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Maduro volta a se apresentar à justiça em Nova York
Publicado 26/03/2026 • 15:20 | Atualizado há 4 semanas
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Publicado 26/03/2026 • 15:20 | Atualizado há 4 semanas
KEY POINTS
Reuters/Eduardo Munoz
Maduro sendo conduzido por militares americanos
O presidente deposto da Venezuela, Nicolás Maduro, comparece nesta quinta-feira (26) perante um tribunal de Nova York pela segunda vez desde sua dramática captura, em 3 de janeiro, durante uma operação militar americana em Caracas.
Maduro, de 63 anos, e sua esposa, Cilia Flores, de 69, estão detidos em uma prisão no Brooklyn há quase três meses.
Eles deixaram a instalação apenas uma vez — em 5 de janeiro — para sua audiência inicial. Naquela ocasião, Maduro declarou-se “prisioneiro de guerra” e alegou inocência em relação às acusações de tráfico de drogas apresentadas contra ele nos Estados Unidos.
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Um comboio policial significativo deixou o centro penitenciário às 04h locais (05h de Brasília) rumo ao tribunal de Manhattan, comprovaram jornalistas da AFP.
Tanto seguidores quanto opositores de Maduro se reuniram desde cedo do lado de fora da corte, onde a segurança foi reforçada.
“Estamos desesperados por qualquer forma de justiça, por tudo o que passamos”, disse o educador venezuelano Carlos Egana, de 30 anos, segurando um boneco representando o líder chavista com roupa de presidiário e algemas.
Militantes de esquerda exibiam cartazes com mensagens como “Libertem Maduro” e críticas à política do presidente americano, Donald Trump, como “Da Venezuela ao Irã, chega de sanções e bombas!”.
Maduro governava a Venezuela desde março de 2013. Após sua queda, a Presidência interina foi assumida por Delcy Rodríguez — sua ex-vice-presidente — que, desde então, promoveu uma mudança drástica nas relações com os Estados Unidos sob pressão de Trump.
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Maduro é acusado de conspirar para cometer “narcoterrorismo“, importar cocaína e possuir ilegalmente metralhadoras e dispositivos destrutivos.
Durante a audiência desta quinta-feira (26)— agendada para as 11h locais (12h em Brasília) — espera-se que Maduro insista na rejeição da denúncia, enquanto seus advogados debatem quem arcará com seus honorários.
O governo venezuelano tenta efetuar esse pagamento, mas para isso o advogado de Maduro, Barry Pollack, deve obter uma autorização do governo americano.
Pollack alegou ao tribunal que essa exigência de autorização viola o direito constitucional de Maduro à representação legal de sua própria escolha, e exigiu que o caso fosse rejeitado por motivos processuais.
Preso no Metropolitan Detention Center (MDC), no Brooklyn, uma penitenciária federal conhecida por suas condições extremas, Maduro permanece sozinho em uma cela, sem acesso à internet ou a jornais.
Chamado por alguns de “presidente” nos corredores, passa o tempo lendo a Bíblia, de acordo com uma fonte próxima ao governo venezuelano. Tem permissão para se comunicar por telefone apenas com sua família e seus advogados, por um tempo máximo de 15 minutos por chamada, segundo essa mesma fonte.
“Eles estão muito bem — fortes, muito bem, otimistas e cheios de força”, afirmou na segunda-feira (23) Nicolás Maduro Guerra, filho do líder deposto.
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Maduro e Flores foram retirados à força por comandos americanos na madrugada de 3 de janeiro, com o apoio de ataques aéreos contra a capital venezuelana e de um grande deslocamento naval.
Segundo autoridades venezuelanas, pelo menos 83 pessoas morreram e mais de 112 ficaram feridas durante a operação. Nenhum militar americano morreu.
Em sua primeira audiência judicial, Maduro adotou um tom desafiador e se identificou como o presidente da Venezuela.
Sob pressão dos Estados Unidos, Delcy Rodríguez enfrenta dificuldades para liderar um país que possui as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, mas cuja economia está em ruínas.
A presidente interina aprovou uma lei de anistia para libertar prisioneiros políticos. Ela também reformou a lei de hidrocarbonetos, em conformidade com as exigências dos Estados Unidos para ter acesso à vasta riqueza venezuelana em petróleo e gás.
Neste mês, os Estados Unidos restabeleceram os laços diplomáticos com a Venezuela, sinalizando um degelo após uma ruptura de sete anos.
O caso é presidido pelo juiz Alvin Hellerstein, de 92 anos, renomado por sua longa carreira no Judiciário.
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