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“Master Paraguaio”: Peña pode ter fugido do país, dizem parlamentares; Senado decide impeachment hoje

Publicado 06/11/2026 • 07:21 | Atualizado há 2 minutos

KEY POINTS

  • A deputada Johana Ortega e o senador Rubén Velázquez levantaram suspeitas de que Peña teria ido à Argentina e solicitado asilo político a Javier Milei, sem apresentar provas públicas.
  • Santiago Peña anunciou sua renúncia na quinta-feira (5), mas continua formalmente presidente porque o Congresso não concluiu a votação do pedido.
  • O Ueno Bank, ligado a um grupo empresarial do qual Peña foi acionista, recebeu cerca de US$ 862 milhões em depósitos de órgãos públicos e previdenciários até julho de 2026.

Foto: AFP

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, pode ter deixado o país e fugido para a Argentina, segundo parlamentares da oposição. A suspeita surgiu na quinta-feira (5), durante uma sessão do Congresso que discutia sua renúncia, apresentada em meio a uma crise bancária. Até o início da manhã desta sexta-feira (6), não havia confirmação pública independente de seu paradeiro.

A deputada Johana Ortega questionou se o Congresso havia recebido alguma comunicação sobre a saída de Peña do território paraguaio. Segundo ela, circulavam informações de que o presidente já estaria na Argentina. O senador Antonio Rubén Velázquez afirmou que havia relatos de que Peña teria deixado o país sem informar as autoridades e possivelmente solicitado asilo político ao presidente argentino, Javier Milei.

De acordo com o jornal paraguaio ABC Color, o secretário do Congresso respondeu que não havia recebido comunicação oficial de viagem. Os parlamentares não apresentaram documentos ou outras provas públicas que comprovassem a suposta fuga.

Autoridades desconheciam paradeiro de Peña

A suspeita de fuga ganhou força depois que autoridades paraguaias também admitiram desconhecer a localização do presidente. Na tarde de quinta-feira (5), o porta-voz da Presidência, Guillermo Grance, afirmou a jornalistas que não sabia onde Peña estava, segundo o jornal paraguaio ABC Color.

Horas depois, o presidente da Câmara dos Deputados, Raúl Latorre, também declarou desconhecer o paradeiro do presidente.

Mais tarde, Grance afirmou que Peña permanecia em Assunção, capital paraguaia, mas não revelou sua localização exata, alegando razões de segurança.

O governo argentino também negou que Peña tivesse entrado no país ou solicitado asilo político. Fontes da Casa Rosada disseram ao jornal La Nación que não havia registro de sua entrada em território argentino.

Na noite de quinta-feira, Peña publicou uma mensagem nas redes sociais afirmando que compareceria ao Senado para apresentar sua defesa no processo de impeachment. A sessão estava marcada para as 10h desta sexta-feira (6), no horário de Brasília.

Renúncia não foi aceita pelo Congresso

Peña anunciou sua renúncia na quinta-feira, após o agravamento da crise envolvendo o Ueno Bank, instituição financeira privada que recebeu grandes volumes de recursos públicos durante seu governo.

O ministro do Interior, Enrique Riera, entregou a carta de renúncia ao Congresso. No entanto, a sessão convocada para decidir sobre o pedido terminou sem quórum após a saída de parlamentares governistas.

Como a votação não foi concluída, Peña permanece formalmente no cargo.

A Câmara dos Deputados já havia aprovado a abertura do processo de impeachment, que passou a ser analisado pelo Senado. A acusação apresenta cinco fundamentos relacionados à atuação do governo na crise bancária, incluindo possíveis conflitos de interesse, irregularidades na fiscalização e suspeitas de favorecimento econômico.

Qual é a relação de Peña com o Ueno Bank?

O Ueno Bank pertence ao setor privado e integra o conglomerado empresarial Grupo Vázquez, presidido por Federico Miguel Vázquez Villasanti.

Peña foi acionista da Credicentro, empresa ligada ao grupo que posteriormente passou a se chamar Ueno Holding Saeca. Ele adquiriu a participação em março de 2019, antes de assumir a Presidência do Paraguai, em agosto de 2023.

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Sua participação correspondia a 1,58% do capital da holding, com valor nominal de 6,144 bilhões de guaranis. Peña afirmou ter encerrado o investimento em março de 2025, após uma operação de redução de capital.

O presidente nega ter sido acionista diretamente do Ueno Bank. Segundo sua versão, seu investimento era na holding empresarial, e ele recebeu o pagamento correspondente às ações quando deixou a sociedade.

O valor efetivamente recebido na operação não foi comprovado publicamente nas fontes consultadas.

Banco recebeu US$ 862 milhões em recursos públicos

A relação empresarial passou a ser questionada porque o Ueno Bank recebeu grandes volumes de dinheiro de instituições estatais durante o governo Peña.

Em julho de 2026, o Ueno Bank concentrava aproximadamente 5,1 trilhões de guaranis, equivalentes a US$ 862 milhões, em depósitos de órgãos públicos e do Instituto de Previdência Social (IPS), segundo dados do Ministério da Economia e Finanças divulgados pelo jornal paraguaio ABC Color.

O IPS, responsável pela previdência e por serviços de saúde dos trabalhadores, tinha cerca de US$ 355 milhões aplicados na instituição, segundo informações apresentadas durante a crise.

Embora o Ueno Bank fosse privado, esses recursos pertenciam a instituições públicas, o que ampliou as consequências de seus problemas financeiros.

A oposição questiona se a relação anterior de Peña com o Grupo Vázquez influenciou decisões sobre depósitos estatais e fiscalização bancária. Até agora, não foi apresentada prova pública de que o presidente tenha ordenado pessoalmente a transferência desses recursos.

Investigação criminal e prisão de banqueiro

O Banco Central do Paraguai iniciou o procedimento de resolução do Ueno Bank em 2 de novembro, após identificar uma deterioração grave de seus índices de solvência.

A autoridade monetária também apontou operações de crédito com empresas vinculadas ao próprio grupo empresarial acima dos limites permitidos. A crise provocou o bloqueio de operações e aumentou a preocupação de clientes e órgãos públicos com a recuperação dos recursos depositados.

Na quinta-feira, a Justiça determinou a prisão preventiva de Federico Miguel Vázquez Villasanti, ex-CEO e ex-vice-presidente do banco, além de outros antigos dirigentes. O processo envolve suspeitas de crimes financeiros e patrimoniais.

No mesmo dia, o Ministério Público abriu uma investigação criminal específica contra Santiago Peña, relacionada às denúncias sobre a instituição financeira.

Os parlamentares Johana Ortega e Rubén Velázquez, responsáveis pelas declarações sobre a possível fuga, também estão entre os signatários de uma ampliação da denúncia criminal contra o presidente e autoridades de órgãos reguladores.

As investigações procuram esclarecer eventuais responsabilidades pela destinação de recursos públicos ao banco, pela fiscalização de suas operações e por possíveis conflitos de interesse. As acusações ainda não representam comprovação de responsabilidade criminal de Peña.

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