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Panetones: exportações crescem 42% apesar de tarifaço e faturamento do setor sobe 3,5%
Publicado 31/08/2026 • 09:15 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 31/08/2026 • 09:15 | Atualizado há 1 hora
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O panetone brasileiro fechou a temporada 2025/2026 com resultados opostos em dois fronts. No mercado interno, o faturamento da categoria cresceu 3,5%, somando R$ 1,36 bilhão, mesmo com retração de 3,4% no volume vendido. Já nas exportações, o produto avançou 42,6% em faturamento entre janeiro e julho, para US$ 6,7 milhões, impulsionado por uma corrida das indústrias para antecipar embarques antes da entrada em vigor do tarifaço americano.
Os números do mercado doméstico são da consultoria Worldpanel by Numerator, encomendados pela Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados, a Abimapi, e apresentados no Salão do Panetone 2026. Já os dados de exportação vêm do Comex Stat, sistema do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, compilados pela própria associação.

Conforme o levantamento, o segmento de panetones somou 50 mil toneladas na temporada, com retração de 3,4% frente ao ano anterior. Ainda assim, o incremento financeiro de R$ 45,8 milhões reflete uma busca por produtos premium, nos quais o consumidor prioriza recheios sofisticados e maior valor agregado, mesmo pagando mais por unidade.
Para Claudio Zanão, presidente executivo da Abimapi, o resultado confirma o peso do produto no orçamento das famílias brasileiras. “O resultado financeiro positivo reafirma a força do produto no planejamento de compras das famílias e no varejo nacional, além de refletir o valor simbólico e afetivo que o panetone tem para os brasileiros”, afirma o executivo, que também destaca o investimento da indústria em recheios sofisticados e embalagens maiores voltadas ao consumo compartilhado.
O segmento de panetones recheados puxou o crescimento em volume, com alta de 4,5%, principalmente em São Paulo e nas regiões Norte, Nordeste e Sul. Já o segmento Super Tier, formado por produtos com preço acima de 140% da média de mercado, contribuiu com 0,4% do aumento em volume, puxado por sabores como trufado, doce de leite e avelã.
Nas prateleiras, as embalagens tradicionais de 400 gramas ainda respondem por 64,2% do volume vendido na categoria. Por outro lado, a aposta da indústria em formatos maiores trouxe retorno, os panetones entre 601 gramas e 1 quilo somaram 18,5% de participação no consumo nacional, com contribuição de 2% em volume.
Segundo o levantamento, o público acima de 50 anos lidera o consumo, respondendo por 41,7% do volume da categoria, com lares de 3 a 4 pessoas concentrando 49,2% das compras. Os chamados “Panetone Lovers”, que representam 20% dos compradores, respondem por 48% de todo o volume consumido e costumam iniciar as compras já em outubro e novembro.
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Siga o Times | CNBCDavid Fiss, diretor de desenvolvimento de negócios da Worldpanel by Numerator no Brasil, avalia o ciclo como desafiador, mas resiliente. “Apesar de 2025 e 2026 ter sido um ciclo desafiador para a categoria de panetones, especialmente diante de um consumidor mais seletivo, maior pressão sobre preços e mudanças nas escolhas de compra, panetone segue ocupando um papel extremamente relevante no final de ano brasileiro”, avalia o executivo.
Do lado externo, as exportações brasileiras de panetone somaram US$ 6,7 milhões entre janeiro e julho de 2026, ante US$ 4,7 milhões no mesmo período de 2025. Em volume, o país embarcou 1,8 mil toneladas do produto, salto de 63,6% sobre as 1,1 mil toneladas do ano anterior.
O movimento, segundo a Abimapi, foi provocado pelo tarifaço imposto pelos Estados Unidos, que levou as indústrias a concentrar embarques em junho e julho. O padrão rompe com a sazonalidade histórica do setor, que entre 2021 e 2024 concentrava vendas externas em agosto e setembro.
Rodrigo Iglesias, diretor internacional da Abimapi, atribui o resultado à velocidade de resposta das empresas brasileiras diante das novas tarifas. “Diante da pressão de novas taxas alfandegárias, as empresas brasileiras adotaram planos de ação com alta precisão para o desempenho fabril, antecipando os embarques de panetones. Isso garantiu que os produtos chegassem de forma competitiva aos estoques norte-americanos, abastecendo o mercado antes do início das campanhas de vendas”, afirma o diretor.
Apesar do resultado, Iglesias faz uma ressalva sobre a continuidade do ritmo. “O cenário ainda é desafiador, já que novos embarques devem ocorrer sob as novas configurações tarifárias. Não acreditamos que ocorra um crescimento sustentável nesse patamar até o final do ano”, pondera o executivo, que estima em cerca de 35% a fatia já exportada aos Estados Unidos do total esperado para o ciclo completo.
Ainda de acordo com o levantamento, os Estados Unidos somaram US$ 4,3 milhões e 1,3 milhão de quilos em embarques entre janeiro e julho de 2026. O país, no entanto, vem perdendo participação relativa, a fatia americana nos embarques totais brasileiros caiu de 60% em 2024 para 55% em 2025, após uma retração de 7,5% no fechamento do ano passado.
Para reduzir essa dependência, a Abimapi mantém o projeto Amazing Foods Brazil, parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, a ApexBrasil. Em 2026, o Brasil já exportou panetones para 33 países. O Japão aparece como segundo maior parceiro, com US$ 800 mil e 200 toneladas embarcadas, seguido por Venezuela e México, empatados na sequência de destinos relevantes.
Rodrigo Iglesias associa o resultado à estratégia de diversificação da indústria. “A diversificação é um caminho indispensável. O crescimento expressivo em mercados consolidados como o Japão, o avanço robusto no Peru e a entrada em mercados alternativos provam que o portfólio sazonal brasileiro está ganhando fôlego global e diminuindo a dependência de um único parceiro comercial”, avalia o diretor, que projeta alta de cerca de 5% nas exportações totais de panetone em 2026 frente a 2025.
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