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Aposentadoria ao contrário: por que os baby boomers estão comprando casas ainda maiores?
Publicado 20/07/2026 • 14:00 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 20/07/2026 • 14:00 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
foto: unsplash
Aposentadoria ao contrário: por que os baby boomers estão comprando casas ainda maiores?
Durante décadas, muitos baby boomers seguiram uma tendência comum ao chegar à aposentadoria: reduzir o tamanho da casa. A lógica parecia simples: menos espaço significava menos gastos com manutenção, impostos e contas.
No entanto, esse comportamento começou a mudar. De acordo com a CNBC, hoje, um número crescente de baby boomers prefere fazer o caminho inverso e investir em imóveis maiores. A decisão reflete mudanças econômicas, familiares e comportamentais.
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Um levantamento da Merrill Lynch em parceria com a Age Wave, realizado com mais de 3.600 aposentados nos Estados Unidos, mostra essa transformação.
Segundo o estudo, 49% dos entrevistados não diminuíram o tamanho da residência na última mudança, enquanto 30% optaram por comprar uma casa maior. O resultado representa uma quebra importante no padrão tradicional do mercado imobiliário voltado à aposentadoria.
Ao contrário do que acontecia em gerações anteriores, muitos aposentados já não enxergam a casa apenas como um patrimônio. Ela também passou a representar conforto, qualidade de vida e convivência familiar.
Em muitos casos, a mudança ocorre para acomodar filhos adultos que voltaram a morar com os pais ou parentes idosos que precisam de cuidados. Além disso, alguns aposentados buscam mais espaço para receber filhos e netos com maior frequência.
Existe uma busca por imóveis que ofereçam escritórios, áreas de lazer e ambientes multifuncionais, características que ganharam ainda mais importância nos últimos anos.
Outro levantamento, realizado pela Del Webb com pessoas entre 50 e 60 anos, reforça essa tendência. A pesquisa apontou que 22% pretendem se mudar para uma residência maior, enquanto 43% desejam permanecer em imóveis de tamanho semelhante ao atual. Isso indica que a redução de espaço deixou de ser o principal objetivo de quem se aproxima da aposentadoria.
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Diversos fatores econômicos ajudaram a fortalecer esse movimento. Entre eles, as taxas de juros historicamente baixas registradas no mercado imobiliário americano entre 2020 e o início de 2021 facilitaram tanto a compra quanto o refinanciamento de imóveis.
Ao mesmo tempo, o longo ciclo de valorização do mercado de ações ampliou o patrimônio de muitos investidores que estavam próximos da aposentadoria, criando condições financeiras para trocar de residência.
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Siga o Times | CNBCAlém disso, a pandemia mudou a forma como as pessoas utilizam a própria casa. Com viagens reduzidas e mais tempo dentro de casa, muitos aposentados passaram a investir recursos que antes destinavam ao lazer em reformas ou na compra de imóveis mais amplos.
Uma pesquisa da Consumer Specialists em conjunto com o Home Projects Council mostrou que 57% dos proprietários realizaram algum tipo de melhoria na residência durante o período da Covid-19.
Outro fator apontado pelo artigo é o chamado FOMO (“fear of missing out”, ou medo de ficar de fora). À medida que os millennials passaram a adquirir imóveis maiores e mais sofisticados, parte dos aposentados também passou a considerar esse padrão de consumo.
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Segundo o estudo citado, 19% afirmam que o desejo de viver em uma casa mais imponente influenciou diretamente a decisão de comprar um imóvel maior.
Embora os dados sejam dos Estados Unidos, parte desse comportamento também encontra paralelos no mercado brasileiro. Nos últimos anos, muitas famílias passaram a conviver em casas com mais de uma geração, seja por questões financeiras, seja pela necessidade de cuidar de parentes idosos ou adultos que retornaram ao lar.
Além disso, o home office consolidou a procura por imóveis com mais cômodos e espaços versáteis, uma preferência que continua influenciando compradores mesmo após o período mais crítico da pandemia.
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Especialistas também observam que aposentados brasileiros com maior poder aquisitivo tendem a priorizar imóveis que ofereçam conforto, segurança e infraestrutura para envelhecer com qualidade, em vez de simplesmente reduzir despesas. Ainda assim, diferentemente dos Estados Unidos, fatores como juros elevados e crédito imobiliário mais caro tornam esse movimento menos disseminado no país.
No fim das contas, a tendência mostra que a aposentadoria deixou de seguir um único modelo. Para uma parcela dos baby boomers, envelhecer já não significa morar em uma casa menor, mas sim escolher um imóvel que acompanhe um novo estilo de vida, desde que essa decisão faça parte de um planejamento financeiro sustentável.
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