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Tarifas do Trump

Tarifas dos EUA têm efeito limitado no Brasil, mas pesam sobre máquinas e madeira

Publicado 28/09/2026 • 16:51 | Atualizado há 40 minutos

KEY POINTS

  • Welber Barral avalia que tarifas americanas atingem menos de 4% das exportações brasileiras e têm impacto macroeconômico reduzido.
  • Welber Barral avalia que tarifas americanas atingem menos de 4% das exportações brasileiras e têm impacto macroeconômico reduzido.
  • Acordo mais amplo entre EUA e China na área agrícola poderia gerar impactos relevantes para o Brasil, segundo Barral.

As tarifas adicionais impostas pelos Estados Unidos atingem atualmente menos de 4% das exportações brasileiras e, por isso, têm efeito macroeconômico limitado sobre o País, segundo Welber Barral, consultor em Comércio Internacional. Em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC nesta segunda-feira (28), ele ponderou, porém, que determinados setores enfrentam impactos mais significativos.

“Se você olhar o que está sendo afetado hoje pelas tarifas americanas, nós estamos falando de menos de 4% das exportações brasileiras. Então, o efeito macroeconômico para a economia brasileira é pequeno”, explicou Barral.

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Segundo o consultor, os efeitos são mais concentrados em segmentos específicos, como máquinas e madeira, que enfrentam exposição maior às medidas comerciais dos Estados Unidos.

Negociação deve avançar de forma pontual

Brasil e Estados Unidos realizaram na sexta-feira (25), em Genebra, a primeira reunião no âmbito das consultas abertas pelo governo brasileiro na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as tarifas adicionais aplicadas por Washington. Os dois países devem voltar a tratar do assunto durante a reunião ministerial de Comércio do G20, em Milwaukee, nos dias 30 de setembro e 1º de outubro.

Barral considera que existem diferentes frentes sendo conduzidas simultaneamente. Na OMC, os questionamentos apresentados pelo Brasil fazem parte do procedimento de consultas e podem, posteriormente, resultar na abertura formal de uma controvérsia e no pedido de instalação de um painel.

“O Brasil apresenta uma lista de questionários que faz parte do procedimento de consultas. Os Estados Unidos têm uma oportunidade de responder. A partir dessa resposta, o Brasil pode iniciar uma controvérsia formal, um caso na OMC, e pode pedir a instalação de um painel”, explicou.

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Para Barral, entretanto, Washington dificilmente avançará de maneira significativa antes de conhecer o resultado das eleições brasileiras. Segundo ele, existe no governo americano a expectativa de que uma mudança no cenário político brasileiro possa alterar as condições de negociação.

“Pode avançar com o Brasil, mas, se avançar, provavelmente vai ser alguma negociação pontual até que nós tenhamos uma evolução da situação política brasileira”, avaliou.

O consultor também defendeu que o Brasil mantenha aberta a frente multilateral, mesmo diante das dificuldades enfrentadas pela OMC e do tempo necessário para a resolução de uma disputa.

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“O Brasil precisa abrir todas as frentes como forma de fortalecer sua posição. Um caso na OMC, mesmo que vá adiante, vai levar três ou quatro anos. Ele não vai ser resolvido rapidamente”, observou.

Segundo Barral, a duração do processo também significa que o cenário político americano poderá ser diferente quando houver uma eventual decisão. “É importante para o Brasil criar esses mecanismos justamente por não saber qual vai ser o cenário futuro”, acrescentou.

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China pode representar impacto maior

Na avaliação do consultor, um risco potencialmente mais relevante para a economia brasileira está nas negociações comerciais entre Estados Unidos e China, sobretudo se futuras concessões alcançarem produtos agrícolas.

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Barral considera que os itens discutidos até agora têm pouca relevância para o comércio bilateral entre as duas maiores economias do mundo. “O que os Estados Unidos anunciaram como resultado da negociação com a China foi praticamente irrelevante. Presentes de Natal e alguns brinquedos não têm muito efeito no comércio bilateral entre China e Estados Unidos”, comentou.

O cenário mudaria, porém, caso Pequim ampliasse o acesso dos produtos agrícolas americanos ao mercado chinês. A China é um dos principais destinos das commodities brasileiras, o que tornaria uma eventual abertura mais significativa para os Estados Unidos relevante para o Brasil.

“Uma eventual negociação entre Estados Unidos e China que envolvesse produtos agrícolas poderia, sim, ter um efeito mais relevante para a economia brasileira, não por causa dos Estados Unidos, mas por conta da China, que é o nosso grande importador de commodities”, ressaltou.

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Barral acrescentou que os chineses têm interesse em negociar setores mais relevantes, incluindo automóveis e aço, enquanto os americanos buscam ampliar o espaço para seus produtos agrícolas na China.

Disputa entre EUA e China deve continuar

Questionado sobre o discurso chinês em defesa de uma relação na qual os dois países possam prosperar, Barral disse que a ideia de harmonia faz parte da cultura e da diplomacia chinesas, mas não elimina a competição estratégica entre as duas potências.

“Os chineses sempre discutem que querem uma relação harmônica com todo mundo”, disse. Para ele, contudo, a disputa entre Estados Unidos e China deverá marcar este século e aparecer em diferentes áreas.

“Nós vamos ver isso na inteligência artificial, nós vamos ver isso na indústria, nós vamos ver isso na corrida espacial. E, apesar do discurso de Xi, que faz parte da cultura deles, eu acho que o embate, a continuidade do embate, é quase inevitável ao longo desse século”, concluiu.

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Sobre a reunião ministerial do G20 desta semana, Barral demonstrou pouca expectativa de avanços expressivos entre Brasil e Estados Unidos. Caso haja algum resultado, ele acredita que poderá envolver concessões tarifárias pontuais, com impacto reduzido sobre o comércio efetivo.

Além das eleições brasileiras, o consultor destacou que o Itamaraty também acompanha o cenário eleitoral americano, uma vez que uma eventual mudança na composição do Congresso dos Estados Unidos poderia alterar as condições de negociação com o governo Trump.

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