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Petróleo para cima, dólar para baixo: negociações no Irã avançam e aumentam apetite por risco nos mercados
Publicado 25/05/2026 • 21:45 | Atualizado há 3 semanas
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Publicado 25/05/2026 • 21:45 | Atualizado há 3 semanas
KEY POINTS
As negociações entre Estados Unidos e Irã dominaram os mercados globais nesta segunda-feira (25), em meio a sinais contraditórios – mas ligeiramente positivos – sobre um possível acordo para encerrar o conflito no Oriente Médio, reabrir o Estreito de Ormuz e destravar discussões sobre o programa nuclear iraniano.
O petróleo despencou após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que as conversas com Teerã avançam de forma “ordeira e construtiva”. O Brent chegou a cair mais de 7%, enquanto o WTI recuou cerca de 6%, diante das expectativas de reabertura do estreito, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo transportado no mundo.
“Se o petróleo realmente confirmar esse movimento de queda e houver avanço nas negociações, o Federal Reserve pode voltar a considerar cortes de juros. Petróleo mais caro pressiona inflação, e inflação alta obriga o banco central americano a manter juros elevados”, explicou Ulisses Dias, mestre em finanças pela Universidade de Sorbonne,em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
No Brasil, o Ibovespa fechou em alta discreta, impulsionado principalmente por ações ligadas ao varejo, construção civil e setores sensíveis aos juros, enquanto o dólar caiu frente ao real. No exterior, bolsas europeias avançaram e os futuros de Wall Street subiram, refletindo a redução das tensões geopolíticas e a queda do petróleo.
Segundo Ulisses, o mercado tende a precificar gradualmente as novas informações. Como o conflito já se estende há mais de três meses, boa parte do impacto inicial já foi absorvida pelos ativos. “E o mercado sempre olha para frente. Nos Estados Unidos, por exemplo, já existe atenção crescente sobre as eleições legislativas para a Câmara, que têm peso político importante”, afirmou.
O otimismo ganhou força após Trump afirmar no fim de semana que um acordo estava “amplamente negociado” e reforçar nesta segunda que a guerra estaria próxima do fim.
Em publicação nas redes sociais, o republicano afirmou que o urânio enriquecido iraniano será “imediatamente entregue aos Estados Unidos para ser destruído” ou eliminado sob supervisão internacional dentro do próprio Irã. Trump descreveu o material como “poeira nuclear”.
Segundo reportagens do The New York Times, autoridades americanas afirmam que o Irã aceitou, em princípio, abrir mão de seu estoque de urânio altamente enriquecido, embora os detalhes operacionais ainda estejam indefinidos.
As possibilidades discutidas incluem a transferência do material para países terceiros, como Turquia, Paquistão, Rússia ou China, ou sua diluição sob supervisão internacional.
Do lado iraniano, porém, o tom foi mais cauteloso. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou que houve avanços em vários pontos das negociações, mas negou que exista um acordo final próximo. Segundo ele, as tratativas atuais se concentram no encerramento da guerra e não incluem diretamente o programa nuclear.
Apesar da melhora do humor nos mercados, analistas alertam que o cenário continua volátil. Trump voltou a afirmar que os Estados Unidos poderão retomar ações militares caso as negociações fracassem, enquanto Israel segue pressionando por garantias mais rígidas sobre o programa nuclear iraniano.
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Seguir no GoogleEspecialistas também apontam que, mesmo em caso de acordo, a normalização do mercado de energia deve levar tempo, já que milhões de barris seguem represados na região do Golfo e a recomposição da logística global de petróleo pode demorar meses.
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