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Tensão entre EUA e Irã no Estreito de Ormuz pode elevar preço do barril de petróleo a US$ 90

Publicado 19/08/2026 • 16:33 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Wilson Mendonça, professor de Relações Internacionais na Skema Business School, considera realista a manutenção do petróleo em patamares elevados diante da instabilidade no Golfo.
  • O professor avalia que a suspensão das relações comerciais pelos Emirados Árabes Unidos aumenta a pressão política sobre o Irã, mas ainda não é suficiente para provocar uma mudança imediata de postura.
  • Mendonça destaca que a paralisação do Estreito de Ormuz afeta não apenas o petróleo, mas também o gás e o comércio dos países do Golfo.

A escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã mantém o mercado global em alerta, enquanto o governo de Donald Trump amplia a pressão econômica e militar sobre Teerã. No centro da crise está o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo e gás do mundo, cuja paralisação já afeta o fluxo comercial no Golfo.

Para Wilson Mendonça, professor de Relações Internacionais na Skema Business School, a manutenção das incertezas na região torna plausível um cenário de petróleo em patamares elevados.

“Eu considero esse valor extremamente realista”, afirmou o professor, ao avaliar a possibilidade de o petróleo permanecer próximo dos US$ 90 por barril diante da imprevisibilidade do conflito.

Segundo Mendonça, a suspensão das relações comerciais anunciada pelos Emirados Árabes Unidos com o Irã representa mais uma tentativa de aumentar a pressão sobre Teerã. Embora o comércio bilateral tenha valor relativamente limitado diante das principais relações comerciais globais, o movimento tem importância política.

“É mais uma estratégia de pressão”, afirmou.

Os Emirados Árabes Unidos são um importante parceiro comercial do Irã, especialmente diante das sanções impostas por países ocidentais. A interrupção das relações comerciais acrescenta uma nova frente de pressão sobre o governo iraniano, que também enfrenta dificuldades provocadas pela paralisação do trânsito pelo Estreito de Ormuz.

Para o professor, a estratégia iraniana de utilizar a passagem pelo estreito como instrumento de barganha amplia os efeitos da crise para além da disputa direta com os Estados Unidos.

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“A estratégia do Irã de sufocar e utilizar como barganha a não passagem do estreito deixa muito claro que a pressão não condiciona exclusivamente a um conflito entre Irã e Estados Unidos”.

O impacto também alcança outros países do Golfo. Além do petróleo, a região é estratégica para o transporte de gás natural liquefeito e outros produtos. O Catar, um dos principais exportadores mundiais de gás, também pode ser afetado pela interrupção do fluxo marítimo.

Ao mesmo tempo, os ataques iranianos contra países do Golfo colocaram em evidência a vulnerabilidade militar de aliados dos Estados Unidos na região. Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Bahrein e Omã estão entre os países diretamente expostos aos desdobramentos do conflito.

Na avaliação do professor, essa situação pode aumentar a pressão sobre Washington para ampliar a proteção oferecida aos seus parceiros estratégicos no Golfo. Os países da região, porém, também enfrentam prejuízos econômicos com a redução do fluxo de mercadorias pelo Estreito de Ormuz.

A crise, portanto, cria uma situação de pressão simultânea sobre os dois lados. O Irã sofre com o impacto das sanções e com as limitações ao próprio comércio, enquanto seus adversários enfrentam riscos sobre o abastecimento de energia e o transporte internacional.

“Agora fica nessa dúvida de quem terá mais fôlego para suportar esse processo”.

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