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Petróleo

Exportações de petróleo reduzem déficit comercial dos EUA em abril

Publicado 09/06/2026 • 12:30 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • O déficit comercial dos Estados Unidos recuou para US$ 55,9 bilhões, impulsionado pelo avanço das exportações de petróleo e derivados em meio às restrições de oferta provocadas pela guerra no Oriente Médio.
  • As vendas externas americanas cresceram 2,6% no mês, com destaque para petróleo bruto, óleo combustível e outros produtos energéticos, além de bens de capital como computadores e aeronaves.
  • Apesar da melhora no saldo comercial, economistas alertam que o fechamento do Estreito de Ormuz continua sendo um risco para a economia global e para o comércio dos EUA.

As exportações de energia ajudaram os Estados Unidos a reduzir seu déficit comercial em abril, em um cenário marcado pelas consequências da guerra no Oriente Médio e pelas restrições ao fluxo de petróleo na região.

Segundo dados divulgados nesta terça-feira (9) pelo Departamento de Comércio, o déficit comercial americano caiu 1,2%, para US$ 55,9 bilhões (R$ 289,6 bilhões), resultado ligeiramente melhor que a expectativa de mercado, de US$ 56,1 bilhões (R$ 290,6 bilhões).

Petróleo impulsiona exportações

O desempenho foi sustentado principalmente pelo aumento das exportações de petróleo bruto e derivados. Desde os ataques realizados por Estados Unidos e Israel contra o Irã no fim de fevereiro, seguidos pela retaliação de Teerã que praticamente bloqueou o Estreito de Ormuz, os embarques americanos de energia ganharam força no mercado internacional.

O estreito é uma das principais rotas globais para o transporte de petróleo e gás, e as restrições ao tráfego elevaram os preços da energia no mercado internacional.

Para James Knightley, economista-chefe internacional do ING, os Estados Unidos têm ampliado suas vendas externas utilizando estoques já existentes.

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As exportações de energia são um fator importante aqui, com os EUA fornecendo mais aos mercados internacionais, em grande parte a partir dos estoques existentes”, afirmou Knightley à AFP.

Segundo ele, esse movimento ajudou a limitar parte da pressão de alta sobre os preços globais da energia causada pelo choque de oferta.

Risco permanece

Apesar da melhora do saldo comercial, Knightley alertou que o déficit teria aumentado caso os produtos petrolíferos fossem excluídos da conta. Na avaliação do economista, uma eventual normalização da oferta de petróleo e gás poderia levar a uma deterioração rápida do déficit comercial americano.

Enquanto isso, Oren Klachkin, economista de mercados financeiros da Nationwide, destacou que a permanência do fechamento do Estreito de Ormuz continua representando um risco para as perspectivas econômicas dos Estados Unidos.

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IA sustenta importações

As exportações americanas avançaram 2,6% em abril, alcançando US$ 327,1 bilhões (R$ 1,69 trilhão). Além da energia, o crescimento foi impulsionado por embarques de computadores, aeronaves civis e outros bens de capital, segundo os dados oficiais.

Ao mesmo tempo, as importações cresceram 2%, para US$ 383 bilhões (R$ 1,98 trilhão). O aumento foi puxado principalmente por produtos ligados ao setor de tecnologia, incluindo computadores e semicondutores, em meio à forte demanda por equipamentos utilizados na expansão da infraestrutura de inteligência artificial.

Segundo Grace Zwemmer, economista da Oxford Economics, a procura por equipamentos para data centers deve continuar sustentando as importações de bens de capital ao longo deste ano.

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Com a demanda ainda elevada pela expansão da infraestrutura de inteligência artificial, esperamos que as importações de bens de capital permaneçam sólidas neste ano”, afirmou à AFP.

Tarifas seguem no radar

Os investimentos corporativos em equipamentos de alta tecnologia continuam sendo um dos motores da atividade econômica americana, favorecidos pelo fato de parte desses produtos ter sido excluída das tarifas impostas pelo presidente Donald Trump.

Ainda assim, Zwemmer avalia que as tarifas podem continuar afetando os fluxos comerciais em 2026, embora em intensidade menor do que a observada em 2025.

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O cenário ocorre enquanto o governo Trump trabalha para implementar tarifas mais duradouras sobre produtos importados de diversos parceiros comerciais, após a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubar, em fevereiro, uma ampla parcela das tarifas globais impostas pelo presidente.

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