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Publicado 08/06/2026 • 16:45 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
Foto: The Wall Street Journal/ Yin Bogu / Xinhua
Por que Xi Jinping escolheu a Coreia do Norte para sua primeira viagem internacional de 2026?
O presidente da China, Xi Jinping, iniciou nesta segunda-feira (8) uma visita de dois dias à Coreia do Norte, sua primeira viagem internacional de 2026 e também a primeira ao país vizinho desde 2019.
O encontro com o líder norte-coreano Kim Jong-un acontece em um momento de mudanças no equilíbrio de forças da Ásia, marcado pela aproximação entre Pyongyang e Moscou, pela rivalidade crescente entre China e Estados Unidos e pela busca chinesa de reafirmar sua influência regional.
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Segundo informações divulgadas pela CNBC, a escolha da Coreia do Norte como primeiro destino internacional do líder chinês neste ano reflete a importância estratégica que Pequim atribui à relação bilateral e aos desafios geopolíticos que surgiram nos últimos anos.
Um dos principais objetivos da visita é demonstrar que a China continua sendo o principal parceiro político e econômico da Coreia do Norte, apesar do fortalecimento dos laços entre Pyongyang e a Rússia.
Nos últimos anos, Kim Jong-un ampliou a cooperação militar com Moscou, especialmente após o início da guerra na Ucrânia.
Esse movimento elevou o peso internacional da Coreia do Norte e reduziu parte da dependência histórica do país em relação à China.
De acordo com o The Wall Street Journal, Xi busca evitar que a influência russa sobre Pyongyang ultrapasse a capacidade de influência chinesa.
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Durante o encontro, o líder chinês defendeu que os dois países protejam conjuntamente seus interesses de segurança e desenvolvimento, além de contribuírem para a estabilidade regional.
A viagem também faz parte de um projeto mais amplo da política externa chinesa. Nos últimos anos, Xi Jinping tem defendido uma ordem internacional menos dependente das potências ocidentais e com maior protagonismo da China.
Pequim vê a parceria com a Coreia do Norte como um elemento importante para fortalecer sua posição diante dos Estados Unidos e de seus aliados na Ásia.
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A visita ocorre em meio ao aumento das tensões envolvendo Taiwan e às divergências entre China e Japão. Analistas afirmam que Pequim deseja ampliar o alinhamento político de Pyongyang em temas considerados estratégicos para a segurança chinesa.
Além da geopolítica, a agenda inclui temas econômicos. Durante as reuniões, Xi destacou a retomada dos voos civis e dos trens internacionais de passageiros entre os dois países, medida que deve ampliar o comércio e a circulação de pessoas.
Segundo o The Guardian, os dois governos também discutem formas de aprofundar a cooperação econômica e incentivar o turismo bilateral após anos de restrições causadas pela pandemia.
Embora a Coreia do Norte tenha ampliado suas relações com a Rússia, a China continua sendo seu principal parceiro comercial e fonte de apoio econômico.
A questão nuclear continua sendo um dos temas mais sensíveis da relação entre os dois países. Analistas consultados pela CNBC avaliam que Kim Jong-un pretende aproveitar a visita para buscar maior aceitação internacional do status nuclear norte-coreano.
Nas últimas semanas, Pyongyang inaugurou uma nova instalação de enriquecimento de urânio e voltou a defender a expansão acelerada de seu arsenal atômico.
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Apesar de historicamente apoiar a desnuclearização da Península Coreana, Pequim tem evitado declarações mais contundentes sobre o tema nos últimos anos.
Essa postura alimenta especulações sobre uma possível mudança na abordagem chinesa diante do avanço do programa nuclear norte-coreano.
A escolha da Coreia do Norte como primeira viagem internacional de Xi em 2026 também tem forte valor simbólico. O deslocamento acontece após meses em que o presidente chinês concentrou sua agenda diplomática em encontros realizados dentro da própria China.
A decisão demonstra que Pequim considera a relação com Pyongyang um elemento central de sua estratégia regional. Ao mesmo tempo, envia uma mensagem aos Estados Unidos, ao Japão e aos demais atores da região de que a China pretende manter papel decisivo nos rumos da Península Coreana.
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A visita ocorre ainda às vésperas do 65º aniversário do tratado de amizade e assistência mútua entre China e Coreia do Norte, acordo que permanece como o único pacto formal de defesa assinado por Pequim com outro país.
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