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Fed deve elevar juros até 2027 e depois interromper ciclo, diz Benjamin Mandel, ex-economista do banco central americano
Publicado 28/10/2026 • 18:19 | Atualizado há 46 minutos
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Publicado 28/10/2026 • 18:19 | Atualizado há 46 minutos
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O Federal Reserve (Fed) deve retomar a alta dos juros em dezembro e poderá promover outro aumento em março, antes de encerrar o ajuste monetário no primeiro semestre de 2027. A avaliação é de Benjamin Mandel, head de Research da Jubarte Capital e ex-economista do banco central americano, em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC nesta quarta-feira (28).
Para Mandel, a manutenção da taxa americana entre 3,75% e 4% ao ano não foi o principal acontecimento da reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc). “A coisa-chave nessa reunião não foi a decisão de manter os juros em si, foi a sinalização do que a gente podia esperar para as próximas reuniões”, afirmou.
O cenário da Jubarte Capital contempla um ajuste acumulado de 75 pontos-base, iniciado com a alta de setembro. “A gente está esperando mais uma alta em dezembro, talvez mais uma em março. E daí o comitê vai dar um passo para trás para esperar os efeitos dessa recalibração da política monetária”, explicou Mandel.
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O economista também comentou a proposta do presidente do Fed, Kevin Warsh, de reservar parte das oito reuniões anuais do banco central para debates estratégicos, em vez de decisões sobre a taxa de juros. Segundo Mandel, a iniciativa está alinhada ao estilo do dirigente, que prefere uma comunicação menos frequente com os mercados.
“Ele acredita muito no poder do mercado e não quer influenciar explicitamente os preços do mercado”, afirmou. Na avaliação do especialista, Warsh também pretende “colocar seu próprio carimbo na instituição”, inclusive por meio de grupos de trabalho sobre produtividade, preços e o balanço patrimonial do Fed.
Mandel manifestou preocupação com essa mudança de postura. “Comunicação cada vez mais opaca é ruim. Acho que mais comunicação é melhor, no modo geral”, disse. Ele lembrou que o banco central americano vinha ampliando a transparência nas últimas duas décadas: “O mercado gosta de previsibilidade, transparência, mas é o estilo dele, a gente tem que se adaptar”.
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Siga o Times | CNBCAo analisar os reflexos da política monetária americana sobre o Brasil, Mandel afirmou que a proximidade do fim do ciclo de altas nos Estados Unidos tende a reduzir o peso das condições financeiras internacionais sobre as decisões domésticas. “O Brasil vai voltar a ser bem mais idiossincrático, como sempre”, avaliou.
O ex-economista do Fed ressaltou que fatores internos devem ganhar importância nos próximos seis a nove meses. “A política monetária vai ficar menos relevante, em termos relativos, nos próximos seis a nove meses”, disse, ao se referir à influência das condições monetárias globais.
Para o cenário doméstico, Mandel antecipou uma sequência de revisões para cima nas projeções de inflação. Segundo ele, a mudança da jornada de trabalho associada ao fim da escala 6×1 poderia acrescentar entre 0,25 e 0,30 ponto percentual ao IPCA de 2027, enquanto o repasse do petróleo mais caro aos preços do varejo poderia adicionar cerca de 0,20 ponto.
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Somados a outros ajustes, esses fatores já representariam, conforme o economista, aproximadamente 0,5 a 0,6 ponto percentual em revisões de inflação para 2026 e 2027. A movimentação recente do câmbio poderia acrescentar mais 0,2 a 0,25 ponto percentual às estimativas.
“Esse vai ser o processo nas próximas semanas: vários ajustes, esperando um nível de inflação mais alto no futuro”, afirmou Mandel. Diante desse quadro, ele prevê que o Comitê de Política Monetária (Copom) mantenha os juros na próxima reunião, enquanto aguarda a incorporação dessas revisões às projeções.
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