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De sebo de boi a disjuntores de baixa tensão; veja os principais produtos de MG afetados pelo tarifaço
Publicado 22/07/2026 • 09:20 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 22/07/2026 • 09:20 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
Tarifaço dos EUA atinge 15 produtos de MG, com destaque para sebo bovino e disjuntores de baixa tensão
A tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros passou a valer nesta quarta-feira (22/7) e amplia a pressão sobre setores da indústria de Minas Gerais. De acordo com um levantamento do Centro Internacional de Negócios da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais, o CIN/FIEMG, os 15 principais produtos afetados somaram cerca de US$ 234 milhões em exportações aos Estados Unidos em 2025.
| SH6 | Produto | Exportações de MG em 2025 | Participação de MG no Brasil |
|---|---|---|---|
| 150210 | Sebo de bovinos, ovinos ou caprinos | US$ 33,96 milhões | 7,96% |
| 853620 | Disjuntores para tensão igual ou inferior a 1 kV | US$ 32,90 milhões | 97,21% |
| 330590 | Outras preparações capilares | US$ 22,25 milhões | 58,56% |
| 710399 | Outras pedras preciosas ou semipreciosas trabalhadas | US$ 21,34 milhões | 71,75% |
| 681591 | Obras contendo magnesita, dolomita ou cromita | US$ 19,15 milhões | 99,93% |
| 902139 | Válvulas cardíacas, lentes intraoculares e outros aparelhos de prótese | US$ 16,99 milhões | 77,73% |
| 220710 | Álcool etílico não desnaturado, teor igual ou superior a 80% | US$ 15,74 milhões | 9,66% |
| 691090 | Pias, lavatórios, banheiras, bidês e artigos sanitários de cerâmica | US$ 10,11 milhões | 72,96% |
| 040721 | Ovos frescos de galinhas | US$ 10,02 milhões | 25,60% |
| 690210 | Tijolos, placas, ladrilhos e peças refratárias com magnésio, cálcio ou cromo | US$ 9,97 milhões | 99,98% |
| 720221 | Ferrossilício com mais de 55% de silício | US$ 9,16 milhões | 59,17% |
| 680300 | Ardósia natural trabalhada e obras de ardósia | US$ 8,84 milhões | 99,90% |
| 901839 | Agulhas, cateteres, sondas e semelhantes para uso médico ou veterinário | US$ 8,29 milhões | 60,72% |
| 170114 | Outros açúcares de cana | US$ 8,19 milhões | 5,94% |
| 710391 | Rubis, safiras e esmeraldas trabalhados | US$ 7,13 milhões | 89,79% |
Dados: Centro Internacional de Negócios da FIEMG, referentes a 2025. SH6 corresponde à classificação do Sistema Harmonizado com seis dígitos.
De acordo com o CIN/FIEMG, os maiores valores estão concentrados no sebo de bovinos, ovinos ou caprinos, com quase US$ 34 milhões, e nos disjuntores de baixa tensão, com aproximadamente US$ 33 milhões. Em seguida aparecem preparações capilares, com pouco mais de US$ 22 milhões, pedras preciosas ou semipreciosas trabalhadas, com cerca de US$ 21 milhões, e obras contendo magnesita, dolomita ou cromita, com aproximadamente US$ 19 milhões.
Leia também: Carne bovina brasileira pode ainda ser alvo de taxa extra de 12,5% por acusação de ‘trabalho escravo’
A participação de Minas Gerais nas exportações brasileiras de alguns desses produtos reforça a dimensão do impacto para o estado. O levantamento aponta que Minas respondeu por mais de 99% do valor exportado pelo Brasil de obras contendo magnesita, dolomita ou cromita, de tijolos, placas e peças refratárias selecionadas, e de ardósia trabalhada. Nos disjuntores de baixa tensão, a participação mineira superou 97% do valor embarcado.
Ainda conforme a federação, o ato que entra em vigor nesta quarta-feira estabelece um período de transição para cargas já embarcadas. Mercadorias que iniciaram o transporte antes de 22 de julho podem ficar livres da nova cobrança, desde que ingressem para consumo no mercado americano antes de 29 de julho.
A nova tarifa não alcança toda a pauta exportadora de Minas Gerais. Café verde, ferro-gusa, ferronióbio, ferrossilício-manganês, ouro, carne bovina, celulose, mel natural e determinados produtos químicos estão entre os itens isentos, segundo o CIN/FIEMG.
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Siga o Times | CNBCO ferro-gusa, inicialmente considerado um dos produtos mineiros mais expostos, acabou incluído entre as exceções. Em 2025, as exportações do produto somaram pouco mais de US$ 1 bilhão, com Minas Gerais respondendo por quase 73% do valor total exportado pelo Brasil.
O café verde também foi preservado. As exportações mineiras do produto alcançaram aproximadamente US$ 1,6 bilhão em 2025 e representaram cerca de 83% do valor embarcado pelo país. O ferronióbio, com vendas superiores a US$ 200 milhões e participação mineira próxima de 94% em relação ao montante nacional, também integra a relação de produtos isentos.
Na seleção apresentada pelo CIN/FIEMG, os 15 principais produtos mineiros isentos totalizaram cerca de US$ 3,3 bilhões em exportações em 2025, valor superior aos aproximadamente US$ 234 milhões registrados pelos 15 principais itens afetados.
Apesar das exceções, a federação avalia que a tarifa de 25% pode pressionar preços, margens e contratos das empresas atingidas. Em mercados nos quais existem fornecedores de diferentes países, a cobrança pode reduzir a competitividade do produto mineiro, estimular a substituição da origem das importações ou levar compradores americanos a exigir renegociação de valores e condições comerciais.
A entidade acompanha com atenção um novo anúncio previsto para sexta-feira (24/7) relacionado à investigação americana sobre importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. O Brasil foi incluído no grupo para o qual o USTR propôs uma tarifa adicional de 12,5%. Caso a nova cobrança seja confirmada, acumulada aos 25% já em vigor e aplicada aos mesmos produtos, o adicional pode chegar a 37,5%.
Sobre o tema, avalia Verônica Ribeiro Winter, coordenadora de Facilitação de Negócios Internacionais do CIN/FIEMG: “a combinação das medidas pode colocar produtos brasileiros em desvantagem significativa diante dos principais concorrentes internacionais, e essa diferença pode pesar diretamente na escolha do importador. A preocupação não está apenas no tamanho da tarifa, mas na diferença de tratamento entre fornecedores que disputam os mesmos compradores. O momento exige negociação, clareza nas regras e previsibilidade para preservar contratos e mercados”.
O CIN/FIEMG defende a continuidade das negociações entre os governos brasileiro e americano, a ampliação das exceções e regras claras sobre a eventual acumulação das tarifas. Para a entidade, também é necessário avaliar medidas de apoio às empresas mais expostas e alternativas de diversificação dos mercados de destino.
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