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Tarifas nos EUA: quais são os próximos passos após decisão da Suprema Corte?
Publicado 23/02/2026 • 18:00 | Atualizado há 8 meses
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Publicado 23/02/2026 • 18:00 | Atualizado há 8 meses
KEY POINTS
Na última sexta-feira (20), a Suprema Corte dos Estados Unidos (EUA) decidiu que o presidente Donald Trump não está autorizado a impor tarifas de importação amplas de forma unilateral.
Em geral, a interpretação do tribunal é de que Trump usou indevidamente a Lei de Emergência (International Emergency Economic Powers Act). Também conhecida pela sigla IEEPA, a legislação de 1977 permite que o presidente regule o comércio internacional em caso de emergência nacional – o que ocorre quando há alguma ameaça incomum aos Estados Unidos, mas vinda de fora.
Na prática, o que os ministros da Corte deliberaram é que medidas de alto impacto econômico exigem autorização do Congresso. Conforme o Artigo I da Constituição dos EUA, cabe ao Legislativo instituir e arrecadar impostos – incluindo as tarifas alfandegárias.
Ademais, a discussão na Suprema Corte aconteceu devido à ação movida por empresas afetadas pelas tarifas. Essas instituições contaram ainda com o apoio de 12 dos 50 estados estadunidenses.
Com a decisão sobre as tarifas definida, o que muda a partir de agora?
Conforme o relatório da XP, a decisão da Suprema Corte diz respeito principalmente às tarifas “recíprocas”. No entanto, as taxas em vigor não serão automaticamente derrubadas.
Na verdade, a Corte deixou claro que tarifas fundamentadas em outros marcos legais seguem intactas. Entre elas, estão as medidas baseadas:
Portanto, devem permanecer em vigor tarifas aplicadas sobre produtos como aço e alumínio. Além disso, sobretaxas direcionadas a setores específicos também serão mantidas. Mesmo assim, ainda dependem do caso e da fundamentação jurídica adotada.
Leia também: Bolsas da Europa fecham sem coesão em meio a reações a tarifas dos EUA e geopolítica
Para o Brasil, segundo a XP, o efeito imediato é limitado. Em abril de 2025, Donald Trump anunciou uma tarifa geral de 10%. Entretanto, o presidente retirou a tarifa em novembro do mesmo ano.
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Siga o Times | CNBCAtualmente, o que segue válido é a sobretaxa de 40%, aplicada em julho em produtos brasileiros que estavam de fora da lista de exceções da Casa Branca.
Contudo, a decisão da Suprema Corte permite questionar judicialmente essa sobretaxa – caso ela tenha sido pautada a partir da IEEPA. Ou seja, há possibilidade de revogação, mas ela não deve ser automática e nem imediata.
Leia também: Trump ameaça aumentar tarifas sobre países que ‘fizerem joguinhos’ com decisão da Suprema Corte
Para o Poder Executivo – isto é, o Presidente Donald Trump – a decisão da Corte significa uma derrota para ele. No entanto, a imposição de tarifas como instrumento jurídico continua sendo uma possibilidade. Isso porque ele pode recorrer a outras bases legais existentes, como:
No caso de uso desses recursos, o processo pode ser mais lento e setorial.
No que se refere às tarifas já pagas, o que se discute agora é o destino dos valores arrecadados com base na IEEPA.
As tarifas exercem a função de imposto sobre importação. Logo, se a base legal do tributo for invalidada, abre-se a possibilidade de restituir os importadores ou, pelo menos, parte deles. Nesse caso, poderia haver devolução automática, compensações parciais ou ações individuais.
Entretanto, ainda não está clara qual será a solução para essa questão. Na verdade, o tema pode gerar novos atritos judiciais e políticos.
Por fim, o que se entende pela decisão da Suprema Corte é que os limites institucionais da política comercial dos EUA foram redefinidos. Dentro disso, é possível que os efeitos atinjam mais do que o governo atual: os futuros governos também. Já para parceiros comerciais, embora o risco de novas tarifas não seja eliminado, ao menos a previsibilidade jurídica deve ser maior.
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