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“Essa crise continua aí, na beira da esquina”, analisa Vinícius Torres Freire sobre choque do petróleo
Publicado 04/06/2026 • 20:25 | Atualizado há 5 meses
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Publicado 04/06/2026 • 20:25 | Atualizado há 5 meses
KEY POINTS
Apesar da volatilidade no mercado de petróleo e das decorrentes incertezas nas expectativas para os ciclos de juros, a crise do Estreito de Ormuz não produziu os efeitos desastrosos previstos quando a guerra entre Irã e EUA começou.
Segundo Vinícius Torres Freire, analista de economia e política do Times Brasil – Licenciado exclusivo CNBC, desde o início do conflito, analistas e organismos internacionais alertavam para o risco de um dos maiores choques de oferta da commodity da história, que ainda não se concretizou integralmente.
Os contratos futuros do produto fecharam em forte queda nesta quinta-feira (4), à medida que investidores passaram a apostar em uma redução das tensões entre os países. O contrato do Brent para agosto recuou 2,84% e encerrou o pregão cotado a US$ 95,03 por barril. Já o WTI para julho caiu 3,10%, para US$ 93,04 por barril.
Para Freire, a interrupção da oferta foi significativa. Dados divulgados pela Agência Internacional de Energia (AIE) em março indicavam que cerca de 12% do consumo diário mundial de petróleo deixaram de ser atendidos após as restrições no Golfo Pérsico.
“Por outro lado, vários fatores ajudaram a amortecer esse impacto. Alguns países aumentaram a produção, outros recorreram às reservas estratégicas ou utilizaram estoques já disponíveis. Além disso, regiões como Ásia e África reduziram o consumo, o que também ajudou a equilibrar o mercado”, explicou
Freire destaca que os efeitos econômicos da crise já começaram a aparecer, embora em intensidade menor do que a prevista inicialmente. Segundo ele, a economia global deve crescer menos, a inflação tende a permanecer mais elevada e o ciclo de queda dos juros pode ser interrompido em algumas regiões.
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Siga o Times | CNBCOutro fator que ajudou a conter os impactos foi a menor dependência mundial do petróleo em comparação com décadas anteriores. “Para produzir o mesmo PIB, você precisa de menos petróleo”, afirmou o analista, ao destacar os ganhos de eficiência energética registrados nos últimos anos.
Mesmo com a recente queda dos preços, o especialista alerta que os riscos permanecem elevados. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) afirmou nesta semana que o mercado pode estar a poucas semanas de um ponto de inflexão, quando a escassez física da commodity se tornaria mais evidente.
Avaliação semelhante foi feita pela Trafigura, uma das maiores comercializadoras de petróleo do mundo. A empresa afirmou que o mercado está próximo de um momento em que a disponibilidade física de petróleo pode voltar a pressionar fortemente os preços.
Segundo o analista, a principal preocupação continua sendo o Estreito de Ormuz, a rota estratégica por onde passava aproximadamente 20% da oferta global de petróleo. Freire explica que, caso a passagem não seja reaberta ao longo deste mês, o mercado poderá enfrentar uma nova fase da crise.
“O que esse pessoal está dizendo é que essa crise continua aí, na beira da esquina”, afirmou.
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