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Tarifaço força setor moveleiro a redesenhar produtos e buscar novos mercados

Publicado 02/09/2026 • 14:58 | Atualizado há 21 minutos

KEY POINTS

  • Empresas do setor moveleiro buscam adaptar produtos feitos para os Estados Unidos e ampliar vendas no mercado brasileiro.
  • A abertura de novos destinos internacionais é uma alternativa, mas exige adequações e não deve ocorrer de forma imediata.
  • Polo moveleiro do norte de Santa Catarina está entre as regiões mais expostas às novas tarifas impostas pelos EUA.

O tarifaço dos Estados Unidos está obrigando fabricantes brasileiros de móveis a rever produtos e mercados, com empresas que dependiam das exportações americanas buscando ampliar as vendas no Brasil e encontrar novos destinos no exterior, afirmou Simone Tabalipa, conselheira da Rota Moveleira e empresária do setor.

Em entrevista nesta quarta-feira (2) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Simone explicou que o impacto é particularmente relevante no polo moveleiro do norte de Santa Catarina, onde parte importante da produção foi desenvolvida especificamente para atender às preferências dos consumidores americanos.

“A nossa região aqui está realmente sendo muito afetada. […] Aqui nessa região são produzidos muitos produtos para exportação. E esse produto é adaptado consideravelmente para o mercado americano”, afirmou Simone Tabalipa.

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Segundo a empresária, essa característica dificulta simplesmente redirecionar para o consumidor brasileiro os móveis que deixam de encontrar espaço nos Estados Unidos após o aumento das tarifas.

“São móveis que nem sempre o brasileiro consegue ter uma identidade muito fácil para essa adaptação, essa recolocação dos produtos dentro do mercado nacional”, explicou.

Empresas redesenham produtos para o mercado brasileiro

Diante da nova realidade comercial, uma das alternativas é utilizar a estrutura industrial e o conhecimento acumulado pelas fabricantes exportadoras para desenvolver produtos mais adequados ao mercado doméstico.

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“Como essas empresas já vêm tendo maquinário, expertise e tudo mais, [há] de repente a nova criação de produtos para colocar no mercado interno mesmo”, pontuou Simone.

A empresária afirmou que esse movimento já pode ser observado no setor. Segundo ela, eventos como a feira da Rota Moveleira, realizada no norte catarinense, também passaram a funcionar como instrumento para aproximar as fabricantes de compradores de outras regiões do Brasil.

“Hoje a feira da Rota Moveleira recebe pessoas do Brasil todo, Roraima, pessoal de São Paulo que tem vindo com muita frequência para cá, Campo Grande, mesmo o pessoal do Rio Grande do Sul”, destacou.

Para Simone, esse aumento do interesse nacional acompanha justamente a necessidade de encontrar novos canais para uma produção anteriormente direcionada ao exterior. “A gente vê essa transformação dos produtos que eram exportados vindo para o mercado nacional”, afirmou.

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Novos mercados externos exigem adaptação

Outra possibilidade discutida pelas empresas é a diversificação das exportações, com a tentativa de conquistar compradores em mercados como Europa e Ásia. A mudança, entretanto, não ocorre de maneira automática, mesmo para companhias que já possuem experiência no comércio internacional.

“Eu acredito que não é tão simples, mas é um trabalho que tem que ser feito com toda certeza”, ressaltou Simone Tabalipa.

Segundo ela, as fabricantes precisam avaliar as características e exigências de cada mercado antes de redirecionar sua produção. A empresária avalia que o setor terá de acelerar esse processo diante das barreiras encontradas nos Estados Unidos.

“A gente vê cada vez mais o pessoal se esforçando para que essa adaptação seja clara e rápida”, disse.

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Simone também relacionou a política tarifária americana a uma estratégia de estimular a produção industrial dentro dos próprios Estados Unidos, principalmente em segmentos nos quais existe capacidade de fabricação doméstica.

“São produtos que podem ser industrializados nos Estados Unidos, por exemplo. Então, eu acho que isso parte muito de uma questão empresarial, você querer que seu país comece a produzir os seus próprios produtos”, avaliou.

Destino da produção será decisão de cada empresa

Para a empresária, a resposta ao tarifaço não deverá ser uniforme. Cada fabricante terá de analisar quais mercados apresentam demanda compatível com seus produtos e quais adaptações serão necessárias para reduzir a dependência dos compradores americanos.

“Na visão hoje de mercado, você readaptar um produto para uma determinada região não significa uma facilidade, mas é um trabalho que cada empresa vai ter que olhar um pouco mais de perto para onde vai se direcionar esse produto”, explicou Simone.

Nesse cenário, a empresária avalia que tanto o fortalecimento das vendas domésticas quanto a procura por outros mercados internacionais devem ganhar importância enquanto o setor busca diminuir os efeitos das tarifas dos Estados Unidos.

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