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Interdependência e forte articulação salvam suco de laranja do Brasil de tarifas americanas
Publicado 20/07/2026 • 13:58 | Atualizado há 3 meses
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Publicado 20/07/2026 • 13:58 | Atualizado há 3 meses
KEY POINTS
O mercado brasileiro de suco de laranja garantiu sua permanência na lista de exceções das políticas tarifárias dos Estados Unidos, livrando-se de sobretaxas que poderiam chegar a até 50%, inviabilizando a comercialização do produto nas gôndolas americanas.
A interdependência entre os dois países foi o principal motor para a decisão. Cerca de 56% do consumo de suco de laranja nos Estados Unidos é oriundo do Brasil.
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“Seria uma situação muito difícil para as empresas que chamamos de engarrafadores, que compram esse suco, envasam, colocam suas marcas e distribuem no mercado americano sem a presença do suco brasileiro. Seria realmente um problema muito grande”, destacou Ibiapaba Neto, diretor executivo da Citrus BR (Associação Brasileira dos Exportadores de Sucos Cítricos), em entrevista ao Real Time. O produto, além do óleo de laranja, foi isento da sobretaxa de 25% anunciada pelo governo norte-americano na última semana.
Além do volume de abastecimento, o executivo pontuou que décadas de investimentos de empresas brasileiras no mercado norte-americano, incluindo a construção de fábricas, terminais e uma rede logística complexa, pesaram na decisão do governo dos Estados Unidos. A isenção também alcança subprodutos importantes da cadeia, como o óleo essencial e a polpa.
Essa inclusão por meio do governo norte-americano não foi uma surpresa, já que o produto integrava listas de exceção desde as primeiras discussões iniciadas em meados do ano passado, blindando a cadeia produtiva de impactos que poderiam atingir cerca de um terço da oferta de fruta destinada à exportação.
A conquista da isenção não ocorreu por acaso. O setor privado brasileiro manteve diálogo constante com autoridades americanas, participando de audiências públicas e apresentando dados consistentes sobre o impacto econômico das tarifas.
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Siga o Times | CNBCO executivo também explica que clientes americanos foram essenciais para a lista de exceção, ao levarem números e demonstrações práticas aos órgãos de comércio dos EUA, comprovando que a sobretaxa geraria um efeito dominó desastroso tanto para a indústria quanto para os consumidores locais.
Apesar de escaparem das tarifas adicionais, o executivo ressalta que o setor não opera sem custos logísticos e aduaneiros. O suco de laranja brasileiro ainda está sujeito a uma tarifa tradicional de US$ 415 por tonelada, o que equivale a cerca de 20% sobre o valor do produto.
Para a Citrus BR, mesmo essa cobrança histórica perde o sentido prático no cenário atual, uma vez que a produção de laranja na Flórida já não atende à demanda interna, penalizando, em última análise, o consumidor americano.
Com o início do ano-safra 2026/2027 em 1º de julho, as perspectivas de exportação são positivas. Os Estados Unidos consolidaram-se recentemente como o principal destino do suco brasileiro, impulsionados pela retração na oferta interna. Se o clima e as condições de mercado permitirem estabilidade, a expectativa da entidade é repetir o desempenho robusto do último ciclo comercial, que movimentou mais de US$ 1 bilhão em divisas para o país.
Neto também destaca que, pela complexidade do comércio de suco de laranja, seria muito difícil encontrar outro destino para as importações aos Estados Unidos, já que esse comércio depende de estruturas físicas, como terminais portuários específicos para o recebimento do produto.
“Não existe como você redirecionar um produto tão sofisticado para outro mercado da noite para o dia. Você precisa de terminais especializados, empresas para o envase, contratos consolidados com o varejo e marcas já estabelecidas, uma infraestrutura que demora décadas para ser construída. Simplesmente não há outro mercado no mundo com capacidade de absorver o volume e substituir a importância que os Estados Unidos têm para o suco de laranja brasileiro”, encerrou.
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