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Apoiadores do tarifaço contra o Brasil incluem setores de energia, agricultura e indústria dos EUA
Publicado 22/07/2026 • 06:00 | Atualizado há 60 minutos
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Publicado 22/07/2026 • 06:00 | Atualizado há 60 minutos
KEY POINTS
Foto: Unsplash
Apoiadores do tarifaço contra o Brasil incluem setores de energia, agricultura e indústria
O tarifaço anunciado pelo governo de Donald Trump sobre produtos brasileiros recebeu apoio de diferentes setores da economia dos Estados Unidos.
Representantes da agricultura, indústria, biocombustíveis, produção de milho e cadeia florestal defenderam a decisão anunciada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês). O órgão estabeleceu uma tarifa adicional de 25% sobre uma lista de mercadorias brasileiras.
Segundo o USTR, a medida foi adotada após uma investigação conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
O órgão americano afirmou que políticas e práticas comerciais adotadas pelo Brasil ao longo das últimas décadas teriam prejudicado empresas, trabalhadores e inovadores dos Estados Unidos. Segundo o USTR, essas medidas também teriam dificultado o acesso de exportadores americanos ao mercado brasileiro.
Leia também: Tarifaço: Trump publica lista com empresas e associações que apoiaram o tarifaço ao Brasil; veja
A nova tarifa entra em vigor nesta quarta-feira (22) e integra a estratégia comercial do governo Trump. A medida amplia o uso de barreiras contra países que, segundo a Casa Branca, mantêm práticas consideradas desleais.
Enquanto a administração americana afirma que a medida busca estabelecer condições mais equilibradas de concorrência, o governo brasileiro avalia que a decisão possui caráter político. Brasília informou que continuará as negociações com Washington, mas também prepara alternativas para reduzir possíveis impactos sobre os exportadores nacionais.
Após o anúncio da tarifa adicional, o USTR divulgou manifestações de autoridades e representantes de entidades empresariais que apoiaram a medida. Entre os grupos citados estão organizações ligadas à agricultura, biocombustíveis, bens de consumo, indústria madeireira e produção de milho.
De acordo com essas entidades, exportadores americanos enfrentam dificuldades para ampliar sua participação no mercado brasileiro. Para os representantes dos setores, a tarifa adicional pode ajudar a pressionar por mudanças nas relações comerciais entre os dois países.
As manifestações refletem a avaliação dessas organizações sobre a política comercial brasileira. Além disso, seguem o entendimento apresentado pelo governo dos Estados Unidos durante a investigação conduzida pelo USTR.
Além do setor de energia, representantes da agricultura americana passaram a apoiar publicamente a decisão do governo Trump. A National Corn Growers Association, entidade que reúne produtores de milho dos Estados Unidos, afirmou que a investigação conduzida pelo USTR identificou problemas comerciais que justificariam a aplicação das tarifas.
O presidente da associação, Jed Bower, declarou que a medida representa uma resposta às dificuldades enfrentadas pelos produtores americanos nas relações comerciais com o Brasil.
O apoio ao tarifaço também veio de representantes da indústria americana. A Consumer Brands Association afirmou que a política comercial adotada pelo governo Trump considera desafios da produção doméstica e a necessidade de garantir acesso a matérias-primas consideradas estratégicas para a economia dos Estados Unidos.
A presidente e CEO da entidade, Melissa Hockstad, comentou sobre a inclusão de produtos como café, madeira e matérias-primas vegetais na análise do USTR. Segundo ela, a medida demonstra, na avaliação da associação, uma estratégia voltada ao fortalecimento da indústria manufatureira americana.
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Siga o Times | CNBCLeia também: Por que a tarifa dos EUA pode afetar muito mais do que as roupas brasileiras?
No setor florestal, a Louisiana Loggers Association também se posicionou favoravelmente à decisão. A entidade afirmou que a tarifa adicional pode reduzir distorções na concorrência internacional e destacou que produtores americanos seguem padrões ambientais e trabalhistas rigorosos.
O próprio USTR divulgou as manifestações após o anúncio da medida. Segundo o órgão, agricultores, madeireiros e representantes da indústria consideram a tarifa uma ferramenta para enfrentar práticas comerciais que, na avaliação do governo americano, prejudicam empresas dos Estados Unidos há décadas.
A tarifa adicional de 25% atinge uma lista ampla de produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos. Entre os itens citados estão etanol, máquinas agrícolas, equipamentos elétricos, vestuário, calçados, produtos utilizados na mineração, ferramentas de jardinagem, papel, aço, açúcar orgânico e diferentes produtos agrícolas e manufaturados.
De acordo com estimativas, a medida pode atingir uma parcela relevante das exportações brasileiras destinadas ao mercado americano. Além disso, entre os setores considerados mais expostos estão madeira, móveis, máquinas e equipamentos elétricos, produtos cerâmicos, açúcar e calçados.
Esses segmentos passaram a discutir alternativas com o governo federal para reduzir os possíveis impactos da nova política tarifária dos Estados Unidos.
Enquanto setores americanos defendem a aplicação das tarifas, o governo brasileiro iniciou reuniões com representantes das áreas mais afetadas para avaliar medidas de apoio aos exportadores.
As conversas envolvem entidades como a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) e a Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast).
Os encontros contam com representantes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, do Ministério da Fazenda e da vice-presidência da República.
Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o governo ainda avalia quais mecanismos serão mais adequados antes de definir novos recursos. A estratégia é ouvir os setores produtivos para identificar as principais necessidades das empresas afetadas.
Entre as possibilidades avaliadas está o reforço de instrumentos já existentes no Plano Brasil Soberano, com linhas de crédito voltadas ao capital de giro e aos investimentos de empresas exportadoras.
O programa prevê apoio financeiro aos setores afetados pelas tarifas americanas. Entre as medidas anunciadas estão recursos do Fundo de Garantia à Exportação (FGE), além de linhas operadas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Agora, o governo brasileiro acompanha as negociações com os Estados Unidos e avalia quais medidas poderão ser ampliadas caso o tarifaço entre em vigor.
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