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Pedro Alliana: quem é o vice que pode assumir a Presidência do Paraguai

Publicado 05/11/2026 • 17:20 | Atualizado há 3 horas

KEY POINTS

  • Alliana integrou a seleção paraguaia de basquete antes de iniciar sua trajetória política.
  • O vice-presidente comandou o Partido Colorado entre 2015 e 2023 e se aproximou do movimento Honor Colorado, de Horacio Cartes.
  • A oposição também apresentou um pedido de impeachment contra Alliana, sob a alegação de que ele teria atuado para proteger politicamente o Ueno Bank.

Reprodução/X

O vice-presidente do Paraguai, Pedro Alliana, deve assumir o comando do país após a renúncia de Santiago Peña, anunciada nesta quinta-feira (5), em meio à crise política envolvendo o Ueno Bank e às articulações pelo impeachment do presidente.

Aos 52 anos, Alliana tem mais de duas décadas de trajetória no Partido Colorado, com passagens pelo governo regional, pela Câmara dos Deputados e pela direção nacional da legenda.

A possibilidade de sucessão ganhou força ao longo desta quinta-feira, após o avanço das articulações para afastar Peña. Alliana também é alvo de um pedido de destituição apresentado por parlamentares da oposição, mas integrantes de uma das alas do partido já manifestaram apoio à sua permanência na Vice-Presidência.

Ao anunciar sua renúncia, Peña afirmou que a prioridade é garantir a tranquilidade dos paraguaios que confiaram suas economias ao sistema financeiro do país.

“Tomei a decisão de apresentar minha renúncia à presidência da República (…) quero pedir desculpas ao povo se, em algum momento, falhei”, declarou.

Pedro Alliana nasceu em 19 de fevereiro de 1974, em Pilar, no departamento de Ñeembucú, no sul do Paraguai. Antes de ingressar na política, trabalhou no comércio e teve passagem pelo basquete, chegando a integrar a seleção paraguaia da modalidade.

Sua carreira política começou em 2006, quando disputou a prefeitura de Pilar, mas não foi eleito. Dois anos depois, conquistou o governo de Ñeembucú, cargo que ocupou até 2012.

Em 2013, chegou à Câmara dos Deputados, onde representou o departamento e presidiu a Casa em diferentes períodos, entre 2019 e 2022.

Alliana também comandou o Partido Colorado, oficialmente chamado Associação Nacional Republicana (ANR), entre 2015 e 2023. Durante esse período, aproximou-se do movimento Honor Colorado, liderado pelo ex-presidente Horacio Cartes, uma das principais figuras políticas do país.

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Em 2023, foi escolhido para integrar a chapa presidencial de Santiago Peña. Os dois venceram as eleições daquele ano e assumiram o governo em 15 de agosto, com mandato previsto até 2028.

Relação com Horacio Cartes e crise política

A proximidade com Cartes é um dos principais elementos da trajetória de Alliana dentro do Partido Colorado. O ex-presidente, que governou o Paraguai entre 2013 e 2018, lidera o movimento Honor Colorado e mantém influência sobre as articulações da legenda.

A relação entre os dois passou por divergências recentes, em meio às disputas internas e às movimentações para a sucessão presidencial de 2028. Nesta quinta-feira, Cartes anunciou apoio ao impeachment de Peña e se reuniu com Alliana para discutir o cenário político.

Após o encontro, integrantes do partido passaram a defender que o vice-presidente permaneça no cargo e assuma o Executivo caso Peña seja afastado.

Pela Constituição paraguaia, o vice-presidente substitui o chefe de Estado em caso de vacância do cargo. Assim, caso Peña deixe a Presidência e Alliana permaneça na Vice-Presidência, ele poderá assumir o comando do país e concluir o mandato.

Os dois, no entanto, são alvos de pedidos de impeachment apresentados por parlamentares. As acusações contra Peña envolvem supostos conflitos de interesse e questões relacionadas à gestão de recursos previdenciários e ao Ueno Bank. No caso de Alliana, a oposição aponta uma suposta atuação para proteger politicamente a instituição financeira.

O processo de destituição precisa passar pela Câmara dos Deputados e pelo Senado. Em cada etapa, são necessários votos de dois terços dos parlamentares para a aprovação.

Diante das articulações, Alliana evitou antecipar sua posição sobre uma eventual saída de Peña. Em entrevista ao jornal paraguaio Última Hora, afirmou estar tranquilo diante das acusações: “Estou muito tranquilo porque sei da minha inocência”.

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