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Publicado 02/06/2026 • 23:59 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
Foto: Unsplash
Como a disputa entre EUA e China afeta a indústria automotiva global?
A disputa entre EUA e China deixou de ser apenas um embate diplomático e passou a influenciar diretamente setores estratégicos da economia global.
Entre eles, a indústria automotiva é uma das mais expostas, já que depende de cadeias produtivas internacionais e estruturas acionárias cada vez mais complexas.
Leia também: Mercedes-Benz pode ficar fora do mercado dos EUA por projeto de lei voltado à participação chinesa em montadoras
Nos EUA, o avanço do Motor Vehicle Modernization Act of 2026 reacende o debate sobre o papel do capital estrangeiro na indústria automotiva.
O projeto bipartidário propõe restringir empresas com participação direta ou indireta de governos considerados adversários, como a China, de fabricar, importar ou vender veículos no país.
A medida tem como foco reduzir a influência chinesa em setores estratégicos, mas seus efeitos podem ser mais amplos do que o esperado, atingindo montadoras globais com participação acionária mista.
Nesse cenário, a Mercedes-Benz passou a ser citada como um dos casos sensíveis. A montadora alemã tem como maior acionista individual a chinesa BAIC, que detém cerca de 9,98% da empresa. Além disso, o investidor Li Shufu, ligado à Geely, possui outros 9,69%.
Somadas, essas participações chegam a quase 20%, o que levanta dúvidas sobre como aplicar a legislação. Dependendo da interpretação do texto, as autoridades podem enquadrar a empresa nas restrições, o que impactaria sua atuação no mercado americano.
O projeto também inclui critérios amplos sobre “controle indireto” por governos estrangeiros adversários, o que aumenta a incerteza regulatória. Na prática, montadoras com capital globalizado podem sofrer impactos mesmo sem controle majoritário chinês.
Além disso, outras propostas em discussão no Congresso dos EUA reforçam o cerco a tecnologias chinesas em veículos conectados, ampliando o alcance das restrições para além da estrutura societária.
Essas mudanças não afetam apenas empresas isoladas, mas toda a dinâmica da indústria automotiva global. Montadoras como Volvo, Lotus e outras companhias com participação chinesa também podem sofrer impactos, dependendo das regras finais.
O resultado é um cenário de maior fragmentação do mercado, em que decisões políticas passam a influenciar diretamente investimentos, produção e acesso a mercados estratégicos.
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Embora o objetivo das medidas seja reforçar a segurança econômica e tecnológica dos Estados Unidos, o efeito colateral é a criação de novas barreiras no comércio global.
Na prática, a disputa entre EUA e China transforma a indústria automotiva em um campo de tensão geopolítica, onde estrutura societária e origem do capital se tornam fatores decisivos para operar em mercados-chave.
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