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Bancos brasileiros com ativos nos EUA entram na mira após classificação de PCC e Comando Vermelho como terroristas
Publicado 05/06/2026 • 09:00 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 05/06/2026 • 09:00 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
A classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos, que passou a valer nesta sexta-feira (5), abre uma nova frente de risco para o sistema financeiro brasileiro. Bancos e empresas com ativos nos EUA passam a correr o risco de sofrer sanções por qualquer suspeita de associação com lavagem de dinheiro dessas facções, ainda que de forma indireta e involuntária.
O alerta é de Vinícius Rodrigues Vieira, professor de relações internacionais e economia da Fundação Getulio Vargas (FGV), em entrevista à rádio Primacet. Segundo ele, a medida se soma à investigação em curso do Departamento de Comércio americano, que aponta para a aplicação de tarifas pesadas sobre produtos brasileiros, configurando um duplo vetor de pressão sobre a relação Brasil-EUA.
Leia também: Classificação de PCC e CV como organizações terroristas pelo EUA começa a valer nesta sexta (5); veja o que muda
🔍 Sanções indiretas Restrições financeiras aplicadas a empresas ou instituições que, mesmo sem intenção, mantêm negócios com entidades ou pessoas ligadas a organizações classificadas como terroristas. Nos EUA, a simples suspeita de associação pode levar ao congelamento de ativos e à proibição de operações no sistema financeiro americano.
A lógica da exposição é direta. Com PCC e Comando Vermelho na lista de organizações terroristas do governo americano, qualquer banco ou empresa brasileira que tenha, ainda que sem conhecimento, negócios com empresas associadas ao crime organizado passa a estar vulnerável a sanções. O alcance potencial é amplo o suficiente para afetar, em última instância, todo o sistema financeiro internacional com conexões ao Brasil.
Rodrigues Vieira avalia que a medida faz parte de um conjunto de ações coordenadas pelo governo Trump para pressionar o Brasil a adotar determinados rumos na política e na economia. “O que tem se passado nos últimos dias na relação entre Brasil e Estados Unidos resolve uma série de medidas que claramente tem como objetivo pressionar o Brasil”, disse o professor, em transcrição da entrevista.
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Para o professor da FGV, não há muitas alternativas imediatas além de agir com rapidez em duas frentes. A primeira é pragmática: mapear os riscos, entender juridicamente o que pode ser feito caso sanções sejam impostas e acionar os mecanismos de compliance já existentes nas grandes instituições financeiras.
Na prática, isso significa fazer uma varredura nas carteiras de clientes e contrapartes em busca de contas ou ativos com potencial vinculação ao crime organizado, antes que qualquer sanção formal seja decretada.
A segunda frente é mais ampla. Rodrigues Vieira recomenda que o setor produtivo e o setor financeiro se unam para atuar junto a autoridades brasileiras, americanas e, principalmente, ao setor privado dos EUA, com o objetivo de reduzir o alcance desses instrumentos que, por ora, ainda não se converteram em sanções efetivas.
Além da questão das facções, o professor chama atenção para outro alvo elencado pelo governo americano: o Pix. O sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central brasileiro, que é uma política de Estado e não de governo, facilitou a vida de pequenos e grandes empreendedores e abriu espaço para empresas estrangeiras no país. Justamente por isso, contraria os interesses americanos na promoção de sistemas de pagamento privados.
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Seguir no GooglePara Rodrigues Vieira, o conjunto das medidas indica que o Brasil opera agora sob pressão crescente, agravada pelo ciclo eleitoral que se aproxima. Com o primeiro turno das eleições presidenciais a menos de cinco meses, os canais de diálogo entre os poderes executivos dos dois países tendem a permanecer travados até que haja uma definição política interna.
Nesse cenário, o professor avalia que o setor privado não pode esperar de mãos atadas, e que o caminho mais eficaz passa pelo Congresso americano, onde parlamentares com mandatos em disputa em novembro podem ter interesse em flexibilizar tarifas que prejudiquem seus próprios eleitores.
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