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Kushner se reúne com Netanyahu após negociações com o Hamas sobre plano para Gaza
Publicado 17/08/2026 • 09:30 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 17/08/2026 • 09:30 | Atualizado há 2 meses
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Fotos montagem: Flickr.
Jared Kushner se reúne com Netanyahu após negociações com o Hamas para tentar retomar o plano de paz de Trump para Gaza.
O enviado do presidente Donald Trump, Jared Kushner, se reuniu nesta segunda-feira (17) com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, após manter conversas com líderes do Hamas, em uma tentativa de retomar um plano de paz para Gaza que Israel rejeitou até o momento.
O encontro ocorre duas semanas depois de o grupo islamista palestino apoiar a etapa mais recente do plano de Trump para Gaza, ao qual Netanyahu se recusou a dar respaldo, insistindo que qualquer acordo deve garantir que o grupo esteja “genuinamente desarmado”.
Um funcionário diplomático confirmou à AFP que a reunião em Jerusalém começou no fim da manhã desta segunda-feira.
Kushner — genro de Trump — se reuniu no domingo com o novo líder do Hamas, Khalil al-Hayya, na cidade egípcia de El-Alamein, às margens do Mediterrâneo, segundo fontes com conhecimento das discussões ouvidas pela AFP. Trata-se de mais uma rodada de negociações antes impensáveis entre os Estados Unidos e um grupo que o país classifica como terrorista.
Leia também: Hamas pede ao Conselho da Paz de Trump que pressione Israel a aceitar plano para Gaza
Kushner exigiu que o grupo comprove que está abrindo mão de suas armas, um dos principais pontos de impasse para Netanyahu. Também pediu que o Hamas — cujo ataque sem precedentes contra Israel em 7 de outubro de 2023 deu início à guerra em Gaza — renuncie a qualquer futuro papel no governo do território palestino, segundo as fontes.
Netanyahu deve se reunir a portas fechadas com Kushner, que mantém há anos laços familiares com o líder israelense, e com Nickolay Mladenov, alto representante para Gaza no chamado “Conselho da Paz” de Trump, responsável pela implementação do plano.
A imprensa israelense informou que o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, atualmente um dos principais integrantes do Conselho da Paz, também participaria do encontro.
Um funcionário do Hamas afirmou que o grupo disse a Kushner estar comprometido com o plano para Gaza e pediu pressão sobre Netanyahu.
“O Hamas está exigindo que o governo dos Estados Unidos… pressione o governo de Netanyahu a cumprir e implementar o acordo previsto no roteiro. O Hamas aguarda a resposta do governo dos Estados Unidos sobre a posição de Israel em relação ao acordo”, disse o funcionário do Hamas à AFP.
O governo Trump tem demonstrado cada vez mais disposição para negociar diretamente com o Hamas na esperança de encerrar o conflito devastador. A administração americana também negociou o acordo de cessar-fogo de outubro, que levou à libertação dos últimos reféns israelenses que permaneciam em Gaza.
Leia também: Hamas reafirma compromisso com plano de Trump para Gaza; Netanyahu rejeita proposta
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Siga o Times | CNBCNetanyahu, que enfrentará eleições em outubro em uma disputa que, segundo pesquisas, será acirrada, tem demonstrado disposição crescente para desafiar Trump, cujo apoio ele já destacou em sua campanha.
O primeiro-ministro também deixou clara sua insatisfação com a decisão de Trump de interromper a guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, iniciada no fim de fevereiro, e optar por buscar um acordo com os líderes religiosos de Teerã.
Depois de inicialmente fazer críticas moderadas ao plano para Gaza, Netanyahu disse na semana passada ao seu gabinete que rejeitava a proposta e prometeu não retirar as tropas do território palestino.
A posição foi adotada apesar de Mladenov ter assegurado a Netanyahu que Israel não precisaria iniciar a retirada até que o Hamas estivesse completamente desarmado. A declaração representou uma mudança em relação às posições anteriores do Conselho da Paz, que defendia que Israel começasse uma retirada gradual.
Em entrevista, Itamar Ben Gvir, ministro da Segurança Nacional e integrante da ala de extrema direita do gabinete de Netanyahu, defendeu assassinatos em massa em Gaza.
“Acho que eliminações direcionadas deveriam ser realizadas em Gaza todas as noites. Elimine 30 ou 40”, disse Ben Gvir em um podcast com um ex-refém de Gaza.
“Não apenas aqueles que representam uma ameaça para você neste momento. São pessoas que não deveriam estar vivas”, afirmou. “Estou fazendo um elogio a eles ao chamá-los de seres humanos.”
No domingo, oito países de maioria muçulmana, incluindo Arábia Saudita, Egito e Emirados Árabes Unidos — cuja relação com Israel é considerada por Netanyahu uma de suas principais conquistas — condenaram a rejeição israelense ao plano para Gaza em uma declaração conjunta.
Leia também: Netanyahu rejeita acordo de paz proposto pelos EUA para Gaza; Hamas pede que americanos aumentem pressão
Israel retomou os ataques aéreos em Gaza após uma pausa que se seguiu à apresentação do plano de paz por Trump, embora o cessar-fogo de outubro nunca tenha interrompido completamente a violência no território.
As operações israelenses mataram pelo menos 1.265 palestinos desde a entrada em vigor do cessar-fogo, em 10 de outubro, segundo dados do Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas. Os números são considerados confiáveis pelas Nações Unidas.
O Exército israelense informou a morte de cinco soldados durante as operações em Gaza no mesmo período.
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