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Por que as passagens aéreas podem subir ainda mais, mas os lucros das companhias não?
Publicado 05/10/2026 • 12:37 | Atualizado há 56 minutos
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Por que as passagens aéreas podem subir ainda mais, mas os lucros das companhias não?
Publicado 05/10/2026 • 12:37 | Atualizado há 56 minutos
KEY POINTS
Guohua Song / Pexels
Aviões comerciais em terminal de aeroporto. Passagens aéreas seguem pressionadas por custos elevados de combustível e demanda ainda forte por viagens.
A volatilidade dos preços dos combustíveis e a resiliência da demanda por viagens ameaçam manter as passagens aéreas em níveis elevados neste ano. Para as companhias aéreas, porém, os lucros devem ser mais difíceis de obter.
A guerra entre Estados Unidos e Irã, iniciada no fim de fevereiro, levou os preços dos combustíveis aos níveis mais altos em vários anos e, em alguns casos, a recordes, incluindo diesel, gasolina e combustível de aviação, que representa a maior despesa das companhias aéreas depois dos custos com mão de obra.
Os temores sobre a oferta, com as interrupções no Estreito de Ormuz se prolongando durante a maior parte deste ano, somados à forte demanda, fizeram os preços do combustível de aviação e de outros derivados subirem mais do que os do petróleo bruto.
Executivos do setor aéreo não esperam um alívio significativo nos custos de combustível no curto prazo, nem uma queda na demanda por viagens.
“Não dá para administrar o negócio na esperança de que o Estreito de Ormuz vá reabrir em determinado momento”, afirmou Vanessa Hudson, CEO da Qantas Airways, em entrevista à CNBC no fim do mês passado. A companhia australiana opera alguns dos voos mais longos do mundo e planeja rotas ainda mais extensas para o próximo ano e para 2028, entre Londres e Sydney e entre Nova York e Sydney.
“Há um cenário de demanda resiliente neste ambiente. Estamos garantindo que nossa capacidade esteja ajustada corretamente”, afirmou.
As companhias aéreas vêm repassando aos consumidores os custos mais altos com combustível, por meio do aumento das tarifas, da cobrança de sobretaxas de combustível ou da elevação das taxas para despacho de bagagem.
As companhias aéreas também correram para adicionar assentos mais luxuosos a bordo, buscando aproveitar a demanda por opções mais caras e espaçosas, em alguns casos reduzindo o número de assentos padrão da classe econômica para isso.
Um número ligeiramente menor de pessoas está voando neste ano em comparação com o anterior, mas a demanda geral continua forte, mesmo com passagens mais caras. As inspeções de segurança nos aeroportos dos Estados Unidos caíram 1% neste ano até 20 de setembro em relação ao mesmo período de 2025, segundo nota da Bernstein de 23 de setembro.
Ainda assim, o dado mais recente de inflação nos Estados Unidos mostrou que as passagens aéreas subiram 23,4% em agosto na comparação anual. Nas viagens de fim de ano, a alta pode ser ainda maior. Em 24 de setembro, a plataforma de monitoramento de tarifas Hopper indicava que as passagens domésticas de ida e volta para o Dia de Ação de Graças estavam em US$ 402, alta de 31% em relação ao ano passado. Já as tarifas nos EUA para o Natal subiram 23%, para US$ 452 ida e volta.
Essas viagens de fim de ano são essenciais para muitas famílias, afirmou a economista da Hopper Hayley Berg, e por isso muitos passageiros podem não gostar do preço, mas comprar mesmo assim. Segundo Berg, muitos clientes vêm garantindo as passagens para o Dia de Ação de Graças e o Natal mais cedo do que o habitual.
Embora a demanda por viagens de negócios tenha sido forte nos últimos meses e as viagens fora da alta temporada já não sejam segredo de viajante experiente, o foco dos consumidores nessas viagens importantes de fim de ano pode abrir espaço para promoções no período intermediário, afirmou Berg.
“Para mim, isso sinaliza que eles já estão pensando nas viagens de fim de ano e não em nenhuma dessas viagens de preenchimento, de baixa temporada no outono”, disse.
Leia também: Petrobras eleva preço do querosene de aviação em 11,8%
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Siga o Times | CNBCAs companhias aéreas preveem crescimento de dois dígitos na receita do terceiro trimestre, à medida que os clientes gastam mais. Isso ocorre mesmo com uma leve queda no número de passageiros.
“Eu nunca vi, na minha carreira, fora de uma recuperação talvez após a pandemia ou o 11 de Setembro, um ambiente de receita assim em termos de melhora na comparação anual”, afirmou o CEO da American Airlines, Robert Isom, em uma conferência de investidores do Morgan Stanley no mês passado. A companhia vem reformulando suas cabines para adicionar mais assentos premium e fazer outras mudanças para reduzir a distância em relação às concorrentes.
Mas, apesar das tarifas mais altas, analistas de Wall Street reduziram suas estimativas de lucro para as companhias aéreas dos Estados Unidos desde uma nova alta do combustível de aviação no verão.
Em julho, a American afirmou que espera prejuízo ajustado entre US$ 0,10 e US$ 0,70 por ação no terceiro trimestre e reduziu sua projeção de lucro para 2026.
As negociações intermitentes por uma trégua entre os Estados Unidos e o Irã desde o primeiro semestre mantiveram os preços dos combustíveis voláteis, mas as companhias aéreas vêm preservando os aumentos nas tarifas enquanto os clientes continuam fazendo reservas.
Investidores e consumidores que pretendem comprar passagens aéreas nos próximos meses terão uma visão mais atualizada do cenário quando a temporada de balanços das companhias aéreas começar na sexta-feira, com a divulgação dos resultados da Delta Air Lines. A empresa, a mais lucrativa do setor aéreo dos Estados Unidos e que também pode se beneficiar de sua refinaria própria, apresentará os números do terceiro trimestre e uma nova projeção para o fim do ano.
O foco de Wall Street estará no quarto trimestre e nos períodos seguintes. As companhias aéreas provavelmente reduzirão suas projeções de lucro para o trimestre, afirmou Savanthi Syth, analista do setor aéreo da Raymond James.
Segundo ela, as empresas provavelmente não farão tantos aumentos generalizados de tarifas neste momento. Mas, se o combustível de aviação permanecer na faixa de US$ 4 a US$ 4,50 por galão, elas devem cortar mais voos, o que pode acabar elevando as passagens à medida que os consumidores enfrentam uma oferta menor de assentos.
“Vamos ver uma racionalização maior da capacidade”, afirmou.
A volatilidade dos custos com combustível mantém as companhias aéreas cautelosas. As empresas reduziram parte de suas malhas para eliminar rotas pouco lucrativas ou com desempenho abaixo do esperado.
Além da redução de rotas, o colapso da companhia aérea de baixo custo Spirit Airlines, em maio, retirou entre 1% e 2% da capacidade do mercado americano, segundo o Barclays. Com isso, tanto companhias de baixo custo quanto empresas tradicionais ganharam maior poder para definir preços neste ano.
Mas, se os preços do petróleo caírem, os investidores ficarão atentos para saber se as companhias aéreas voltarão a ampliar significativamente a capacidade, o que poderia acabar pressionando as tarifas para baixo.
“Esperamos que as tarifas mais altas já reservadas resultem em tendências semelhantes de receita unitária no quarto trimestre para a maioria das companhias aéreas, mas o forte crescimento da capacidade doméstica na American e na United (+10% e +9% nas programações atuais) provavelmente será a orientação mais acompanhada pelos investidores”, afirmou Brandon Oglenski, analista do setor aéreo do Barclays, em nota de 28 de setembro.
“Com os preços de energia elevados e as margens de refino do combustível de aviação permanecendo altas, esperamos que a maioria das equipes de gestão reduza significativamente as ambições de crescimento de capacidade, e algumas empresas poderão apresentar antecipadamente suas expectativas para o planejamento de 2027”, acrescentou.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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