CNBC
Sam Altman, CEO da OpenA

CNBCRitmo frenético de lançamentos provoca ‘fadiga de modelos’ na indústria de IA

Mundo

O setor açucareiro está superando o mercado de ações este ano. Veja o que está impulsionando esse crescimento e para onde ele pode ir daqui em diante

Publicado 06/09/2026 • 11:51 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Em agosto, os preços do açúcar bruto registraram seu maior ganho mensal desde outubro de 2010.
  • O fortalecimento do El Niño e a menor produção na Europa, no Brasil e na Índia reduziram a oferta global.
  • Os preços elevados do petróleo, que podem prejudicar a produção de cana-de-açúcar nos principais países exportadores, também estão incentivando as usinas brasileiras a destinar mais cana-de-açúcar para a produção de etanol.

O açúcar está ficando bem menos atraente para os compradores.

Os preços do açúcar subiram 21,5% em agosto, registrando o maior aumento mensal desde outubro de 2010, quando registraram alta de 24%. O Índice de Preços de Alimentos da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) também subiu em agosto, em meio a aumentos generalizados, liderados pelo açúcar.

“O aumento refletiu as expectativas de menores rendimentos de beterraba sacarina na União Europeia devido às condições climáticas adversas, preocupações com o impacto do El Niño nas perspectivas de produção em importantes países produtores da Ásia, menor produção de açúcar no Brasil e o anúncio da Índia sobre a isenção de impostos na importação de açúcar bruto”, afirmou a organização em seu relatório recente.

A alta de agosto impulsionou os contratos futuros de açúcar, superando o índice S&P 500. No acumulado do ano, o adoçante acumula alta de cerca de 20% em 2026, em comparação com o avanço de quase 13% do índice geral do mercado.

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) destaca que a alta do preço do açúcar está ligada a diversos fatores que, em conjunto, estão impulsionando os preços no mercado.

A alta do preço do açúcar reflete uma mudança nas expectativas sobre a oferta global, de acordo com William Osnato, diretor de pesquisa e análise de dados de commodities da Barchart. Osnato disse à CNBC que os danos à safra de beterraba sacarina da Europa durante uma onda de calor no verão foram um dos maiores fatores imediatos.

A beterraba sacarina é cultivada nos mesmos locais e aproximadamente na mesma época que o milho e o trigo, portanto, a onda de calor pode afetar significativamente a produção de açúcar.

“Isso já foi levado em consideração ao longo do último mês. Por isso, várias organizações reduziram suas estimativas de produção”, disse Osnato.

Diferentes organizações reduziram drasticamente suas estimativas de produção ou aumentaram as estimativas de déficit em seus relatórios recentes. O último balanço açucareiro da Comissão Europeia estima uma queda de 19% na produção da UE, para 13,4 milhões de toneladas métricas, na safra 2026/27, ante 16,6 milhões de toneladas em 2025/26. O Citi projetou um déficit mundial de 1,3 milhão de toneladas métricas em um relatório divulgado na terça-feira, e a Green Pool Commodity Specialists estimou 3,2 milhões de toneladas métricas.

“O que geralmente é constante é que todos estão indo na mesma direção”, disse Osnato. “Todos estão aumentando o déficit.”

Na nota, os analistas do Citi classificaram o açúcar como o mercado de commodities agrícolas negociado na Intercontinental Exchange com a maior convicção de alta. O banco elevou sua meta de preço para 19 centavos de dólar por libra em três meses, citando a redução dos estoques, o programa de importação inesperado da Índia e a piora das condições climáticas na Índia, Tailândia e União Europeia.

El Niño ameaça as próximas colheitas

Osnato afirmou que o El Niño, um padrão climático global que pode trazer temperaturas oceânicas mais quentes e condições climáticas severas, é provavelmente “a maior preocupação para o futuro”.

Times Brasil - CNBC

Siga o Times | CNBC no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo.

Siga o Times | CNBC

Um El Niño potencialmente extremo intensifica a pressão sobre os preços do açúcar.

Brasil, Índia e Tailândia, juntos, respondem por aproximadamente 70% das exportações globais de açúcar. O Goldman Sachs afirmou em nota que a seca durante a safra pode reduzir a produtividade da cana, enquanto o excesso de chuvas durante a colheita pode interromper o trabalho no campo e diminuir o teor de açúcar. A previsão mediana multimodelo do Climate Brink mostra que a anomalia de temperatura para a região do El Niño 3.4 no Oceano Pacífico atingirá um pico próximo a 3,9 graus Celsius — ou cerca de 39 graus Fahrenheit — em novembro. Isso está bem acima do limite de 2 graus Celsius, ou 35,6 graus Fahrenheit, para um El Niño muito forte.

A Índia tem enfrentado chuvas abaixo da média em importantes regiões produtoras de açúcar. Uma monção fraca pode esgotar os reservatórios, desestimulando muitos agricultores a plantar cana-de-açúcar, uma cultura que exige muita água, na próxima safra. Além disso, espera-se que as temperaturas excepcionalmente elevadas do Oceano Pacífico tragam chuvas irregulares e escassez de água em toda a Tailândia.

A mudança do Brasil para o etanol e as importações de açúcar da Índia

O aumento dos preços da energia também está tornando o etanol mais atrativo em relação ao açúcar no Brasil, onde as usinas podem transferir cana-de-açúcar entre os dois produtos.

“Quando o preço do petróleo aumenta, os países que produzem etanol a partir da cana-de-açúcar têm um incentivo maior para produzir mais etanol e exportar menos açúcar para o mercado global”, disse Rob Johansson, diretor de economia e análise de políticas da American Sugar Alliance, à CNBC por e-mail. “Com os preços do petróleo acima de US$ 90 o barril, países como o Brasil, que subsidia fortemente sua indústria de etanol, estão produzindo mais biocombustível, reduzindo a quantidade de açúcar disponível no mercado e pressionando os preços para cima”, afirmou Johansson.

O Brasil sozinho responde por aproximadamente metade das exportações mundiais de açúcar. As usinas brasileiras geralmente podem alternar sua produção entre açúcar e etanol, dependendo de qual for mais lucrativo.

Segundo a análise do Goldman Sachs, como o milho é uma matéria-prima importante para a produção de etanol, juntamente com a cana-de-açúcar, uma safra de milho mais fraca devido às secas relacionadas ao El Niño pode desviar mais cana-de-açúcar para a produção de etanol, deixando menos açúcar disponível para exportação.

A chuva também atrasou a colheita no Brasil, disse Osnato. Parte da produção poderá ser recuperada assim que os campos secarem, tornando uma recuperação no teor de açúcar brasileiro ou uma colheita mais rápida um dos riscos de queda mais evidentes para os preços.

A Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar , atrás apenas do Brasil, autorizou recentemente a importação de 1 milhão de toneladas métricas de açúcar bruto isentas de impostos. O governo indiano afirmou que a decisão visa reforçar o abastecimento interno em meio à queda na produção, à demanda sazonal e à alta dos preços. Com a Índia restringindo as exportações ao entrar no mercado como compradora, a disponibilidade de açúcar para outros países importadores poderá ser menor.

Osnato afirmou que a decisão foi tomada após duas safras decepcionantes e é significativa por se tratar da primeira autorização de importação da Índia desde a temporada de 2017-2018. Mesmo que a Índia importe apenas cerca de metade da quantidade autorizada, disse ele, a medida reforça a percepção de que a oferta está mais restrita do que se estimava anteriormente.

“O Brasil continua sendo o principal fornecedor de equilíbrio do mercado, mas os riscos de execução relacionados ao clima durante o restante da colheita deixam pouca margem para erros”, escreveu o analista do Citi, Arkady Gevorkyan, em uma nota.

📌 ONDE ASSISTIR AO MAIOR CANAL DE NEGÓCIOS DO MUNDO NO BRASIL:


🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais

🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562

🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube

🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Zapping | Novos Streamings

Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no

Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.

MAIS EM Mundo