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Tarifaço: Brasil busca novos mercados para compensar perdas nas exportações

Publicado 11/08/2026 • 16:35 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Vera Galante, consultora de risco político e relações internacionais, avalia as alternativas do Brasil diante das tarifas impostas pelos Estados Unidos.
  • Calçados, manufaturados e máquinas estão entre os produtos com potencial para ampliar vendas em mercados como Europa e Arábia Saudita.
  • Consultas na OMC e possível diálogo entre Lula e Trump formam outras frentes da estratégia brasileira para tentar reverter o impacto das tarifas.

O Brasil busca alternativas para reduzir o impacto do tarifaço imposto pelos Estados Unidos às exportações brasileiras. Enquanto a Apex Brasil trabalha na abertura de novos mercados para empresas afetadas, o governo também aposta na Organização Mundial do Comércio (OMC) e em uma possível negociação direta com Washington.

Em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Vera Galante, Consultora de Risco Político e Relações Internacionais, diz que a diversificação dos destinos das exportações pode ajudar o país a compensar parte das perdas, embora existam desafios logísticos para redirecionar cadeias de comércio já estruturadas. “Não é muito difícil mudar o destino das nossas exportações.”

O Brasil já possui uma pauta comercial relativamente diversificada e mantém relações com 267 países. China, Estados Unidos e Argentina estão entre os principais parceiros comerciais brasileiros, o que reduz a dependência de um único mercado.

A mudança, porém, exige adaptação das empresas. Cadeias de transporte, logística e distribuição foram estruturadas para atender aos destinos atuais e precisam ser reorganizadas quando o mercado consumidor muda.

Entre os setores com maior potencial para buscar novos compradores estão calçados, máquinas e outros produtos manufaturados. O mercado europeu e países como a Arábia Saudita aparecem como alternativas para ampliar as exportações brasileiras.

Galante avalia que o movimento não precisa necessariamente significar a substituição completa das vendas destinadas aos Estados Unidos. Uma das alternativas seria ampliar as exportações para parceiros que já conhecem os produtos brasileiros e, ao mesmo tempo, buscar novos compradores.

O cenário também envolve uma disputa diplomática. O Brasil levou o caso à OMC, enquanto os Estados Unidos aceitaram participar das consultas. A China também demonstrou interesse em acompanhar o processo, embora não faça parte diretamente da disputa.

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Para Vera, a atuação brasileira ocorre em diferentes frentes, combinando a busca por novos mercados com o caminho institucional na OMC e a possibilidade de uma negociação direta entre os governos brasileiro e norte-americano.

“Nós fazemos em duas frentes, na verdade é a terceira frente e o presidente Lula está se preparando para conversar com o presidente Trump.”

Apesar disso, a especialista avalia que o processo na OMC apresenta limitações. Mesmo que o Brasil obtenha uma decisão favorável em uma eventual etapa do processo, a estrutura para recursos enfrenta dificuldades em razão da ausência de integrantes no órgão responsável por analisar os recursos.

Nesse cenário, a negociação diplomática ganha importância. Para Galante, uma solução construída diretamente entre os países poderia evitar um processo mais longo dentro do sistema multilateral de comércio.

Enquanto as negociações avançam, empresas brasileiras precisam lidar com os efeitos imediatos das tarifas e buscar alternativas comerciais. A estratégia combina diversificação de mercados, ampliação das vendas para parceiros já consolidados e tentativa de preservar o acesso ao mercado norte-americano.

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