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Tarifaço nos EUA já derrubou 42% das exportações de móveis do Brasil em 2026, diz Abimóvel

Publicado 27/07/2026 • 09:43 | Atualizado há 56 minutos

KEY POINTS

  • Tarifaço acumulado de 37,5% imposto pelos Estados Unidos afeta 200 empresas do setor moveleiro brasileiro.
  • Exportações de móveis para o mercado americano caem 42% no primeiro quadrimestre, segundo a Abimóvel.
  • Cerca de 10 mil empregos foram cortados no setor desde o início do tarifaço, aponta diretora-executiva da entidade.

O tarifaço aplicado pelos Estados Unidos já derrubou 42% das exportações brasileiras de móveis para o mercado americano no primeiro quadrimestre de 2026. O dado foi apresentado por Cândida Cervieri, diretora-executiva da Abimóvel (Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário), em entrevista ao vivo para o Pré-Market desta segunda-feira (27).

Segundo ela, o setor já soma 200 empresas atingidas e cerca de 10 mil desligamentos desde o início da escalada tarifária.

Além da fala da executiva, dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) na sexta-feira (24) mostram que a sobretaxa acumulada de 37,5% já atinge US$ 6,6 bilhões em exportações brasileiras para os Estados Unidos, equivalente a 16,5% do total enviado ao país.

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Tarifaço já derrubou exportações do setor

De acordo com Cervieri, o impacto se acumula em etapas. Em 2025, as indústrias conseguiram renegociar com parceiros comerciais americanos e dividir os custos dos embarques, o que limitou a queda das exportações a cerca de 22% no ano. Já em 2026, com a tarifa em vigor de forma integral, o recuo no mercado americano chegou a 42% no primeiro quadrimestre.

🔍 Seção 301: mecanismo da legislação comercial americana que permite ao governo dos Estados Unidos aplicar sobretaxas a produtos de outros países. No caso brasileiro, duas investigações resultaram em alíquotas adicionais de 25% e 12,5%, que se somam quando incidem sobre o mesmo produto, chegando a 37,5%.

Os Estados Unidos respondem por 30% das exportações brasileiras de móveis, o que torna o país o principal parceiro comercial do setor. Segundo a executiva, já são 200 empresas atingidas pela medida e cerca de 10 mil postos de trabalho perdidos desde o início do processo.

Santa Catarina lidera polos afetados

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Santa Catarina concentra o maior polo exportador de móveis do país, seguido por Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo. Esses estados sediam a maior parte das empresas hoje sob pressão pelo tarifaço, com relatos de cancelamento de encomendas e risco de paralisação de linhas de produção.

Cervieri afirmou que os produtos exportados pelo Brasil aos Estados Unidos são, em geral, de alto valor agregado, o que amplia o peso financeiro da sobretaxa sobre as empresas do setor.

Indústria compara Brasil a concorrentes

Questionada sobre o risco de os Estados Unidos substituírem as importações brasileiras por produção interna, Cervieri ponderou que a medida americana tem como alvo principal outros países. Segundo ela, o Brasil responde por apenas 0,7% das importações totais de móveis dos Estados Unidos, enquanto China, Vietnã e México somam juntos 40% desse mercado.

Para a executiva, a construção de uma política industrial americana capaz de substituir fornecedores externos levaria entre cinco e sete anos, prazo considerado inviável no curto prazo diante da estrutura atual da cadeia produtiva americana.

Negociação é aposta do setor diante do tarifaço

O setor moveleiro brasileiro adotou a negociação como eixo central da resposta ao tarifaço. Segundo Cervieri, a indústria também recorreu a advogados para apresentar defesa técnica contra as medidas americanas, com base em dados sobre a baixa participação brasileira nas importações totais dos Estados Unidos.

A executiva reconheceu que as exigências técnicas e regulatórias do mercado americano, historicamente rigorosas em certificações e normas, ajudaram a elevar o padrão de competitividade da indústria brasileira ao longo dos anos. Ainda assim, ela reforçou que o setor seguirá priorizando o diálogo comercial e diplomático como caminho para reverter os efeitos da sobretaxa.

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