

“As taxas poderiam ter caído mais, mas com o feriado, os agentes preferem proteção. Voltamos praticamente ao mesmo nível de ontem”, afirmou.

Em uma semana mais curta e com o conflito entrando em seu segundo mês, as taxas devolveram apenas parte dos prêmios de risco acumulados desde o início da guerra.

Em relação à última sexta-feira, o DI para janeiro de 2027 recuou cerca de 30 pontos-base, enquanto os contratos para 2029 e 2031 caíram aproximadamente 40 pontos-base.

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