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Petróleo

Com Ormuz bloqueado, nem 400 milhões de barris de reserva seguram alta do petróleo

Publicado 14/03/2026 • 11:00 | Atualizado há 2 meses

KEY POINTS

  • A AIE anunciou a maior liberação de reservas de petróleo de sua história, com 400 milhões de barris, mas o Brent subiu 17% desde o anúncio e fechou acima de US$ 100.
  • Com Ormuz fechado, cerca de 9 milhões de barris por dia ficam bloqueados na região, volume que as reservas estratégicas não têm capacidade de repor no curto prazo.
  • Analistas projetam Brent a US$ 110 em abril se a guerra durar dois meses, e a US$ 135 em junho no cenário de conflito prolongado por quatro meses.
Hormuz

Jacques Descloitres, MODIS Land Rapid Response Team, NASA/GSFC via Wikimedia

O estreito de Ormuz visto do espaço

A maior liberação de reservas de petróleo da história não foi suficiente para acalmar o mercado. Desde que a Agência Internacional de Energia (AIE) anunciou, na quarta-feira, a liberação emergencial de 400 milhões de barris por mais de 30 países, o preço do Brent subiu 17% e fechou acima de US$ 100 pelo segundo dia consecutivo na sexta-feira.

Enquanto o Estreito de Ormuz permanecer fechado, nenhuma política de alívio resolve o problema na raiz.

O novo líder supremo do Irã prometeu manter o estreito bloqueado. Petroleiros seguem sob ataque no Golfo Pérsico.

E cerca de 9 milhões de barris por dia, o equivalente a 10% do suprimento global, continuam presos na região sem rota de saída.

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Reservas que compram tempo, não solução

Os Estados Unidos lideram o esforço com a liberação de 172 milhões de barris de sua Reserva Estratégica de Petróleo, o equivalente a 43% do total anunciado pela AIE.

Mas os números revelam a dimensão do problema. O volume americano será liberado ao longo de 120 dias, o que representa 1,4 milhão de barris por dia, apenas 15% do suprimento perdido com o fechamento de Ormuz.

Além disso, os barris levam 13 dias para chegar ao mercado após a autorização de Trump.

“Compra tempo, mas não resolve a crise”, disseram analistas da Bernstein em nota a clientes na quinta-feira.

Tom Liles, vice-presidente sênior de pesquisa upstream da consultoria Rystad Energy, reforçou o diagnóstico. “Até que o trânsito seja reativado, esse tipo de anúncio vai ter impacto limitado”, afirmou. Liles explicou que Arábia Saudita, Iraque, Kuwait e Emirados Árabes Unidos exportavam cerca de 14 milhões de barris por dia antes da guerra.

Desse total, entre 5 e 6 milhões de barris podem sair por dutos que terminam no Mar Vermelho e no Golfo de Omã. O restante, cerca de 9 milhões de barris diários, só pode passar por Ormuz.

Brent a US$ 135 no horizonte

Os 400 milhões de barris cobririam, em tese, cerca de 40 dias do suprimento perdido. Mas Liles alertou que a realidade é mais complexa. “Não é como se 400 milhões de barris aparecessem imediatamente no mercado”, disse.

A Rystad projeta que uma guerra de dois meses empurrará o Brent a US$ 110 por barril até abril. Um conflito de quatro meses pode elevar o preço a US$ 135 até junho. Tamas Varga, analista da corretora londrina PVM, resumiu o estado do mercado: petroleiros sob ataque, Ormuz bloqueado e o novo líder iraniano irredutível na posição de manter o estreito fechado.

Risco de depleção das reservas

A operação também expõe os países membros da AIE a um risco adicional: o esgotamento dos próprios estoques. Os 400 milhões de barris representam 33% do total de 1,2 bilhão de barris mantidos pelos países membros.

No caso americano, os 172 milhões planejados equivalem a 41% dos 415 milhões atualmente na Reserva Estratégica.

O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, afirmou na quarta-feira que o governo pretende repor os barris liberados com 200 milhões adicionais no prazo de um ano, sem custo para o contribuinte.

Além do petróleo, o fechamento de Ormuz afeta 20% das exportações globais de gás natural liquefeito, usado na geração de eletricidade e aquecimento, e que também não consegue chegar ao mercado enquanto o estreito permanecer bloqueado.

Para Tobin Marcus, chefe de política americana da Wolfe Research, os estoques aliviam parcialmente o choque, mas não dispensam a reabertura do estreito. “Não acreditamos que muito mais ajuda virá depois disso”, afirmou.

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