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Marca francesa de roupa íntima aposta em IPO para enfrentar a concorrência do fast fashion

Publicado 14/07/2026 • 10:18 | Atualizado há 49 minutos

KEY POINTS

  • A marca francesa de roupas íntimas Le Slip Français fará sua estreia na bolsa de valores nesta terça-feira.
  • A empresa aposta que os consumidores comprarão roupas íntimas fabricadas localmente para competir com gigantes do fast fashion como Shein e Temu.
  • Guillaume Gibault, fundador e CEO do Le Slip Français, concedeu uma entrevista a Charlotte Reed, da CNBC.

A marca francesa de roupas íntimas Le Slip Français estreou na Bolsa de Valores de Paris nesta terça-feira (14), apostando que os consumidores pagarão por roupas fabricadas localmente em meio à concorrência de gigantes chinesas do fast fashion ultra-barato, como Shein e Temu.

A empresa de vestuário, fundada em 2011 pelo empreendedor Guillaume Gibault para promover os têxteis fabricados na França, expandiu-se desde então para além das roupas íntimas masculinas, incluindo peças íntimas femininas, camisetas, meias, moda praia e outras roupas.

Ela realiza seu IPO na bolsa Euronext Growth Paris na manhã de terça-feira.

“Foi uma aposta há 15 anos provar que é realmente possível fabricar roupas na França”, disse o CEO Gibault à Charlotte Reed, da CNBC, em uma entrevista antes da abertura de capital. “Hoje, a empresa está prestes a abrir o capital, o que é uma grande fonte de alegria e orgulho para nós”, completou.

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O IPO ocorre após o que Gibault descreveu como um ano forte para os negócios. A Le Slip Français gerou 21 milhões de euros (US$ 24,6 milhões) em receita em 2025, juntamente com um lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) de 2,1 milhões de euros e lucro líquido de 700 mil euros, o que, segundo ele, deu à empresa confiança para buscar a abertura de capital.

A Le Slip Français teve um início misto no dia de sua estreia, com as ações caindo brevemente abaixo de seu preço de IPO de 14,80 euros, antes de serem negociadas por último a 15 euros.

Enfrentando Shein e Temu

A marca francesa entra no mercado público no momento em que as gigantes do fast fashion continuam a pressionar as marcas de vestuário com preços ultra-baixos.

Gibault reconheceu que competir contra plataformas como Shein e Temu é um desafio, mas argumentou que a incerteza do comércio global está incentivando as marcas a trazer a produção têxtil para mais perto de casa.

Com base no preço do IPO de 14,80 euros, a empresa buscava uma capitalização de mercado de cerca de 19 milhões de euros antes de sua estreia na bolsa. Enquanto isso, espera-se que a Shein possa realizar seu IPO em setembro ou outubro, visando uma avaliação de US$ 40 bilhões a US$ 50 bilhões, de acordo com a Reuters.

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“Todos nós sabemos que em toda crise há oportunidade”, disse ele. “Há um momento favorável agora para a relocalização de têxteis na França”, afirmou.

Em vez de depender de produção terceirizada, a empresa investiu em sua própria fábrica perto de Paris, onde agora produz cerca de 4,5 mil peças de roupa íntima por dia.

A automação ajudou a reduzir os custos de fabricação, permitindo que a empresa cortasse o preço de varejo de suas roupas íntimas de cerca de 40 euros para aproximadamente 20 euros, mantendo a lucratividade, segundo Gibault.

A Le Slip Français também planeja expandir-se para além de sua própria marca de consumo, fabricando roupas para outras empresas que buscam produção francesa, uma estratégia que descreve como “Made in France como um serviço”.

A empresa tem como meta dobrar a receita até 2030 por meio de uma combinação de crescimento de participação de mercado em roupas íntimas masculinas e expansão de seu negócio de fabricação.

Gibault disse que a empresa detém atualmente cerca de 4% do mercado de roupas íntimas masculinas da França, apesar de ser reconhecida por cerca de 60% da população francesa, deixando espaço para crescimento. Ele acrescentou que a empresa espera reduzir ainda mais os preços ao longo do tempo por meio de maior eficiência na fabricação.

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Questionado sobre os desafios de construir um negócio na França, Gibault disse que o empreendedorismo “sempre foi super difícil”, mas argumentou que os líderes empresariais devem continuar correndo riscos, independentemente do ambiente político.

“Não esperamos nenhuma ajuda. Nós apenas trabalhamos”, disse ele, acrescentando que regras estáveis importam mais do que subsídios governamentais. “O tempo da política não é o tempo do empreendedorismo”, afirmou.

Ao invés disso, segundo ele, o futuro da empresa depende de clientes que acreditam que a fabricação local pode competir tanto em qualidade quanto em preço, uma crença que a Le Slip Français agora pede que os investidores públicos também apoiem.

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