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Índia anuncia crescimento de 7,8% do PIB mas ex-secretário de Finanças acusa governo de ‘inflar’ dados
Publicado 05/09/2026 • 13:52 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 05/09/2026 • 13:52 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
Foto: canva
A inflação ao consumidor da Índia subiu para 4,82% em agosto, aumentando a pressão sobre o BC do país para elevar as taxas de juros.
O crescimento de 7,8% do Produto Interno Bruto da Índia no trimestre encerrado em junho está sob questionamento depois que um ex-secretário de Finanças do país alegou que o resultado foi inflado por meio de uma revisão para baixo dos números do ano anterior. O governo indiano rejeitou a acusação e defendeu a integridade dos dados.
Segundo Subhash Chandra Garg, que ocupou o cargo de secretário de Finanças entre 2017 e 2019, o PIB indiano a preços correntes referente ao trimestre de abril a junho de 2025 foi reduzido em 6 trilhões de rupias, o equivalente a US$ 63,5 bilhões, passando de um valor original para 80 trilhões de rupias. Para ele, essa redução faz com que o PIB do trimestre mais recente, de 88,27 trilhões de rupias, pareça mais favorável na comparação anual.
No câmbio de 5 de setembro: R$ 1 = 18 rúpias e US$ 1 = 95 rúpias
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O assessor econômico chefe da Índia, V. Anantha Nageshwaran, classificou a alegação de Garg como uma escolha seletiva de dados, em entrevista à imprensa local nesta quinta-feira (3). Segundo ele, os números mais recentes foram compilados com base no ano fiscal encerrado em março de 2023, e a mudança de metodologia levou a revisões nos dados trimestrais do ano anterior.
Conforme Nageshwaran, alguns números trimestrais podem ser ajustados para cima e outros para baixo como parte da revisão estatística, e o foco deveria estar na consistência dos dados ao longo do tempo. O Ministério das Finanças da Índia não respondeu a pedido de comentário da CNBC e apenas compartilhou um link com as declarações do assessor à imprensa local.
Ainda nesta quinta-feira (3), Garg afirmou à CNBC que a mudança de metodologia não explica o que teria saído da produção para reduzir o valor do PIB do ano anterior em 6 trilhões de rupias. Segundo ele, o governo ainda não esclareceu o destino desse valor.
Rivais políticos do primeiro-ministro Narendra Modi também apoiaram as críticas de Garg. O partido opositor Congresso Nacional Indiano afirmou, em publicação na mesma quinta-feira (3), que o PIB dos últimos quatro anos foi revisado para baixo em 43 lakh crore, equivalente a 455 bilhões de dólares. Para o partido, essas correções indicam que um excesso de bens e serviços foi somado ao PIB e agora está sendo retirado dos cálculos.
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Siga o Times | CNBCEm resposta ao ceticismo sobre os números, o ministro do Comércio da Índia, Piyush Goyal, afirmou que o crescimento de 7,8% é uma realidade.
Em relatório do ano passado, o Fundo Monetário Internacional já havia levantado preocupações sobre a precisão dos dados econômicos do governo indiano, atribuindo à Índia uma nota C, sua segunda classificação mais baixa. Para tentar resolver parte dessas questões, como o uso de um ano base defasado e de índices de preços no atacado no cálculo da inflação, o país adotou uma nova estrutura estatística em fevereiro.
Segundo Reema Bhattacharya, chefe de pesquisa para a Ásia da Verisk Maplecroft, os dados do PIB indiano ainda dependem fortemente de informações do setor corporativo formal, enquanto parte relevante da economia informal precisa ser estimada. Essa lacuna, segundo ela, alimenta o ceticismo em torno dos números oficiais, que nem sempre correspondem à percepção da população sobre a economia real.
O Fundo Monetário Internacional não comentou a controvérsia mais recente sobre os dados do PIB indiano.
Segundo especialistas ouvidos pela CNBC, o argumento de Garg é tecnicamente falho por comparar números de dois anos base diferentes. Ainda assim, Anil Sood, professor e cofundador do Instituto de Estudos Avançados em Escolhas Complexas, com sede em Mumbai, afirmou que erros de estimativa nos dados anteriores representam uma preocupação legítima.
Segundo Sood, depois que a nova série de dados foi divulgada em fevereiro, todos os números anteriores de PIB e valor bruto agregado foram revisados para baixo, o que indica que o tamanho estimado da economia indiana era menor do que o projetado pela série anterior.
Já Anubhuti Sahay, chefe de pesquisa econômica para a Índia do Standard Chartered Bank, avaliou que os números do primeiro trimestre parecem melhores principalmente por causa da metodologia aprimorada, e não pelas revisões da base de comparação. Segundo ela, os indicadores de alta frequência da Índia seguem consistentes apesar dos choques globais de energia e das disrupções nas cadeias de suprimento, embora o crescimento não seja uniforme e desafios como empregos de qualidade e o impacto do El Niño na economia rural permaneçam relevantes.
Para Jaydeep Mukherjee, professor de economia do Great Lakes Institute of Management, em Chennai, a atividade econômica do trimestre foi impulsionada principalmente por um aumento expressivo em investimentos e exportações, enquanto o consumo das famílias cresceu em ritmo mais moderado, o que não seria sustentável diante dos riscos geopolíticos atuais. Bancos globais como Morgan Stanley e Citi projetam crescimento de 7,3% para os doze meses encerrados em março de 2027.
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