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Tarifaço ameaça US$ 3,2 bilhões em máquinas brasileiras, diz Abimaq

Publicado 16/07/2026 • 11:57 | Atualizado há 2 minutos

KEY POINTS

  • ABIMAQ demonstra preocupação com tarifas de 25% dos EUA contra produtos brasileiros; tarifaço ameaça cerca de US$ 3,2 bilhões em exportações de máquinas e equipamentos.
  • Aeronaves civis, produtos farmacêuticos, madeira, veículos e semicondutores estão na lista de produtos descartados da medida imposta.
  • A associação declarou que acompanhará a regulamentação operacional pelas autoridades aduaneiras norte-americanas.
abimaq

Máquinas e equipamentos são foco da medida.

Unsplash

A tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, batizada de tarifaço, ameaça cerca de US$ 3,2 bilhões em exportações de máquinas e equipamentos do Brasil, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). A entidade classificou a medida, que entra em vigor em 22 de julho, como um fator de incerteza para o comércio entre os dois países.

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Em nota, a Abimaq declarou que avalia a decisão como um fator de incerteza para o comércio bilateral e para as empresas inseridas nas cadeias produtivas entre Brasil e o país norte-americano, mesmo que a ação tenha trazido diversas exceções a produtos considerados estratégicos para a economia dos EUA – como aeronaves civis, produtos farmacêuticos, madeira, veículos e semicondutores.

A associação ainda declarou que vai continuar acompanhando os desdobramentos da medida, como, por exemplo, a regulamentação operacional pelas autoridades aduaneiras norte-americanas e a definição do tratamento aplicável em diferentes produtos do setor.

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“A Abimaq entende que divergências comerciais devem ser tratadas prioritariamente por meio do diálogo institucional e da negociação bilateral. Medidas unilaterais de natureza tarifária tendem a elevar a insegurança jurídica, aumentar custos para empresas e consumidores e enfraquecer cadeias globais de valor que vêm sendo construídas ao longo de décadas”, concluiu.

Veja a íntegra da nota

ABIMAQ manifesta preocupação com decisão dos Estados Unidos de aplicar tarifas de 25% a produtos brasileiros no âmbito da Seção 301

A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ) manifesta profunda preocupação com a decisão do governo dos Estados Unidos de aplicar tarifa adicional de 25% sobre as importações de produtos brasileiros, no âmbito da investigação conduzida com base na Seção 301 do Trade Act de 1974.

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A medida, anunciada pelo USTR, decorre da conclusão de que determinadas políticas brasileiras relacionadas a comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, combate à corrupção, proteção à propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal configurariam práticas consideradas “injustas” ou “discriminatórias” sob a ótica norte-americana. A tarifa entrará em vigor em 22 de julho de 2026, alcançando, como regra geral, as importações provenientes do Brasil, com exceção de produtos expressamente excluídos pelo governo norte-americano.

Embora o ato final tenha preservado diversas exceções relevantes, inclusive para produtos sujeitos às medidas da Seção 232 e para determinados bens considerados estratégicos para a economia norte-americana, a ABIMAQ avalia que a decisão representa um fator adicional de incerteza para o comércio bilateral e para as empresas inseridas nas cadeias produtivas entre Brasil e Estados Unidos. Entre os produtos excluídos das novas tarifas encontram-se, por exemplo, artigos já submetidos à Seção 232, aeronaves civis e suas partes, produtos farmacêuticos, determinados produtos de madeira, veículos, semicondutores e outros insumos considerados essenciais pelo próprio governo dos Estados Unidos.

Para o setor de máquinas e equipamentos, os Estados Unidos representam o principal mercado de exportação. Trata-se de uma relação comercial caracterizada por elevada complementaridade industrial e pela intensa integração das cadeias produtivas, nas quais circulam máquinas, componentes, partes e bens intermediários utilizados pela própria indústria norte-americana. Em 2025, as exportações brasileiras de máquinas e equipamentos para os Estados Unidos alcançaram aproximadamente US$ 3,2 bilhões, enquanto as exportações norte-americanas para o Brasil totalizaram cerca de US$ 4,8 bilhões, evidenciando uma relação de benefícios mútuos e forte interdependência produtiva.

A ABIMAQ ressalta que parcela significativa desse comércio ocorre entre empresas do mesmo grupo econômico (intercompany), refletindo investimentos produtivos realizados por empresas norte-americanas no Brasil e por empresas brasileiras nos Estados Unidos. Nesse contexto, a elevação de tarifas tende a aumentar custos, reduzir competitividade, comprometer investimentos e afetar a eficiência das cadeias produtivas instaladas nos dois países, produzindo efeitos que vão além da relação comercial bilateral.

A entidade também observa que, durante a consulta pública conduzida pelo USTR, diversos representantes da indústria norte-americana defenderam a exclusão de máquinas, equipamentos e outros bens industriais da medida, argumentando que esses produtos são essenciais para a competitividade da manufatura dos Estados Unidos, possuem limitada disponibilidade de fornecimento alternativo e que sua tributação produziria impactos negativos sobre investimentos, custos de produção e geração de empregos naquele país. O próprio relatório final reconhece que diversas exclusões foram concedidas justamente para evitar desorganização das cadeias produtivas e impactos econômicos mais amplos.

A ABIMAQ entende que divergências comerciais devem ser tratadas prioritariamente por meio do diálogo institucional e da negociação bilateral. Medidas unilaterais de natureza tarifária tendem a elevar a insegurança jurídica, aumentar custos para empresas e consumidores e enfraquecer cadeias globais de valor que vêm sendo construídas ao longo de décadas.

A Associação continuará acompanhando atentamente a implementação da medida, em especial a regulamentação operacional pelas autoridades aduaneiras norte-americanas e a definição do tratamento aplicável aos diferentes produtos do setor. Paralelamente, permanecerá atuando junto às autoridades brasileiras e aos interlocutores norte-americanos na defesa da ampliação das exclusões aplicáveis ao setor de máquinas e equipamentos e da construção de uma solução negociada que preserve a competitividade da indústria e o fortalecimento da relação econômica entre Brasil e Estados Unidos.

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