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O que é o USTR e qual seu papel na disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos?
Publicado 08/07/2026 • 19:00 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 08/07/2026 • 19:00 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
Foto: Magnific
O que é o USTR e qual seu papel na disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos
A disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos segue ganhando novos capítulos nesta semana. Enquanto o governo americano avalia a aplicação de novas tarifas sobre produtos brasileiros, representantes dos dois países e dos setores de produção participam de uma audiência pública que pode influenciar os próximos passos das negociações.
No centro desse processo está o USTR, órgão responsável pela política comercial dos Estados Unidos. Além de conduzir investigações sobre práticas comerciais de outros países, o escritório também negocia acordos e apresenta propostas que podem afetar diretamente empresas, exportações e consumidores.
Leia também: De máquinas a calçados: quais setores vão falar nesta terça na audiência pública contra o tarifaço dos EUA
A audiência pública começou na última segunda-feira (6) e termina nesta terça-feira (7). O encontro reúne representantes do governo americano e autoridades brasileiras para discutir a investigação aberta com base na chamada “Seção 301” da legislação comercial dos Estados Unidos.
Durante o debate, o USTR analisa temas como comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, com foco no Pix, tarifas preferenciais, combate à corrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e políticas relacionadas ao desmatamento.
Vale lembrar que os dois países já debateram sobre outras taxas aplicadas ainda neste ano. O governo americano anunciou em 2 de junho uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Depois disso, propôs uma cobrança adicional de 12,5% para alguns setores. Com isso, caso as duas medidas entrem em vigor ao mesmo tempo, parte das exportações brasileiras poderá enfrentar uma alíquota de 37,5%.
O USTR é o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos. O órgão coordena a política comercial americana, conduz negociações internacionais e investiga práticas que, na avaliação do governo dos EUA, podem prejudicar empresas ou interesses econômicos do país.
Além disso, também cabe ao USTR negociar acordos comerciais, acompanhar o cumprimento de tratados internacionais e recomendar medidas como tarifas, sanções e outras restrições quando identifica possíveis irregularidades.
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Siga o Times | CNBCDessa forma, na atual investigação envolvendo o Brasil, o escritório analisa diferentes áreas da economia brasileira antes de decidir se mantém ou altera as tarifas anunciadas.
O governo brasileiro já enviou um documento de 29 páginas ao USTR. No material, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirma que a proposta de sobretaxar produtos brasileiros é “irracional” e “discriminatória”. Segundo o governo, uma tarifa linear de 25% prejudicaria empresas, consumidores e cadeias de suprimentos dos dois países sem resolver as preocupações levantadas pelos americanos.
O documento também rebate críticas ao Pix, alvo constante das autoridades americanas. O Brasil argumenta que o sistema não discrimina empresas estrangeiras e que sua expansão aumentou a concorrência, reduziu custos e ampliou a inclusão financeira.
Leia também: Setores integrados à economia dos EUA podem escapar de tarifaço contra o Brasil
Além dos representantes dos governos, diversas entidades empresariais participam da audiência. Entre elas estão a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e representantes dos setores de arroz, calçados, açúcar, café, ferro-gusa, etanol e mel.
Além disso, a Confederação Nacional da Indústria estima que, caso todas as medidas avancem, 31,6% das exportações brasileiras para os Estados Unidos passarão a pagar tarifa de 37,5%. Atualmente, a alíquota aplicada sobre esses produtos é de 10%.
A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) também contesta os argumentos do USTR. Com isso, a entidade destaca que os Estados Unidos importaram US$ 3,2 bilhões em máquinas brasileiras em 2025 e registraram superávit comercial de US$ 1,2 bilhão nessa relação. De acordo com eles, o uso dos equipamentos faz parte de cadeias produtivas complexas.
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